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Seleção natural



Seleção natural (AO 1945: Selecção natural) é um processo da evolução proposto por Charles Darwin para explicar a adaptação e especialização dos seres vivos conforme evidenciado pelo registro fóssil. Outros mecanismos de evolução incluem deriva genética, fluxo gênico e pressão de mutação.

O conceito básico de seleção natural é que características favoráveis que são hereditárias tornam-se mais comuns em gerações sucessivas de uma população de organismos que se reproduzem, e que características desfavoráveis que são hereditárias tornam-se menos comuns.

A seleção natural age no fenótipo, ou nas características observáveis de um organismo, de tal forma que indivíduos com fenótipos favoráveis têm mais chances de sobreviver e se reproduzir do que aqueles com fenótipos menos favoráveis.

Se esses fenótipos apresentam uma base genética, então o genótipo associado com o fenótipo favorável terá sua freqüência aumentada na geração seguinte. Com o passar do tempo, esse processo pode resultar em adaptações que especializarão organismos em nichos ecológicos particulares e pode resultar na emergência de novas espécies.

A seleção natural não distingue entre seleção ecológica e seleção sexual, na medida em que ela se refere às características, por exemplo, destreza de movimento, nas quais ambas podem atuar simultaneamente.

Se uma variação específica torna o descendente que a manifesta mais apto à sobrevivência e à reprodução bem sucedida, esse descendente e sua prole terão mais chances de sobreviver do que os descendentes sem essa variação.

As características originais, bem como as variações que são inadequadas dentro do ponto de vista da adaptação,deverão desaparecer conforme os descendentes que as possuem sejam substituídos pelos parentes mais bem sucedidos.

Assim, certas caraterísticas são preservadas devido à vantagem seletiva que conferem a seus portadores, permitindo que um indivíduo deixe mais descendentes que os indivíduos sem essas características.

Eventualmente, através de várias interações desses processos, os organismos podem acabar desenvolvendo características adaptativas mais e mais complexas.

Índice

1 Princípios gerais
1.1 Nomenclatura e uso
2 Mecanismos da seleção natural
3 Um exemplo: resistência a antibióticos
4 Alcance da seleção natural
5 Desenvolvimento histórico
5.1 Teorias pré-darwinianas
5.2 Hipótese de Darwin
5.3 Síntese evolutiva moderna
5.4 Conversão gênica enviesada
6 Impacto da teoria


Princípios gerais


Apesar do avanços da pesquisa ainda existem muitas espécies desconhecidas.
A seleção natural age sobre o fenótipo.

O fenótipo é determinado por um trecho genômico do indivíduo, conhecido como genótipo e também pelo ambiente em que o organismo vive, e as interações entre os genes e o ambiente.

Freqüentemente, a seleção natural age em características específicas de um indivíduo e os termos fenótipo e genótipo são algumas vezes usados especificamente para indicar essas características específicas.

A maioria das características são influenciadas pelas interações de muitos genes, mas algumas características são governadas por um único gene nos moldes das Leis de Mendel. Variações que ocorram em um de muitos genes que contribuem para uma característica podem ter somente pequenos efeitos no fenótipo, produzindo um continuum de valores fenótipicos possíveis; o estudo desses padrões de hereditariedade tão complexos é chamado de genética quantitativa.1

Quando organismos morrem em todos os lugares do mundo diferentes em uma população possuem genes diferentes para a mesma característica, essas variações genéticas são denominadas de alelos.

Quando todos os organismos em uma população compartilham o mesmo alelo para uma característica particular, e esse estado apresente-se estável ao longo do tempo, se diz que os alelos se fixaram naquela população. É essa variação genética que destaca características fenotípicas; um exemplo comum é a de que certas combinações de genes para cor dos olhos em humanos correspondem a genótipos que originam o fenótipo dos olhos azuis.

Nomenclatura e uso

O termo "seleção natural" apresenta pequenas diferenças de definições em contextos diferentes. Em termos simples, "seleção natural" é mais freqüentemente definida como operando em características hereditárias, mas pode algumas vezes referir-se a diferenciais no sucesso reprodutivo de fenótipos independente se esses fenótipos são hereditários.

A seleção natural é "cega" no sentido de que o nível de sucesso reprodutivo é uma função do fenótipo e não se ou até que âmbito aquele fenótipo é hereditário; seguindo o uso inicial feito por Darwin2 O termo é freqüentemente usado para se referir tanto às conseqüências da seleção cega quanto aos seus mecanismos.3 É algumas vezes útil explicitar as diferenças entre mecanismos da seleção e seus efeitos; quando essa distinção é importante, cientistas definem "seleção natural" especificamente como "aqueles mecanismos que contribuem para a seleção de indivíduos que se reproduzem," sem se importar se a base da seleção é hereditária. Isso é algumas vezes referido como 'seleção natural fenotípica'.4

Características que causam um maior sucesso reprodutivo de um organismo são consideradas como "selecionadas a favor" enquanto aquelas que reduzem o sucesso são "selecionadas contra". "Selecionar a favor" uma característica pode resultar na "seleção contra" de outras características correlacionadas que não influenciam diretamente a aptidão do organismo.

Isso também pode ocorrer como um resultado de pleiotropia ou ligação genética.5

Mecanismos da seleção natural

O que faz com que uma característica tenha mais probabilidade de permitir a sobrevivência de seu portador depende muito de fatores ambientais, incluindo predadores da espécie, fontes de alimentos, estresse abiótico, ambiente físico e assim por diante.

Quando membros de uma espécie tornam-se geograficamente separados, enfrentam diferentes ambientes e tendem a evoluir em diferentes direções - evolução divergente.

Após um longo tempo, essas características poderão ter se desenvolvido em diferentes vias de tal modo que eles não poderão mais se intercruzar, em um ponto que serão considerados como de espécies distintas. Essa é a razão de uma espécie, por vezes, separar-se em múltiplas espécies, em vez de simplesmente ser substituída por uma nova (a partir disso Darwin sugeriu que todas as espécies atuais evoluíram de um ancestral em comum).

Além disso, alguns cientistas especulam que uma adaptação que pode permitir ao organismo ser mais adaptável no futuro tende a se espalhar mesmo que não proporcione nenhuma vantagem específica a curto prazo.

Descendentes desses organismos serão mais variados e assim mais resistentes à extinção por catástrofes ambientais e eventos de extinção.

Isso foi proposto como um dos motivos para o surgimento dos Mammalia.

Embora essa forma de seleção seja possível (ainda que altamente discutível), ela deve desempenhar um papel mais importante nos casos em que a seleção por adaptação é contínua. Por exemplo, na hipótese da Rainha de Copas, sugere-se que o sexo deve ter evoluído de modo a auxiliar os organismos a se adaptarem contra parasitas.

A seleção natural pode ser expressa como a seguinte lei geral (tirada da conclusão de A Origem das Espécies):

SE há organismos que se reproduzem e...
SE os descendentes herdam as características de seus progenitores e...
SE há variação nas características e...
SE o ambiente não suporta todos os membros de uma população em crescimento,
ENTÃO aqueles membros da população com características menos adaptativas (de acordo com o ambiente) morrerão e...
ENTÃO aqueles membros com características mais adaptativas (de acordo com o ambiente) prosperarão.
O resultado é a evolução das espécies.

Deve ser observado que isso é um processo contínuo — ela explica como as espécies mudam e pode explicar tanto a extinção quanto o surgimento de novas espécies.

Um exemplo: resistência a antibióticos


Representação esquemática de como resistência antibiótica é aumentada por seleção natural. A sessão superior representa uma população de bactérias antes de serem expostas a antibióticos. A sessão do meio mostra a população diretamente exposta, a fase em que a seleção ocorre. A última sessão mostra a distribuição da resistência em uma nova geração de bactérias. A legenda indica os níveis de resistência dos indivíduos.
Um exemplo bem conhecido da seleção natural em ação é o desenvolvimento de resistência a antibióticos em microorganismos. Antibióticos vem sendo usados para lutar contra doenças provocadas por bactérias desde a descoberta da penicilina por Alexander Fleming em 1928.

Populações naturais de bactérias contêm, entre seus vastos números de membros individuais, considerável variação em seu material genético, primeiramente um resultado de mutações. Quando expostas a antibióticos, a maioria das bactérias morre rapidamente, mas algumas podem possuir mutações que as fazem ser um pouco menos suscetíveis aos efeitos dos antibióticos.

Se a exposição aos antibióticos for curta, esses indivíduos irão sobreviver ao tratamento. Essa eliminação seletiva de indivíduos mal-adaptados de uma população é seleção natural.

Essas bactérias sobreviventes irão se reproduzir novamente, produzindo a próxima geração. Devido à eliminação dos indivíduos mal-adaptados na geração anterior, essa população conterá mais bactérias que apresentam algum tipo de resistência contra os antibióticos. Ao mesmo tempo, novas mutações ocorrem, contribuindo com novas variações genéticas às já existentes variações genéticas.

Mutações espontâneas são raras, e mutações vantajosas são ainda mais raras.

Entretanto, populações de bactéria são grandes o suficiente para que alguns indivíduos apresentem mutações benéficas. Se uma nova mutação reduz a suscetibilidade a um antibiótico, esses indivíduos têm mais chance de sobreviver quando novamente confrontados com antibióticos.

