Paleontologia

Fósseis de Trilobitas - Fósseis são objetos estudados pela Paleontologia
A Paleontologia (do grego palaiós, antigo + óntos, ser + lógos, estudo) é a ciência natural que estuda a vida do passado da Terra e o seu desenvolvimento ao longo do tempo geológico, bem como os processos de integração da informação biológica no registro geológico, isto é, a formação dos fósseis.1 O cientista responsável pelos estudos dessa ciência é denominado de paleontólogo.

A vida na Terra surgiu há aproximadamente 4,2 mil milhões (bilhões, no Brasil) de anos e, desde então, restos de animais e vegetais ou indícios das suas actividades ficaram preservados nas rochas. Estes restos e indícios são denominados fósseis e constituem o objecto de estudo da Paleontologia.

A Paleontologia desempenha um papel importante nos dias de hoje. Já não é a ciência hermética, restrita aos cientistas e universidades. Todos se interessam pela história da Terra e dos seus habitantes durante o passado geológico, para melhor conhecerem as suas origens.

O objeto imediato de estudo da Paleontologia são os fósseis, pois são eles que, na atualidade, encerram a informação sobre o passado geológico do planeta Terra. Por isso se diz frequentemente que a Paleontologia é, simplesmente, a ciência que estuda os fósseis. Contudo, esta é uma definição redutora, que limita o alcance da Paleontologia, pois os seus objetivos fundamentais não se restringem ao estudo dos restos fossilizados dos organismos do passado. A Paleontologia não procura apenas estudar os fósseis, procura também, com base neles, entre outros aspectos, conhecer a vida do passado geológico da Terra.

Uma vez que os fósseis são objectos geológicos com origem em organismos do passado, a Paleontologia é a disciplina científica que estabelece a ligação entre as ciências geológicas e as ciências biológicas. Conhecimentos acerca da Geografia são de suma importância para a paleontologia, entre outros, através desta pode relacionar-se o posicionamento e distribuição dos dados coligidos pelo globo.


A informação sobre a vida do passado geológico (como eram os organismos do passado, como viviam, como interagiam com o meio ambiente , como evoluiu a vida ao longo do tempo) está contida nos fósseis e na sua relação com as rochas e os contextos geológicos em que ocorrem. O mundo biológico que hoje conhecemos é o resultado de milhares de milhões de anos de evolução. Assim, só estudando paleontologicamente o registo fóssil - o registo da vida na Terra - é possível entender e explicar a diversidade, a afinidade e a distribuição geográfica dos grupos biológicos actuais. Este tipo de estudo tornou-se viável, através dos trabalhos de Georges Cuvier, que mediante à aplicação das suas leis da Anatomia Comparada, comprovou o fenómeno da extinção e da sucessão biótica. Estas leis permitiram as reconstruções paleontolgocias dos organismos que frequentemente eram encontrados no registro fossilíffero somente de forma fragmentada, ou mesmo, apenas algumas partes fossilizadas. Desta maneira, os resultados dos trabalhos de Georges Cuvier, possibilitaram, posteriormente, a elaboração de sequencias evolutivas, que foram fundamentais para a defesa do evolucionismo.2 .

Com base no princípio de que "o presente é a chave do passado", enunciado por Charles Lyell, partindo do conhecimento dos seres vivos actuais e ainda do seu estudo biológico, é possível extrapolar-se muita informação sobre os organismos do passado, como o modo de vida, tipo trófico, de locomoção e de reprodução, entre outros, e isso é fundamental para o estudo e a compreensão dos fósseis.

A partir dos fósseis, uma vez que são vestígios de organismos de grupos biológicos do passado que surgiram e se extinguiram em épocas definidas da história da Terra, pode fazer-se a datação relativa das rochas em que ocorrem e estabelecer correlações (isto é, comparações cronológicas, temporais) entre rochas de locais distantes que apresentem o mesmo conteúdo fossilífero. O estudo dos fósseis e a sua utilização como indicadores de idade das rochas são imprescindíveis, por exemplo, para a prospecção e exploração de recursos geológicos tão importantes como o carvão e o petróleo.

Divisões

A Paleontologia divide-se, conceitualmente, em diversas áreas, como por exemplo a Paleobiologia, uma área que estuda os conceitos evolutivos e ecológicos e foca-se menos na identificação de fósseis.1 É no seio da Paleobiologia que se insere a Paleozoologia, o estudo dos fósseis de animais, e a Paleobotânica, o estudo dos fósseis de plantas.1 Basicamente, qualquer disciplina biológica aplicada aos organismos do passado geológico, por via do estudo dos fósseis, constitui uma subdisciplina paleobiológica: Paleoecologia (que estuda os ecossistemas do passado), Paleobiogeografia, Paleoanatomia, Paleoneurologia, Paleomastozoologia etc.