Dado tempo suficiente, e repetidas exposições ao antibiótico, uma população de bactérias resistentes a antibióticos terá emergido.

O uso (e mau uso) indiscriminado de antibióticos tem resultado em um aumento na resistência microbial a antibióticos no uso clínico, ao ponto de que a Staphylococcus aureus resistente à meticilina (SARM) tem sido descrita como multirresistente devido à ameaça que ele apresenta para a saúde e sua relativa invulnerabilidade às drogas existentes.6 Respostas estratégicas tipicamente incluem o uso de antibióticos diferentes, e mais resistentes; entretanto, novas variantes da SARM recentemente emergiram e são resistentes até a essas drogas.7 Isso é um exemplo do que veio a ser conhecido como corrida armamentista evolucionária, na qual uma bactéria continua desenvolvendo variantes que são menos suscetíveis a antibióticos, enquanto pesquisadores médicos continuam desenvolvendo novos antibióticos que podem matá-las. Uma situação similar ocorre com a resistência a pesticidas em plantas e insetos.

Corridas armamentistas não são necessariamente induzidas pelo homem; um exemplo bem documentado envolve a elaboração dos caminhos para o Rna de Interferência em plantas como um meio de imunidade inata contra vírus.

Alcance da seleção natural

Darwin esboçou sua teoria primeiramente em dois manuscritos não publicados escritos em 1842 e 1844, sendo mais completamente desenvolvido em A Origem das Espécies, em especial, Capítulo 4, ou seja, A seleção natural ou a perseverança do mais capaz. Nesse capítulo ele escreveu:

Pode-se dizer que a seleção natural realiza seu escrutínio dia a dia, hora a hora, pelo mundo, de qualquer variação, mesmo as mais sutis; rejeitando aquelas que são ruins e preservando e fazendo prosperar todas as que são boas; trabalhando silenciosa e imperceptivelmente, onde e quando surgir a oportunidade na melhora de cada ser orgânico em relação a suas condições orgânicas e inorgânicas de vida. Não vemos nada desse lento progresso, até que os ponteiros do relógio das eras tenham marcado um longo lapso de tempo e assim tão imperfeita é a nossa visão sobre o profundo passo das eras geológicas que tudo o que podemos ver é que as formas de vida são agora diferentes daquelas que existiam antes.
Darwin termina seu livro com uma passagem frequentemente citada: "Há grandiosidade nesse modo de ver a vida, com suas diversas forças, tendo surgido a partir de umas poucas formas de vida ou de uma única; e que, enquanto este planeta tem orbitado de acordo com as leis fixas da gravidade, de um início tão simples infinitas formas mais belas e maravilhosas evoluíram, e continuam a evoluir."

Desenvolvimento histórico

Teorias pré-darwinianas


A teoria moderna da seleção natural deriva do trabalho de Charles Darwin, no século XIX.
Vários filósofos antigos expressaram a ideia de que a Natureza produzia uma grande variedade de criaturas, aparentemente de forma aleatória, e que somente as criaturas que conseguiam prover-se e reproduzir-se com sucesso sobreviveriam; exemplos bem conhecidos incluem Empédocles8 e seu sucessor intelectual Lucrécio9 , enquanto ideias relacionadas foram posteriormente refinadas por Aristóteles10 .

Outro componente importante da seleção natural, a luta pela sobrevivência, foi primeiramente descrita por al-Jahiz no século IX.11 12 Tal argumento clássico foi re-introduzido no século XVIII por Pierre Louis Maupertuis13 e outros, incluindo o avô de Charles Darwin, Erasmus Darwin. Entretanto, esses precursores tiveram pouca influência na trajetória do pensamento evolucionário depois de Charles Darwin.

Até o início do século XIX, a visão predominante nas sociedades ocidentais era de que diferenças entre indivíduos de uma espécie era um afastamento desinteressante do Ideal platônico (ou typos) de tipos criados. Entretanto, a teoria do uniformitarismo na geologia promovia a ideia de que forças simples e fracas poderiam atuar constantemente por longos períodos de tempo para produzir mudanças radicais na paisagem da Terra; o sucesso dessa teoria chamou à atenção a vasta escala de tempo geológico e tornou plausível a ideia de que pequenas, virtualmente imperceptíveis mudanças em sucessivas gerações poderiam produzir conseqüências na escala de diferenças entre as espécies. O evolucionista do início do século XIX, Jean-Baptiste Lamarck sugeriu a hereditariedade de caracteres adquiridos como um mecanismo para a mudança evolucionária; características adaptativas adquiridas por um organismo durante sua vida poderiam ser herdadas pela progênie do organismo, causando uma transmutação de espécies.14 Essa teoria veio a ser conhecida como Lamarckismo e foi uma influência nas ideías não-genéticas do biólogo soviético stalinista Trofim Lysenko.15

Hipótese de Darwin

Entre 1832 e 1844, Charles Darwin esboçou sua teoria da evolução por meios de seleção natural como uma explicação para a adaptação e especiação. Ele definiu a seleção natural como um "princípio no qual cada pequena variação [ou característica], se benéfica, é preservada".16 O conceito era simples mas poderoso: indivíduos mais aptos ao ambiente têm mais chances de sobreviver e reproduzir-se17 E enquanto existir algum tipo de variação entre eles, ocorrerá uma inevitável seleção de indivíduos com as variações mais vantajosas.

Se as variações são hereditárias, um diferencial no sucesso reprodutivo irá acarretar uma evolução progressiva de uma dada população particular de uma espécie, e populações que evoluem ficando suficientemente diferentes, podendo acabar se tornando espécies diferentes.

As ideias de Darwin foram inspiradas pelas observações que ele havia feito na Viagem do Beagle, e pelas teorias econômicas de Thomas Malthus, que notou que a população (se não supervisionada) crescia exponencialmente enquanto que o suprimento de comida só crescia linearmente; logo limitações inevitáveis de recursos acarretariam implicações demográficas, levando a uma "luta pela sobrevivência", na qual somente o mais apto sobreviveria.

Uma vez que a teoria foi formulada, Darwin foi meticuloso em arregimentar e refinar evidências, compartilhando suas ideias somente com poucos amigos; ele foi inspirado a publicar suas ideias depois que o jovem naturalista Alfred Russel Wallace concebeu independentemente o princípio (de seleção natural) e o descreveu em uma carta para Darwin. Os dois resolveram apresentar dois pequenos ensaios a Sociedade Linneana anunciando uma co-descoberta do princípio em 1858;18 Darwin publicou um relato mais detalhado de suas evidências e conclusões em seu A Origem das Espécies de 1859.

Na sexta edição da Origem das Espécies Darwin reconheceu que outros - notavelmente William Charles Wells em 1813, e Patrick Matthew em 1831 – que haviam desenvolvido teorias similares, mas não as haviam apresentado completamente em publicações científicas notáveis.

Darwin pensava na seleção natural por uma analogia com a maneira pela qual os fazendeiros selecionavam sua plantação ou seu gado para reprodução, o que ele chamava de seleção artificial; em seus primeiros manuscritos ele se referia a uma 'Natureza' que iria fazer a seleção. Naquela época, outros mecanismos de evolução como evolução por deriva genética não haviam ainda sido explicitamente formulados, e Darwin percebeu que a seleção era somente uma parte da história: "Eu estou convencido que [isso] tem sido o principal, mas não o meio exclusivo das modificações"19 Para Darwin e seus contemporâneos, a seleção natural eram essencialmente sinônimo a evolução por seleção natural. Após a publicação da "A Origem das Espécies", pessoas instruídas geralmente aceitavam que a evolução havia ocorrido de alguma forma.

Entretanto, a seleção natural permaneceu um mecanismo controverso, parcialmente porque era visto como muito fraco para explicar todo o escopo das características observadas nos organismos vivos, e parcialmente porque até os que apoiavam a evolução frustravam-se com a sua natureza não-guiada e não-progressiva,20 uma resposta que tem sido caracterizada como o principal impedimento para a aceitação da ideia.21 Entretanto, alguns pensadores entusiasticamente abraçaram o Darwinismo; após ler Darwin, Herbert Spencer introduziu o termo sobrevivência dos mais aptos, que se tornou um resumo popular da teoria. Embora a frase ainda seja usada por não-biólogos, biólogos modernos evitam-na devido a sua tautologia, se aptos for interpretado como algum tipo de funcionalidade superior e também porque é aplicada a indivíduos ao invés de ser considerada como uma quantidade média sobre as populações.22 Em uma carta a Charles Lyell em setembro de 1860, Darwin arrepende-se de usar o termo 'Seleção Natural', preferindo o termo 'Preservação Natural'.23

Síntese evolutiva moderna

Somente após a integração de uma teoria da evolução com uma complexa apreciação estatística das leis (redescobertas) de hereditariedade de Mendel foi que a seleção natural se tornou geralmente aceita por cientistas. O trabalho de Ronald Fisher (que desenvolveu a linguagem matemática e a seleção natural nos termos essenciais dos processos genéticos)3 , J. B. S. Haldane (que introduziu o conceito de 'custo' da seleção natural)24 , Sewall Wright (que elucidou a natureza da seleção e da adaptação)25 , Theodosius Dobzhansky (que estabeleceu a ideia de que mutações, ao criarem diversidade genética, supriam o material bruto para a seleção natural)26 , William Hamilton (que concebeu a seleção parentada), Ernst Mayr (que reconheceu a importância chave do isolamento reprodutivo para a especiação)27 e de muitos outros formou a síntese evolucionária moderna, cimentando a seleção natural como a fundação da teoria evolucionária, o que permanece até hoje.

Darwin observou vários fatos, na viagem que fez em 1835, para Arquipélago de Galápagos.Ficou impressionado com a variedades de seres vivos e observou que a vida estava sempre evoluindo, e mudando ,originando essa grande variedade.Depois de 20 anos estudando sua anotações e amostras, observou que havia variações entre as populações de uma mesma espécie,nas diferentes ilhas , e que as condições do ambiente de cada ilha também variavam.Alguns exemplos são as tartarugas da Ilhas Espanõla , Pinta e ilhas mais áridas , que para se alimentarem de diferentes tipos de plantas, de suas respectivas ilhas têm um diferente formato da carapaça,  : As tartarugas habitantes das Ilhas Espanõla e Pinta apresentam, logo acima do pesoço, projeções mais elevadas em suas carapaças (com formato de sela).

Já, nas ilhas mais áridas, as tartarugas não apresentam essa projeções, alimentando-se de plantas mais baixas.

Conversão gênica enviesada

Recentemente, pesquisas conduzidas por um grupo de cientistas na Universidade de Uppsala, comparando o genoma humano com os de outros primatas, sugerem a existência de um processo que, ao contrário da seleção natural, não privilegiaria as mutações genéticas por seu benefício adaptativo.28

Este processo, denominado BGC (do ingês Biased genic conversion Conversão gênica enviesada), seria o responsável pela aceleração na evolução de determinados genes em detrimento de outros, independentemente de serem benéficos ou não, contrariando a visão darwinista tradicional.28

Impacto da teoria

Talvez a proposta mais radical da teoria de Darwin da evolução por seleção natural seja que "formas elaboradamente construídas, tão diferentes umas das outras, e interdependentes de uma forma tão complexa" evoluíram a partir das formas mais simples de vida por uns poucos princípios simples. Essa proposta fundamental inspirou alguns dos mais ardorosos defensores — e provocou a mais profunda oposição.

Em seu modelo explicativo, a seleção natural não precisa de uma intervenção divina como variável independente, o que provoca reação de diversos grupos religiosos.

Além disso, muitas teorias de Seleção artificial foram propostas sugerindo que os fatores de aptidão econômica e social atribuídos por outros seres humanos ou por seu ambiente construído são de certa forma biológicos ou inevitáveis - Darwinismo social.

Outros sustentam que houve uma evolução de sociedades análoga àquela das espécies. As ideias de Darwin, juntamente com as de Freud, Adam Smith e Marx, são consideradas por muitos historiadores como tendo uma profunda influência no pensamento do século XIX e desafiado as escolas de pensamento racionalista e o fundamentalismo religioso que prevaleciam na Europa.

Parte da série sobre Biologia
Evolução
Image of the tree of life showing genome size.
Mecanismos e Processos
Adaptação
Deriva genética
Fluxo gênico
Mutação
Seleção natural
Especiação

Pesquisa e história
Introdução
Evidência
História evolutiva da vida
História
Síntese moderna
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Cladística
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Evolução humana
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Espécie - 1 Conceito multidimensional de espécie 2 Evolução do conceito de Espécie 3 Conceitos de espécie 3.1 Espécies tipológicas 3.2 Espécies biológicas 3.3 Espécies evolutivas 3.4 Espécies filogenéticas (cladísticas) 3.5 Espécies de genealogia 3.6 Espécies de coesão 3.7 Espécies ecológicas 3.8 Espécies de reconhecimento 3.9 Espécies fenéticas 4 Formação de híbridos


A estrutura hierárquica da classificação científica usada em biologia.
Espécie (do latim: species, "tipo" ou "aparência"; abreviado: "spec." ou "sp." singular, ou "spp." plural), é um conceito fundamental da Biologia que designa a unidade básica do sistema taxonómico utilizado na classificação científica dos seres vivos. Embora existam múltiplas definições, nenhuma delas consensual1 , o conceito estrutura-se em torno da constituição de agrupamentos de indivíduos (os espécimes) com profundas semelhanças estruturais e funcionais recíprocas, resultantes da partilha de um cariótipo idêntico, expresso numa estrutura cromossómica das células diplóides similar, que lhes confere acentuada uniformidade bioquímica e a capacidade de reprodução entre si, originando descendentes férteis e com o mesmo quadro geral de caracteres2 , num processo que, quando envolva um organismo sexuado, deve permitir descendentes férteis de ambos os sexos.3 Apesar de terem sido propostas múltiplas definições mais precisas, a dificuldade em encontrar uma definição universal para o conceito levou ao aparecimento do chamado problema da espécie1 4 e à adopção de formulações flexíveis utilizadas de forma pragmática em função das especificidades do grupo biológico a que o conceito é aplicado.

Índice

1 Conceito multidimensional de espécie
2 Evolução do conceito de Espécie
3 Conceitos de espécie
3.1 Espécies tipológicas
3.2 Espécies biológicas
3.3 Espécies evolutivas
3.4 Espécies filogenéticas (cladísticas)
3.5 Espécies de genealogia
3.6 Espécies de coesão
3.7 Espécies ecológicas
3.8 Espécies de reconhecimento
3.9 Espécies fenéticas
4 Formação de híbridos


Conceito multidimensional de espécie

O conceito de espécie mais comum é o conceito biológico de espécie proposto por Theodosius Dobzhansky e Ernst Mayr que se traduz por: Espécies são grupos de populações naturais que estão ou têm o potencial de estar se intercruzando, e que estão reprodutivamente isolados de outros grupos. Daí resulta que a espécie será o conjunto de indivíduos que partilham o mesmo fundo génico, morfologicamente semelhantes e capazes de se cruzarem entre si em condições naturais, estando isoladas reprodutivamente de outros grupos semelhantes, com os quais, quando se cruzam, não originam indivíduos férteis.3 5

Do ponto de vista estritamente sistemático ou da taxonomia, é a hierarquia compreendida entre o género (ou o subgénero, se existir) e a variedade (ou, seja caso, a subespécie), correspondendo a cada um dos grupos em que se dividem os géneros, formando agrupamentos compostos por indivíduos que, para além dos caracteres genéticos, têm em comum outros caracteres pelos quais se assemelham entre si e se distinguem das demais espécies. Aplicando este conceito, indivíduos de espécies diferentes não se cruzam por falta de condições anatómicas ou por desinteresse sexual. Quando se cruzam, ou não geram descendentes, porque os seus cromossomas não formam pares, ou, quando os geram, produzem híbridos estéreis.

Existem catalogadas 1.750.000 (arredondando) espécies, mas estima-se que na Terra já tenham existido mais de 1.000.000.000 de espécies.

Evolução do conceito de Espécie

O conceito de espécie desde que foi criado vem sendo alterado sempre que se melhoram os conhecimentos e surge alguma inconsistência em relação ao conceito anterior.6

O primeiro conceito dizia que espécie é o conjunto de indivíduos semelhantes. No entanto este conceito caiu, pois verificava-se que existiam muitas espécies em que os indivíduos eram semelhantes mas não pertenciam à mesma espécie (Ex.: gorila e orangotango; burro e cavalo; chimpanzé e bonobo, etc.).

Foi então acrescentado à definição de espécie, que para além ser o conjunto de indivíduos semelhantes, eles se conseguiam cruzar (reproduzir) entre si. Mas mais uma vez esta definição acabou por ser considerada insuficiente quando se verificava que indivíduos de algumas espécies diferentes se conseguiam cruzar entre si dando origem a descendentes (Ex.: burro e cavalo → mula/macho; tigre e leão → Ligre/Tigreão7 , etc.).

Acrescentou-se então que para além ser o conjunto de indivíduos semelhantes que se cruzam (reproduzem) entre si, têm que dar origem a descendentes férteis. Mas de novo apareceram algumas excepções a esta definição, pois algumas espécies diferentes, não só se cruzavam como davam origem a descendentes férteis (tigre e leão → Ligre/Tigreão) embora machos sejam estéreis as fêmeas são férteis; urso polar e urso pardo dão origem a descendentes férteis, etc.).

Ora bem, apesar de algumas espécies diferentes se poderem cruzar entre si e darem origem a descendentes férteis, não vivem naturalmente na mesma região geográfica e por isso nunca se encontrariam em condições naturais, logo esta premissa foi acrescentada à definição de espécie, chegando-se à seguinte definição: Espécie é o grupo de indivíduos semelhantes que se cruzam (reproduzem) entre si, dando origem a descendentes férteis e vivem na mesma região geográfica.8

No entanto existem algumas espécies, embora poucas, que não respeitam esta última premissa pois são cosmopolitas, como por exemplo o ser humano (embora em grande parte das regiões geográficas em que vive o faça graças a adaptações artificiais), o pardal ou o rato.

No que se refere à botânica, o conceito de espécie encontra-se grandemente desafiado pois não somente muitas espécies da família Orchidaceae coexistem na mesma região, e são capazes de cruzar naturalmente ajudadas pelas actividades dos insectos polinizadores, como também acontece com espécies pertencentes até mesmo a géneros diferentes de uma mesma subtribo.