Outras disciplinas paleobiológicas transversais, que não estão limitadas a um dado grupo taxonómico, são, por exemplo:

Micropaleontologia- que estuda os fósseis de organismos ou parte deles que necessitam de microscópio para serem visualizados;1
Paleoicnologia - que estuda os vestígios fósseis, por exemplo, pegadas;1
Tafonomia - que ainda se divide em Bioestrationomia, Diagênese e Tectônica, estuda a integração da informação biológica no registo geológico, ou seja, a formação dos fósseis1 e das jazidas fossilíferas e do registo paleontológico;
Biocronologia - que estuda o desenvolvimento temporal (a cronologia) dos eventos paleobiológicos, bem como as relações temporais entre entidades paleobiológicas (os organismos do passado) e/ou tafonómicas (os fósseis);
Sistemática - que estuda a classificação de espécies fósseis.1
Ainda se faz uma subdivisão da Paleobotânica e da Micropaleontologia constituindo a Paleopalinologia, que se dedica ao estudo de pólen e esporos, importantes para a datação.1

Diferença da Arqueologia

Os arqueólogos diferenciam-se dos paleontólogos porque não trabalham com restos de seres vivos - é uma ciência social. Um arqueólogo estuda as culturas e os modos de vida humana do passado a partir da análise de vestígios materiais. Um paleontólogo, entre outras coisas, é um biólogo ou geólogo, e estuda restos ou vestígios de diversas formas de vida (animal, vegetal, etc.) através da análise do que restou delas e da sua actividade biológica: pisadas, coprólitos, bioturbações, fósseis ósseos, etc.

A paleontologia estuda todos os organismos que viveram na Terra, incluindo a evolução primata-homem, mas não o ser humano como o conhecemos hoje, pois o estudo e seguimento da vida antropo-cultural restringe-se a disciplinas ligadas à arqueologia, à paleoantropologia, à biologia e à medicina. Normalmente, a paleontologia estuda organismos mortos há mais de 11 000 anos; quando os vestígios ou restos possuem menos de 11 000 anos, podem ser denominados de subfósseis. De uma maneira muito simplificada, um paleontólogo estuda os restos ou vestígios de seres vivos desde o início da vida na Terra até hoje, incluindo os restos de hominídeos.

Cronologia

1796, França, Georges Cuvier, demonstra a ocorrência do fenómeno de extinção ao longo da história do Globo, ao analisar e comparar ossadas de elefantes viventes e de um mamute. Este trabalho tornar-se-ia possível, somente com a aplicação dos métodos da Anatomia Comparada que este naturalista havia formulado e e que permitiram as reconstruções paleontológicas.
1800, França, Lamarck, discursa sobre suas ideias evolucionistas comparando moluscos fósseis escavados da Bacia Sedimentar de Paris.
1812, França, Georges Cuvier, publica a sua grande obra de divulgação, "Recherches sur les Ossemens Fossiles" , onde reúne as suas ideias sobre extinção, sucessão biótica, correlação fossilífera (bioestratigrafia) e catastrofismo. Esta seria a obra que nortearia os trabalhos paleontológicos até a aceitação do evolucionismo.
1824, Reino Unido - A primeira espécie de dinossauro é descrita: Megalosaurus bucklandi, um carnívoro de 9 metros.
1825, Reino Unido - O segundo dinossauro é descrito. Chama-se Iguanodon bernissartensis. Ainda não havia a palavra "dinossauro" para nomear a família.
1833, Reino Unido - O terceiro dinossauro descrito é um herbívoro encouraçado, tratando-se do britânico Hylaeosaurus armatus.
1842, Reino Unido - Sir Richard Owen cunha a palavra "dinossauro" ("lagarto terrível") para agrupar animais como o Megalosaurus, o Iguanodon e o Hylaeosaurus.
1861, Alemanha - Foi descrito o fóssil da Archaeopteryx lithographica, considerada até então a mais antiga ave conhecida.
1902, Brasil - Em Santa Maria (Rio Grande do Sul) na paleorrota são recolhidos os restos de um Rincossauro, que foi o primeiro fóssil vertebrado da América do Sul.
1905, EUA - Tyrannosaurus rex é descrito, após os seus restos serem recolhidos no oeste norte-americano. Alguns especialistas ficaram tão espantados com o tamanho e a aparência deste carnívoro que colocaram o nome de "lagarto tirano rei"( tyranno = tirano, saurus = lagarto e rex = rei).
1915, Egipto - Paleontólogos europeus resgatam toneladas de fósseis de dinossauros. Um dos mais curiosos é o Spinosaurus aegyptiacus, dotado de longo focinho e vela dorsal. O material original — o mais completo já resgatado desta espécie — foi destruído durante a Segunda Guerra Mundial, num bombardeamento ao museu alemão onde estava guardado.
Década de 1940 e de 50, Brasil - Llewellyn Ivor Price assinala os primeiros fósseis de dinossauros encontrados em território brasileiro.