Conceitos de espécie


No século XIX, o naturalista britânico Charles Darwin provocou um debate sobre o conceito de espécie.
A questão de como melhor definir "espécie" tem ocupado os biólogos por séculos, e o próprio debate tornou-se conhecido como o problema das espécies. Darwin escreveu no capítulo II do A Origem das Espécies:

Nenhuma definição satisfaz a todos os naturalistas, todavia cada naturalista sabe vagamente o que ele quer dizer quando fala de uma espécie. Geralmente, o termo inclui o elemento desconhecido de um ato de criação distinto.9
Mas depois, em seu livro A Descendência do Homem e Seleção em Relação ao Sexo, ao abordar "A questão de saber se a humanidade é constituída de uma ou várias espécies", Darwin revisou sua opinião a dizer:

é um esforço inútil decidir esse ponto em fundamentos sólidos, até que uma definição do termo "espécie" seja geralmente aceita; e a definição não deve incluir um elemento que não possa ser determinado, como um ato de criação.10
A moderna teoria da evolução depende de uma redefinição fundamental de "espécie". Antes de Darwin, os naturalistas viam espécies como tipos ideais ou geral, que podia ser exemplificado por um espécime ideal tendo todas as características gerais da espécie. As teorias de Darwin deslocaram a atenção da uniformidade para a variação e do geral para o particular.

Em termos práticos, os biólogos definem espécies como populações de organismos que possuem um nível elevado de semelhança genética. Isto pode reflectir uma adaptação ao mesmo nicho, bem como a transferência de material genético de um indivíduo para outro, através de uma variedade de meios possíveis. O nível exato de similaridade usado ​​em tal definição é arbitrário, mas esta é a definição usada mais comum para organismos que se reproduzem assexuadamente (reprodução assexuada), como algumas plantas e microorganismos.



Espécies tipológicas

Um grupo de organismos em que os indivíduos são membros da espécie se suficientemente em conformidade com certas propriedades fixas ou "direitos de passagem". Os clusters de variações ou fenótipos dentro dos espécimes (ou seja, caudas mais longas ou mais curtas) iria diferenciar as espécies. Este método foi usado como um método "clássico" para determinar as espécies, como em Linnaeus e outros taxonomistas11 no início da teoria da evolução. No entanto, agora sabemos que diferentes fenótipos nem sempre constituem espécies diferentes (por exemplo: a Drosophila com quatro asas nascida de uma mãe com duas asas não é uma espécie diferente). Espécies nomeadas desta forma são chamadas de morfoespécies.12

Espécies biológicas

O conceito biológico de espécie define as espécies em termos de intercruzamento. Este conceito foi fortemente apoiado pelos fundadores da moderna síntese como Mayr, Dobzhansky e Huxley.13 14 Mayr o define como: espécies são grupos de populações naturais realmente ou potencialmente intercruzantes que são reprodutivamente isoladas de outros grupos tais como este.11 15

Espécies evolutivas

Uma única linhagem evolutiva de organismos em que genes podem ser compartilhados, e que mantém a sua integridade em relação a outras linhagens no tempo e espaço.11 Em algum ponto na evolução de um grupo, alguns membros podem divergir da população principal e evoluir para uma subespécie, um processo que pode levar à formação de uma nova espécie se o isolamento (geográfico ou ecológico) é mantido. Uma espécie que dá origem a outra espécie é uma espécie parafilética, ou paraespecie.16

Espécies filogenéticas (cladísticas)

Um grupo de organismos que compartilham um ancestral;17 uma linhagem que mantém a sua integridade com respeito a outras linhagens através de tanto tempo quanto espaço. Em algum ponto no progresso de um grupo, os membros podem divergir um do outro: quando tal divergência torna-se suficientemente clara, as duas populações são consideradas espécies distintas. Isso é diferente de espécies evolutivas em que a espécie mãe se extingue taxonomicamente quando uma nova espécie evoluí, as populações mãe e filha se formando agora duas novas espécies.18 Uma espécie filogenético é um cluster (basal) irredutível de organismos que é diagnosticavelmente distinto a partir de outros tais clusters, e dentro do qual existe um padrão parental de ancestralidade e descendência.11

Espécies de genealogia

Espécies são grupos de organismos "exclusivos", onde um grupo exclusivo é aquele cujos membros são todos mais estreitamente relacionados entre si do que para qualquer organismo fora do grupo.11 Ou seja, que as espécies devem ser definidas quando um consenso entre genealogias de genes múltiplos indica recíproca monofilia. Os críticos argumentam que essa idéia tem muitos problemas em comum com outros conceitos de monofilia das espécies.19

Espécies de coesão

População de indivíduos mais inclusiva que possuem o potencial para a coesão fenotípica através de mecanismos de coesão intrínsecas.20 Este conceito foi proposto por Alan R. Templeton e combina um número de conceitos de espécies competitivos. Funde idéias sobre os conceitos de espécies ecológicos, genealógicos e de reconhecimento.19 Esta é uma expansão do conceito de espécies de reconhecimento de acasalandos por permitir mecanismos de isolamento pós acasalamento; não importa se as populações podem hibridizar com êxito, elas ainda são espécies de coesão distintas se a quantidade de hibridação é insuficiente para misturar completamente seus pools de genes respectivos.

Espécies ecológicas

As espécies são definidas por seus nichos ecológicos. Ou seja, um conjunto de organismos adaptados a um conjunto particular de recursos, chamado um nicho, no meio ambiente. De acordo com este conceito, as populações formam os clusters fenéticos discretos que reconhecemos como espécies porque os processos ecológicos e evolutivos que controlam como os recursos são divididos tendem a produzir esses clusters. 13

Espécies de reconhecimento

Uma espécie é a população mais abrangente de cada um dos organismos biparentais que compartilham um sistema de fertilização comum.11 Com base na partilha de sistemas reprodutivos, incluindo o comportamento de acasalamento. O conceito de Reconhecimento de espécies, foi introduzido por Hugh EH Paterson,20 depois de um trabalho anterior por Wilhelm Petersen. O evento crucial para a origem de uma nova espécie, de acordo com Paterson, é a evolução de um novo sistema de reconhecimento de acasalandos.13

Espécies fenéticas

O conceito de espécie fenética aplica a classificação fenética à categoria das espécies.13 Ou seja, é uma classificação baseada em fenótipos no qual uma espécie é um conjunto de organismos que se assemelham um com o outro e que são distintos de outros conjuntos.13 Nem sempre a classificação fenética concorda com a filogenética. Por exemplo, no caso dos animais vaca, peixe pulmonado e salmão, pela classificação fenética, os peixes estão mais próximos entre si, ao passo que na classificação filogenética, a vaca e o peixe pulmonado estão mais próximos entre si.21

Formação de híbridos


Um ligre é um híbrido originado do cruzamento de um leão com uma tigresa.
Criadores e sitiantes sabem que a mula (exemplar fêmea) e o mú ou macho (exemplar macho) são híbridos estéreis que apresentam grande força e resistência. São o produto do acasalamento do burro (Equus asinus) (2n = 62 cromossomas) com a égua (Equus cabalus)(2n = 64 cromossomas). As mulas têm 2n = 63 cromossomas,22 porque são resultantes da união de espermatozóide com n = 31 cromossomas e óvulo com n = 32 cromossomas.

Considerando os eventos da meiose I para a produção de gametas, o mú e a mula são estéreis. Os cromossomas são de duas espécies diferentes e, portanto, não ocorre pareamento dos chamados cromossomos homólogos, impossibilitando a meiose e a gametogénese.

Por conseguinte não existe a espécie "mula" porque mús (machos) e mulas são estéreis e não se reproduzem: por não se reproduzirem não se enquadram na definição de espécie.

Outro exemplo de indivíduos originados pelo cruzamento entre espécies diferentes é o ligre, cujos machos são estéreis mas as fêmeas são férteis, produzido pelo cruzamento entre um leão e uma tigresa.23

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Progenitor


Tanto no sentido geral, como biológico, designam-se por progenitores os dois seres que deram origem a um ou vários descendentes através dum processo reprodutivo.

Em geral, esses dois progenitores são o macho e a fêmea, normalmente designados por pai e mãe, principalmente no caso dos seres humanos.

Não confundamos genitor com progenitor. O genitor é aquele que gera, o pai. E progenitor é o pai que gerou antes, ou seja, que gerou o genitor. Meu pai é meu genitor. E meu progenitor é o meu avô.

No entanto, nos casos de seres vivos com sexo indiferenciado, como os fungos ou as bactérias, os progenitores podem ser indivíduos semelhantes na forma que se conjugam para dar origem a um (ou mais) novo(s) indivíduo(s).

No caso das plantas, os progenitores são a planta que suporta o zigoto, ou seja, o óvulo fecundado - que nas plantas com flores vai dar origem ao fruto - e outra planta que produziu o gâmeta masculino (que, nas plantas com flores se chama anterídeo e é transportado por um grão de pólen).
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Dispersão biológica


Em biologia chama-se dispersão ao conjunto dos processos que possibilitam a fixação de indivíduos de uma espécie num local diferente daquele onde viviam os seus progenitores.Todos os organismos na natureza são encontrados em determinados locais por que eles se deslocaram até lá partindo de um centro de origem. É considerado natural que logo após o nascimento, seja de uma planta ou de um animal, haja o deslocamento do recém-nascido para longe de seus pais. Alguns animais podem se locomover apenas durante certo período de sua vida, permanecendo sésseis no restante dela, outros tendem a mudar de localização no espaço a qualquer momento. A distribuição de cada táxon reflete a história do local de origem, da dispersão e da extinção local, remontando assim a própria origem da vida.1

Qualquer “conseqüência” evolutiva é, naturalmente, força seletiva potencialmente importante favorecendo padrões específicos de dispersão ou a tendência de se dispersar. A seleção natural geralmente favorece aos indivíduos que se movem a curtas distâncias de seu local de nascimento. A escolha de um novo local provavelmente será mais vantajoso para ele, já que permanecer no lugar onde nasceu poderá levar a problemas com as mudanças ambientais onde a espécie estaria mais adaptada a sobreviver e, a um aumento da competição intra-específica entre pais, filhos e irmãos. Quando há um aumento da distancia entre o sítio natal e o local de dispersão, a tendência é que a probabilidade de sobrevivência diminua, devido a diferenças dos habitats.2

Uma espécie que busca expandir sua distribuição com sucesso, precisa ser capaz de se deslocar para novas áreas, resistir a condições ambientais desfavoráveis durante essa passagem e por último conseguir estabelecer populações viáveis em seu local de chegada.3



Índice

1 Variação na dispersão dentro de populações
1.1 Polimorfismo de dispersão
1.2 Diferenças relacionadas ao sexo
1.3 Diferenças relacionadas à idade
2 Padrões de migração
2.1 Salto de dispersão
2.2 Difusão
2.3 Migração secular
2.4 Migração diária e sazonal
2.5 Migração de somente uma via
2.6 Migrações irregulares ou táticas
3 Forças evolutivas atuando na dispersão
3.1 Endogamia e exogamia
3.2 Evitando a competição parental
3.3 Filopatria
4 Referências
Variação na dispersão dentro de populações

Polimorfismo de dispersão

Existem diversas formas de variação de dispersão dentro de uma mesma espécie, são adaptações muitas vezes comportamentais e fisiológicas que elas adquiriram. Como o caso da planta anual do deserto Gymnarrhena micrantha. Ela produz apenas de uma à três sementes grandes (em aquênios), a partir de flores que permanecem fechadas a baixo da superfície do solo. Essas sementes germinam no mesmo local da planta-mãe. Porém, essas mesmas plantas também produzem sementes pequenas acima do solo, o que permite a dispersão pelo vento. Em anos muito secos são produzidas apenas sementes subterrâneas que não dispersam, já em anos mais úmidos, as plantas crescem mais e produzem maior quantidade de sementes que dispersam. 4

Diferenças relacionadas ao sexo

Às vezes a necessidade de se dispersar pode ser diferente para machos e para fêmeas. Entre as aves é comum que as fêmeas se dispersem, já em mamíferos normalmente são os machos. Para as aves, a competição pelo território é mais intensa entre os machos, eles teriam portanto mais a ganhar através da filopatria. Já as fêmeas levam vantagem na escolha de qual macho irá se acasalar. Em mamíferos, os machos (muitas vezes polígamos) podem competir muito mais por uma fêmea, do que por um território e, com isso, é possível áreas para se dispersar com um maior número possível de fêmeas.5



Diferenças relacionadas à idade

Em grande parte das espécies a dispersão é natal, ou seja, dispersão por juvenis antes que se reproduzam pela primeira vez. Em muitos táxons é constitucional que a dispersão de sementes seja tipicamente natal. Muitos invertebrados possuem um estágio adulto séssil (reprodutiva) no qual as larvas são lançadas (idade pré-reprodutiva) para a dispersão. Por outro lado, a maioria dos insetos possui um estágio séssil e um estágio adulto apto à dispersão. Aves e mamíferos, uma vez desmamados e independentes de sua mãe, possuem potencial para se dispersarem pelo resto de suas vidas.6



Padrões de migração

Salto de dispersão

Muitas espécies se estabeleceram em novos locais depois de terem percorrido grandes distâncias, mesmo sendo um mecanismo raro de ser observado na natureza, existem alguns bons exemplos dessas colonizações terem acontecido em algumas ilhas, por exemplo, quando uma erupção vulcânica destruiu quase toda a biodiversidade da ilha Krakatau na indonésia, em 1883, mesmo após a erupção tanto ela quanto as ilhas vizinhas de Verlaten foram cobertas por uma extensa camada de cinzas. Após 50 anos do acontecido, pesquisadores que documentaram a fauna e flora das ilhas mostraram que já havia se estabelecido uma densa floresta tropical úmida na ilha de Krakatau, com 271 espécies de plantas, 31 tipos de pássaros, e muitos invertebrados.* A principal hipótese para o aparecimento desses organismos é que eles se dispersaram atravessando cerca de 50 à 80 km de mar que separa essas ilhas das grandes ilhas de Java e de Sumatra. Além de casos como esse em que as espécies tiveram que atravessar oceanos, também existem evidencias de organismos que tiveram que atravessar distancias tão longas, quanto essas através do continente. 7



Difusão

Em comparação ao salto de dispersão, a difusão é uma forma muito mais lenta de expansão da amplitude de distribuição de uma espécie, que envolve não apenas indivíduos, mas também populações. Enquanto o salto de dispersão é realizado por um ou apenas poucos indivíduos dentro de um curto período de sua vida, a difusão acontece durante muitas gerações, onde os indivíduos se dispersam de forma lenta e gradual aumentando seu limite de distribuição. Esses dois mecanismos também estão intimamente ligados, uma vez que a difusão pode seguir o salto de dispersão de uma espécie em uma região distante de habitat favorável, mas não colonizada.



Migração secular

É ainda mais lenta que a difusão, existe a migração secular, ela ocorre muito vagarosamente (Pode durar centenas de gerações), possibilitando as espécies evoluírem durante o processo de migração. Apesar de Hebert Louis Mason ter introduzido o termo em 1954, o conceito de migração secular é antigo. Durante o século dezoito, Buffon propôs a hipótese de que muitas formas de vida se originaram da região norte do Velho e do Novo Mundo. A partir daí elas migraram em direção ao sul e, uma vez isoladas, começaram a se modificar, a tal ponto que as biotas dos trópicos do Velho e do Novo Mundo compartilham muitas poucas formas de vida (Lei de Buffon).

Migração diária e sazonal

A escala de tempo envolvida nesses processos pode ser de horas, dias, meses, ou anos. Em alguns casos esses movimentos têm o efeito de manter o organismo em um mesmo tipo de ambiente. Esse é o caso do movimento de caranguejos na linha de costa: eles se movem com a avanço e retaliação da maré. Outro exemplo são de algumas algas planctônicas, elas descem até as profundezas durante a noite para acumular fósforo e talvez outros nutrientes, durante o dia elas voltam à superfície pra realizarem a fotossíntese.8

Muitos organismos realizam migrações sazonais, como muitos anfíbios, que durante a primavera vivem num habitat aquático para se reproduzirem e durante o restante do ano são mais terrestres.



Migração de somente uma via

Em algumas espécies migrantes, a viajem para um individuo é de somente uma via. Na Europa, as borboletas Colias croceus, Vanessa Atalanta e Vanessa cardui se reproduzem nas duas extremidades de suas migrações. Os indivíduos, ao alcançarem a Grã Bretanha no verão, se reproduzem e sua prole se desloca para o sul, no outono, e se reproduzem na região do mediterrâneo, sendo que a prole desses indivíduos volta para o norte no verão seguinte.



Migrações irregulares ou táticas

Esse tipo de migração tática é forçada por eventos como as superpopulações, não apresentando nenhuma regularidade ou ciclo. É um exemplo as migrações de gafanhotos em regiões áridas e semi-áridas, causadores de devastações no ambiente, muitas vezes trazendo também danos econômicos.



Forças evolutivas atuando na dispersão

Endogamia e exogamia

Quando indivíduos aparentados se reproduzem, sua prole provavelmente sofre uma “depressão endogâmica**, resultante especialmente da expressão no fenótipo de alelos deletérios recessivos. Animais com dispersão limitada, aumentam a probabilidade de endogamia, desse modo, a sua evitação é uma força que favorece a dispersão. Em alguns casos porém, as espécies podem mostrar uma adaptação local a seu local imediato de nascimento. Quando organismo adaptados a dispersarem longas distâncias se cruzam, a prole poderá sofrer uma “depressão exogâmica”, com organismo adaptados a nenhuma habitat, essa seria uma força atuando contra a dispersão.9



Evitando a competição parental

Evitar a endogamia não é, de fato, a única força atuando a favor da dispersão natal da prole. Isso pode ser favorecido uma vez que diminua o resultado dos efeitos competitivos que ocorrem com os progenitores, pois mesmo em habitats muito estáveis, todos os organismos irão estar sofrendo uma forte pressão seletiva para se dispersar de sua progênie.10 Há também estudos comprovando que a taxa de imigração está ligada a densidade populacional, em algumas espécies quando a densidade é baixa, a imigração tende a ser maior do que em densidades altas. O caso mais freqüente é a taxa de imigração ser maior quando a densidade populacional também aumentar.