1969, EUA - John Ostrom, paleontólogo norte-americano, descreve um pequeno e ágil dinossauro carnívoro, o Deinonychus antirrophus. Ostrom encontrou incríveis semelhanças entre o Deinonychus e o Archaeopteryx, retomando a questão da afinidade entre aves e dinossauros.
1970, Brasil - O Estauricossauro é o primeiro dinossauro brasileiro e foi recolhido em Santa Maria no Sítio Paleontológico Jazigo Cinco, pelo paleontólogo Llewellyn Ivor Price, a região da paleorrota. É um dos mais antigos dinossauro saurischia.
1978, EUA - Centenas de fósseis de uma mesma espécie de dinossauro, juntamente com ninhos e filhotes recém-nascidos, são encontrados num vale. Os animais morreram juntos por conta de uma grande erupção vulcânica. O achado indica que algumas espécies viviam em grupos sociais e cuidavam de seus filhotes. Ganhou o nome de Maiasaura ("lagarto boa mãe").
1993, Argentina - O maior dinossauro descoberto até então é anunciado por paleontólogos argentinos: Argentinosaurus huinculensis. Estima-se que tenha ultrapassado os 35 m de comprimento e as 100 toneladas.
1995, Argentina - Paleontólogos argentinos descrevem o Giganotosaurus carolini, um carnívoro gigante, cujo tamanho ultrapassava o do próprio Tyrannosaurus rex.
1996, China - Paleontólogos chineses descrevem o Sinosauropteryx prima. Este pequeno carnívoro, encontrado em rochas de 135 milhões de anos, tinha em seus fósseis impressões de uma fina penugem.
1999, China - Outro importante dinossauro chinês é descrito: o Sinornithosaurus milenii. Era do grupo dos dromeossauros, ao qual pertencem o Velociraptor e o Deinonychus. O pequeno animal tinha o corpo coberto por penas. Pensou-se pela primeira vez na possibilidade de que os seus 'primos' também as tivessem.
2005, Alemanha - Um novo exemplar de Archaeopteryx é descrito por norte-americanos. A similaridade com o grupo dos dromeossauros demonstra que alguns dinossauros teriam sido ancestrais directos das aves.
2006, Brasil - Mais um dinossauro ancestral é descoberto: O Sacissauro. O nome é bem sugestivo, já que o dinossauro foi encontrado com uma perna. O Sacissaurus era carnívoro e o mais antigo dinossauro ornitísquio. Foi recolhido na Paleorrota.
2008, Brasil - Em Uberaba, Minas Gerais, foi descoberto o maior dinossauro brasileiro: Uberabatitan ribeiroi. A espécie descrita por Leonardo Salgado e Ismar Carvalho no Triângulo Mineiro poderia atingir os 20 metros de comprimento e pesar cerca de 16 toneladas.
Bibliografia

Silva, Carlos Marques da (2005). Exposição Plumas em Dinossáurios - Afinal nem todos se extinguiram - Guia do(a) Professor(a). Lisboa, Museu Nacional de História Natural - Universidade de Lisboa. 50pp. Disponível na internet em arquivo pdf..

López, Sixto Rafel Fernández (2000) - Temas de Tafonomía. Departamento de Paleontología, Universidad Complutense de Madrid, 167pp.

Carvalho, Ismar de Souza. Paleontologia. Volume 1, 2ª Edição. Rio de Janeiro: Editora Interciência, 2004. 1119pp. ISBN 85-7193-107-0

Referências

↑ a b c d e f g h Carvalho, Ismar de Souza. Paleontologia. Volume 1, 2ª Edição. Rio de Janeiro: Editora Interciência, 2004. ISBN 85-7193-107-0
↑ Faria, Felipe. Georges Cuvier: do estudo dos fósseis à paleontologia, 2012. [S.l.: s.n.], 2012. ISBN 978-85-7326-487-6

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