Filopatria

A dispersão efetiva não é exatamente dependente da densidade, pois existem também forças seletivas a favor da não dispersão, mostrando, em vez disso a chamada filopatria, ou comportamento “caseiro”. Este comportamento existe por haver certas vantagens de se permanecer no ambiente familiar, como a cooperação entre os indivíduos da mesma família ou, os indivíduos que dispersam podem encontrar uma “barreira social” de agressões ou intolerância de grupos não aparentados. 11

Referências

↑ Brown J.H. e Lomolino M.V. 2006, Biogeografia, 2ed.
↑ Begon M., Townsend C.R. e Harper J.L. 2007, Ecologia de Indivíduos a Ecossistemas, 4ed. Porto Alegre: Artmed
↑ Begon M., Townsend C.R. e Harper J.L. 2007, Ecologia de Indivíduos a Ecossistemas, 4ed. Porto Alegre: Artmed
↑ Koller S.L. e Roth N. 1964, Studies on the ecological and physiological significance of amphicarpy in Gmnarrhena micrantha (Compositae), American Journal of Botany, 51, 26-35
↑ Greenwood P.J. 1980, Mating systems, philopatry and dispersal in birds and mammals. Animal Behavior, 28, 1140-1162
↑ Wolff J.O. 1997, Population regulation in mammals: an evolutionary perspective. Journal of Animal Ecology, 66, 1-13
↑ Docters van Leeuwen, W. M. 1936, Krakatau, 1833-1933. Ann. Jard. Bot. Buitenzorg 46-47: 1-506
↑ Salonen K., Jones R.I. e Arvola L. 1984 Hypoliminetic retrieval by diel vertical migrations of lake phytoplankton. Freshwater Biology, 14, 431-438
↑ Charlesworth D. e Charlesworth B. 1987, Inbreeding depression and its evolutionary consequences. Annual Rewieu of ecology and systematic, 18, 237-268
↑ Hamilton W.D. e May R.M. 1977, Dispersal in stable habitats. Nature, 269, 578-581
↑ Hestbeck J. B. 1982, Population regulation of cyclic mammals: the social fence hyphotesis. Oikos, 39, 157-163
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Experiência de Miller e Urey - Novas Comprovações - Biologia - Trabalho Escolar.


Experiência de Miller e Urey

Esquema do experimento.
A experiência de Miller e Urey foi uma experiência concebida para testar a hipótese de Oparin e Haldane sobre a origem da vida.

Segundo o experimento, as condições na Terra primitiva favoreciam a ocorrência de reações químicas que transformavam compostos inorgânicos em compostos orgânicos precursores da vida. Em 1953, Stanley L. Miller e Harold C. Urey da Universidade de Chicago realizaram uma experiência para testar a hipótese de Oparin e Haldane que ficou conhecida pelos nomes dos cientistas.1 Esta experiência tornou-se na experiência clássica sobre a origem da vida.

A experiência de Miller consistiu basicamente em simular as condições da Terra primitiva postuladas por Oparin e Haldane. Para isto criou um sistema fechado, onde inseriu os principais gases atmosféricos, tais como hidrogênio, amônia, metano, além de vapor d'água.2 Através de descargas elétricas, e ciclos de aquecimento e condensação de água, obteve após algum tempo, diversas moléculas orgânicas (aminoácidos). Deste modo, conseguiu demonstrar experimentalmente que seria possível aparecerem moléculas orgânicas através de reações químicas na atmosfera utilizando compostos que poderiam estar nela presentes. Estas moléculas orgânicas são indispensáveis para o surgimento da vida.


Novas Comprovações

É comprovado que são necessários pelo menos 20 aminoácidos nas formas de vida conhecidas. Apesar de Miller ter produzido vários tipos de aminoácidos, seu experimento não pode ser considerado uma prova ao seu tempo do surgimento da vida por reações químicas, pois dos 20 aminoácidos necessários para surgimento de uma forma de vida simples, apenas 13 foram então detectados.

Reanálises publicadas em outubro de 2008 do material original da experiência, mostraram a presença de 22 aminoácidos ao contrário dos 5 que foram criados no aparelho. Antigos resultados mostram uma forte evidência de estas moléculas orgânicas específicas poderem ser sintetizadas de reagentes inorgânicos atmosféricos.3
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Teoria de Oparin - A teoria - Repercussão - Biologia - Trabalho Escolar.


Teoria de Oparin

Teoria de Oparin foi desenvolvida na década de 1920 pelo biólogo russo Oparin, que foi um importante acadêmico da União Soviética na época em que Lysenko estava destruindo a genética na Rússia.1

Oparin propôs sua teoria em 1924, mas seu paper não chegou ao ocidente até os anos 1930; J. B. S. Haldane, um bioquímico, propôs, de forma independente, uma teoria semelhante, em 1929.2 3


A teoria

Sua teoria tem um forte embasamento darwiniano: através de competição e seleção natural, determinadas formas de organização molecular tornaram-se dominantes e caracterizam as moléculas vivas de hoje. Segundo ele, não existe diferença fundamental entre os organismos vivos e matéria sem vida. Em princípio havia soluções simples de substâncias orgânicas, cujo comportamento era governado pelas propriedades de seus átomos e pelo arranjo destes átomos em uma estrutura molecular. Gradualmente, entretanto, como resultado do crescimento em complexidade, novas propriedades surgiram em conseqüência do arranjo espacial e relacionamento mútuo das moléculas. Portanto, a complexa combinação de propriedades que caracteriza a vida surgiu a partir do processo de evolução da matéria. Levando em conta a então recente descoberta de metano na atmosfera de Júpiter e outros planetas gigantes, Oparin postulou que a Terra primitiva também possuía uma atmosfera fortemente redutora, contendo metano, amônia, hidrogênio e água. Em sua opinião, esses foram os elementos essenciais para a evolução da vida. Nessa época a Terra estava passando por um processo de resfriamento, que permitiu o acúmulo de água nas depressões da sua crosta, formando os mares primitivos. As tempestades com raios eram freqüentes e ainda não havia na atmosfera o escudo de ozônio contra radiações. As descargas elétricas e as radiações que atingiam nosso planeta teriam fornecido energia para que algumas moléculas presentes na atmosfera se unissem, dando origem a moléculas maiores e mais complexas: as primeiras moléculas orgânicas. Estas eram arrastadas pelas águas das chuvas e passavam a se acumular nos mares primitivos, que eram quentes e rasos. O processo, repetindo-se ao longo de vários anos, teria transformado os mares primitivos em "sopas primitivas", ricas em matéria orgânica. Baseado no trabalho de Bungenberg de Jong em coacervados, certas moléculas orgânicas (especialmente as proteínas) podem espontaneamente formar agregados e camadas, quando estão na água. Oparin sugeriu que diferentes tipos de coacervados podem ter se formado nas "sopas primitivas" dos oceanos. Esses coacervados não eram seres vivos, mas sim uma primitiva organização das substâncias orgânicas, principalmente proteínas, em um sistema isolado. Apesar de isolados os coacervados podiam trocar substâncias com o meio externo, sendo que em seu interior houve possibilidade de ocorrerem inúmeras reações químicas. Subseqüentemente, sujeitos ao processo de seleção natural, esses coarcervados cresceram em complexidade, adquirindo por fim características de organismos vivos.

Repercussão

Como Oparin, amigo de Lysenko, não mexeu um dedo para salvar os geneticistas quando Lysenko os estava denunciando a Stalin para que eles fossem presos ou mortos, sua teoria não foi aceita no Ocidente, com base na lógica de que, se Oparin é um cara mau, então sua teoria também é má.1 Atualmente, um dos proponentes desta teoria é Doron Lancet, um químico do Weizmann Institute de Israel.1
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Abiogênese - 1 Geração espontânea 1.1 Redi 1.2 Needham e Spallanzani 1.3 Pasteur 1.4 Nicolas Appert 1.5 A geração espontânea é descartada 2 Origem química da vida 2.1 Teoria Oparin-Haldane ou teoria heterotrófica 2.2 Teoria do mundo do RNA 3 A perspectiva das religiões - Biologia - Trabalho Escolar.


Abiogênese

Abiogênese (português brasileiro) ou Abiogénese (português europeu) (do grego a-bio-genesis , "origem não biológica") designa de modo geral o estudo sobre a origem da vida a partir de matéria não viva. No entanto há que se fazer distinções entre diferentes ideias ou hipóteses às quais o termo pode ser atribuído. Atualmente, o termo é usado em referência à origem química da vida a partir de reações em compostos orgânicos originados abioticamente. Esta designação entretanto, é ambígua, pois muitos pesquisadores se referem ao mesmo processo utilizando o termo 'biogênese'. Ideias antigas de abiogênese também recebem o nome de geração espontânea, e essas foram, há muito tempo, descartadas pela ciência; consistiam basicamente na suposição de que organismos mais complexos, dos que se observa diariamente, não se originassem apenas de seus progenitores, mas de qualquer ser inanimado.

O consenso científico atual é que a abiogénese ocorreu aproximadamente entre 4,4 bilhões de anos, quando vapor de água condensou-se pela primeira vez na Terra,1 e 2,7 bilhões de anos atrás, quando a proporção de isótopos estáveis de carbono (12C e 13C), ferro e enxofre aponta para uma origem biogénica de minerais e sedimentos2 3 e marcadores biomoleculares indicam a existência de fotossíntese.4 5 Este tema inclui também a panspermia e outras teorias exogénicas referentes à possibilidade da origem da vida ser extra-terrestre ou extra-planetária. Estas hipóteses supõem que a origem da vida ocorreu em alguma altura nos últimos 13.7 bilhões de anos da evolução do Universo desde o Big Bang.6 . A hipótese da panspermia não encontra atualmente muita ênfase no meio científico por não resolver mas sim transferir a questão acerca da origem da vida para outro local do universo, ao passo que, por fatos verificáveis, há até o momento confirmação dessa apenas na Terra.

Os estudos sobre a origem da vida são um campo limitado de pesquisa apesar do seu profundo impacto na biologia e na compreensão do mundo natural. O progresso neste campo é geralmente lento e esporádico, apesar de atrair a atenção de muitos devida à importância da questão. Várias hipóteses têm sido propostas, dentre as quais a Teoria de Oparin da sopa primordial e a do mundo do RNA, que a complementa7 .

O termo abiogênese (do grego a-bio-genesis, "origem não biológica") designa de modo geral a origem da vida a partir de matéria não viva. No entanto há que se fazer distinções entre diferentes ideias ou hipóteses às quais o termo pode encontrar-se associado, merecendo esses, algumas sim algumas não, a corroboração da ciência.

Atualmente, o termo é usado em referência à origem química da vida a partir de reações em compostos orgânicos originados abioticamente, sendo essa ideia geralmente referida como abiogênese química. Paradigma científico atualmente válido para a origem da vida, segundo a abiogênese química a primeira protocélula, com capacidade de autorreprodução, teve origem diretamente na matéria inanimada, e uma vez presente, por evolução, deriva-se a seu tempo, por reprodução, a origem de toda a diversidade biológica no planeta. A abiogênese química não implica a origem direta na matéria inanimada de organismos complexos; em verdade proíbe tal cenário. A veracidade dessa hipótese encontra-se forte corroboração na árvore da vida, que remete todos os seres vivos do planeta não apenas a ancestrais comuns mas também os converge a um único ancestral comum.

Embora há muito descartadas pela ciência, outras ideias acerca da origem dos seres vivos, geralmente mais antigas, também recebem o nome de abiogênese, e entre elas destaca-se certamente a chamada abiogênese espontânea, ligada a ideia da geração espontânea de organismos já complexos. A geração espontânea, cuja ideia em muito remete à criação do primeiro homem segundo a mitologia cristã, o mito de Adão e Eva, consiste basicamente na suposição de que organismos complexos, a exemplo os que encontram-se presentes na atualidade, podem não só se originar de seus progenitores mas também diretamente do "barro", ou seja, "matéria bruta". Nesse estilo moscas "brotariam" espontaneamente de matéria orgânica em decomposição. A geração espontânea não encontra corroboração científica nos dias de hoje, encontrando-se há muito refutada pela ciência.


Geração espontânea

Os primeiros defensores conhecidos das ideias nesse sentido foram Anaximandro, seu pupilo Anaxímenes, e outros como Xenófanes, Parmênides, Empédocles, Demócrito, e Anaxágoras. Sustentavam de modo geral que a geração espontânea ocorria, mas em versões variadas.

O defensor mais famoso dessa hipótese na antiguidade foi Aristóteles há mais de dois mil anos, e em sua versão, supunha a existência de um "princípio ativo" dentro de certas porções da matéria inanimada. Esse princípio ativo organizador, que seria responsável, por exemplo, pelo desenvolvimento de um ovo no animal adulto, cada tipo de ovo tendo um princípio organizador diferente, de acordo com o tipo de ser vivo. Esse mesmo princípio organizador também tornaria possível que seres vivos completamente formados eventualmente surgissem a partir da "matéria bruta".

A ideia era baseada em observações - descuidadas, sem rigor científico atual - de alguns animais aparentemente surgirem de matéria em putrefação, ignorando a pré-existência de ovos ou mesmo de suas larvas. Isso antecedeu o desenvolvimento do método científico tal como é hoje, não havendo tanta preocupação em certificar-se de que as observações realmente correspondessem ao que se supunha serem fatos, levando a falsas conclusões.

Relatos de geração espontânea são encontrados, por exemplo, na mitologia grega: após o dilúvio universal, o casal humano sobrevivente Deucalião e Pirra precisou da ajuda dos deuses para recriar a humanidade8 , mas os animais apareceram através da geração espontânea9 .

Essas ideias sobre abiogênese eram aceitas comumente até cerca de dois séculos atrás. Ainda no século XIII, havia a crença popular de que certas árvores costeiras originavam gansos; relatava-se que algumas árvores davam frutos similares a melões, no entanto contendo carneiros completamente formados em seu interior. No século XVI, Paracelso, descreveu diversas observações acerca da geração espontânea de diversos animais, como sapos, ratos, enguias e tartarugas, a partir de fontes como água, ar, madeira podre, palha, entre outras.

Cientistas de todos os campos do saber acreditavam, por exemplo, que as moscas eram originadas da matéria bruta do lixo. Já no século XVII Em resposta às dúvidas de Sir Thomas Browne sobre "se camundongos podem nascer da putrefação", Alexander Ross respondeu:

Então pode ele (Sir Thomas Browne) duvidar se do queijo ou da madeira se originam vermes; ou se besouros e vespas das fezes das vacas; ou se borboletas, lagostas, gafanhotos, ostras, lesmas, enguias, e etc., são procriadas da matéria putrefeita, que está apta a receber a forma de criatura para a qual ela é por poder formativo transformada. Questionar isso é questionar a razão, senso e experiência. Se ele duvida que vá ao Egito, e lá ele irá encontrar campos cheios de camundongos, prole da lama do Nilo, para a grande calamidade dos habitantes.:
O médico belga J. B. Van Helmont, que posteriormente foi responsável por grandes experimentos sobre fisiologia vegetal, chegou a prescrever uma "receita" para a produção espontânea de camundongos em 21 dias. Segundo ele, bastava que se jogasse, num canto qualquer, uma camisa suja (o princípio ativo estaria no suor da camisa) e sementes de trigo para que dali a 21 dias fosse constatada a geração espontânea.

Essas conclusões errôneas se devem a falta de metodologia apropriada, limitando variáveis que pudessem trazer resultados falsos - como por exemplo, impedir que ratos já formados tivessem acesso à "receita" que supunha-se produzir ratos - aliada ao pressuposto de que a geração espontânea era mesmo possível.

Redi

O primeiro passo na refutação científica da abiogênese aristotélica foi dado pelo italiano Francesco Redi, que em 1668, provou que larvas não nasciam em carne que ficasse inacessível às moscas, protegidas por telas, de forma que elas não pudessem botar lá seus ovos. Em suas "Experiências sobre a geração de insetos", Redi disse:

Embora me sinta feliz em ser corrigido por alguém mais sábio do que eu caso faça afirmações errôneas, devo expressar minha convicção de que a Terra, depois de ter produzido as primeiras plantas e animais, por ordem do Supremo e Onipotente Criador, nunca mais produziu nenhum tipo de planta ou animal, quer perfeito ou imperfeito…
Redi então supunha que a geração espontânea teria ocorrido apenas durante os primórdios da Terra. Formulou a hipótese que o que aparentava ser geração espontânea na verdade era oriundo de ovos serem depositados por moscas no material em putrefação. Admitiu a necessidade de testar essa hipótese. Formulou o experimento então de forma a limitar as variáveis de forma mais cuidadosa, deixando metade dos frascos tampados e outra metade destampada.

No entanto notou que essa metodologia também deixava alguma margem de erro. Enquanto as tampas dos frascos impediam o acesso das moscas, impediam também a renovação no ar no interior dos frascos, talvez então impedindo que o "princípio ativo" propiciasse a geração espontânea dos "vermes". Para dar conta dessa parte do problema, aperfeiçoou o experimento, tampando os frascos com gaze, que permitia a entrada de ar. O resultado foi o mesmo; embora "vermes" não tivessem surgido dentro da carne dentro de um copo de vidro, por ter sido impedido o acesso das moscas, apareceram vários no exterior da gaze, tentando forçar sua entrada, os quais foram removidos por Redi.

Assim, no século XVII foi gradualmente sendo demonstrado que, ao menos no caso de todos os organismos facilmente visíveis, a geração espontânea não ocorria, e que cada ser vivo conhecido era proveniente de uma forma de vida pré-existente, a ideia conhecida como biogênese.

Needham e Spallanzani

A invenção e aperfeiçoamento do microscópio renovaram a aceitação à abiogênese. Em 1683, Anton van Leeuwenhoek descobriu os microrganismos, e logo foi notado que não importava o quão cuidadosamente a matéria orgânica fosse protegida por telas, ou fosse colocada em recipientes tampados, uma vez que a putrefação ocorresse, era invariavelmente acompanhada de uma miríade de bactérias e outros organismos. Não se acreditava que a origem desses seres estivesse relacionada a reprodução sexuada, então sua origem acabou sendo atribuída à geração espontânea. Era tentador pensar que enquanto formas de vida "superiores" surgissem apenas de progenitores do mesmo tipo, houvesse uma fonte abiogênica perpétua da qual organismos vivos nos primeiros passos da evolução surgiam continuamente, dentro de condições favoráveis, da matéria inorgânica.

John Needham, em 1745, realizou novos experimentos que vieram a reforçar a hipótese de a vida poder originar-se por abiogênese. Consistiam em aquecer em tubos de ensaio líquidos nutritivos, com partículas de alimento. Fechava-os, impedindo a entrada de ar, e os aquecia novamente. Após vários dias, nesses tubos proliferavam enormes quantidades de pequenos organismos. Esses experimentos foram vistos como grande reforço a hipótese da abiogênese.

Mas em 1768, Lazzaro Spallanzani criticou duramente a teoria e os experimentos de Needham, através de experimentos similares, mas tendo fervido os frascos fechados com sucos nutritivos durante uma hora, que posteriormente foram colocados de lado durante alguns dias. Examinando os frascos, não encontrava-se qualquer sinal de vida. Ficou dessa forma demonstrado que Needham falhou em não aquecer suficientemente a ponto de matar os seres pré-existentes na mistura.

Isso no entanto não foi suficiente para descartar por completo a hipótese da abiogênese. Needham replicou, sugerindo que ao aquecer os líquidos a temperaturas muito altas, pudesse estar se destruindo ou enfraquecendo o "princípio ativo". A hipótese de abiogênese continuava sendo aceita pela opinião pública, mas o trabalho de Spallanzani pavimentou o caminho para Louis Pasteur.

Pasteur

Foi principalmente devido ao grande biólogo francês Louis Pasteur, em 1862, que a ocorrência da abiogênese no mundo microscópico foi refutada tanto quanto a ocorrência no mundo macroscópico. Contra o argumento de Needham sobre a destruição do princípio ativo durante a fervura, ele formulou experimentos com frascos com "pescoço de cisne", que permitiam a entrada de ar, ao mesmo tempo em que minimizavam consideravelmente a entrada de outros micróbios por via aérea.

Dessa forma, demonstrava que a fervura em si, não tirava a capacidade dos líquidos de manterem a vida, bastaria que organismos fossem neles introduzidos. O impedimento da origem da vida por falta do princípio ativo, também pode ser descartado, já que o ar podia entrar e sair livremente da mistura. O recipiente com "pescoço de cisne" permaneceu nessas condições, livre de micróbios durante cerca de um ano.

Nicolas Appert

Nicolas Appert aproveitou as ideias de Spallanzani de ferver frascos e passou a ferver alimentos e guardá-los em vidros herméticos.

A geração espontânea é descartada

Mais tarde, descobriu-se que esporos de bactérias são geralmente envolvidos em membranas resistentes ao calor, e que apenas a prolongada exposição à elevadas temperaturas e a baixa umidade - a um tostador - poderia ser reconhecida como um processo eficientes de esterilização [carece de fontes?]. Variações súbitas de temperaturas (choques térmicos) também são eficazes, sendo ambos os princípios aplicados juntos em vários processos modernos de esterilização, a citar na pasteurização. Além disso, a presença de bactérias, ou seus esporos, é tão universal que apenas precauções extremas podem evitar a reinfecção de material esterilizado. Corroborou-se desta forma que todos os organismos que constiuam-se ou dependam de células exibindo complexidade não trivial - todos os atualmente conhecidos - derivam-se de organismos vivos pré-existentes, recebendo esta regularidade natural o nome de Lei da Biogênese.
É importante contudo ressaltar que a lei da biogênese conforme proposta atualmente não contradiz a abiogênese química proposta para o primeiro ser vivo - o de complexidade trivial - a habitar o planeta Terra.

Origem química da vida

Os experimentos de Louis Pasteur refutaram a abiogênese aristotélica, ou geração espontânea, mas não dizem nada quanto à origem química da vida - também chamada de biopoese (do grego bio, vida, + poiéo, produzir, fazer, criar), evolução química, quimiossíntese, ou ainda, biogênese por Teilhard de Chardin. Essa forma de abiogênese supostamente ocorreu sob condições totalmente diferentes, dentro de períodos de tempo muito maiores, não sendo algo que se suponha poder ocorrer a qualquer instante, ou hoje em dia. O próprio Charles Darwin percebeu impedimentos básicos para que isso ocorresse:

Costuma-se dizer frequentemente que todas as condições necessárias para o surgimento de um ser vivo encontram-se presentes agora como sempre se encontraram. Mas se (e como é grande esse se!) nós pudéssemos imaginar que, nos dias de hoje, em alguma poçazinha tépida, com todos tipos de sais amoníacos e fosfóricos, luz, calor, eletricidade, etc., estando presentes, um composto protéico estivesse quimicamente formado e pronto para sofrer mudanças mais complexas, tal composto seria imediatamente devorado ou absorvido, o que não teria ocorrido antes dos seres vivos terem sido formados.
Além disso, diferentemente da abiogênese aristotélica, o conceito atual não propõe a origem espontânea de formas de vida complexas, de algo similar qualquer das espécies atuais, mas em vez disso uma origem mais singular da vida, decorrendo de um complexo processo gradual, com vários estágios. A vida nesses estágios provavelmente diferiria muito das formas atuais a ponto de tornar incerta sua classificação como "vida", bem como a delimitação entre a "vida" e "não vida", de forma similar à situação em que os vírus e príons se encontram hoje.

Nos últimos 120 anos, soube-se que não há diferença entre matéria viva e a "bruta" ou "inanimada". Os seres vivos não são compostos de algo fundamentalmente diferente de outros objetos, nem têm um "princípio ativo" que lhes dá a vida. Carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio são os elementos predominantes dos seres vivos, e também encontram-se fora deles. A vida é uma questão de organização material de compostos formados por esses elementos. A abiogênese então se daria através de processos e etapas que cumulativamente produzissem a organização básica dos seres vivos. O químico Friedrich Wöhler, ainda em 1828, demonstrou que compostos orgânicos podem formar-se a partir de substâncias inorgânicas em laboratório. Mais tarde, os químicos descobriram que os principais "tijolos" da vida, aminoácidos, nucleotídeos e lipídios, podem todos se formar, bastando existirem fontes de carbono, nitrogênio, e energia.

Não há uma teoria apenas para o processo, mas várias diferentes possibilidades, sem que qualquer uma seja vista como definitivamente melhor que a outra, apesar de haver as que são mais populares. De grande valor histórico pode-se citar a teoria da "sopa primordial", do cientista russo Aleksandr Ivanovitch Oparin, com ideias similares às formuladas independentemente por J. B. S. Haldane, ambos na década de 1920. Hipotetizavam que uma série de reações envolvendo a suposta química atmosférica na Terra primordial culminariam com a origem da vida.

Teoria Oparin-Haldane ou teoria heterotrófica

Segundo Oparin, em ambiente aquoso, compostos orgânicos teriam sofrido reações que iam levando a níveis crescentes de complexidade molecular, eventualmente formando agregados colóides, ou coacervados. Esses coacervados seriam aptos a se "alimentar" rudimentarmente de outros compostos orgânicos presentes no ambiente, de forma similar a um metabolismo primitivo. Os coacervados não eram ainda organismos vivos, mas ao se formarem em enormes quantidades, e se chocarem no meio aquoso durante um tempo muito longo, eventualmente atingiriam um nível de organização que desse a propriedade de replicação. Surgiria aí uma forma de vida extremamente primitiva.

Haldane supunha que os oceanos primordiais funcionassem como um imenso laboratório químico, alimentado por energia solar. Na atmosfera, os gases e a radiação UV originariam compostos orgânicos, e no mar formaria-se então uma sopa quente de enormes quantidades de monômeros e polímeros. Grupos desses monômeros e polímeros adquiririam membranas lipídicas, e desenvolvimentos posteriores eventualmente levariam às primeiras células vivas.

Estavam ao menos parcialmente corretos, quanto a origem de aminoácidos e outros tijolos básicos da vida, como comprovou-se com o experimento de Urey-Miller, em 1953, que simulava essas condições atmosféricas, e o de Juan Oró em 1961. Os experimentos foram repetidos com diversas atmosféricas hipotéticas, sempre obtendo resultados similares.

Posteriormente, Sidney Fox levou o experimento um passo adiante fazendo que esses tijolos básicos da vida se unissem em proteinóides - moléculas polipeptidicas similares a proteínas - por simples aquecimento. No trabalho seguinte com esses aminoácidos e pequenos peptídeos foi descoberto que eles podiam formar membranas esféricas fechadas, chamadas de microesferas. Fox as descreveu como formações de protocélulas, acreditando que fossem um passo intermediário importante na origem da vida. As microesferas tinham dentro de seu envoltório um meio aquoso, que mostrava movimento similar a ciclose. Eram capazes de absorver outras moléculas presentes no seu ambiente; podiam formar estruturas maiores fundindo-se umas com as outras, e em certas situações, destacavam-se protuberâncias minúsculas de sua superfície, que podiam se separar e crescer individualmente.

As pesquisas nesse sentido não pararam por aí, sendo ainda muito importantes os experimentos e hipóteses levantadas por nomes como Manfred Eigen, Sol Spiegelman, Thomas Gold, A. G. Cairns-Smith, e uma série de outros trabalhos mais atuais.

Teoria do mundo do RNA

Mais recentemente, em 1986, Walter Gilbert propôs uma etapa na origem da vida que envolvia a existência de moléculas auto-replicadoras constituídas por RNA. O RNA é actualmente um mediador entre o DNA e as proteínas na maioria dos seres vivos, mas Gilbert propôs que nos primeiros estágios da vida, o RNA era o material genético principal. Além de propriedades auto-replicadoras, o RNA tem também actividade catalisadora de reacções químicas. Apenas em 2009 cientistas conseguiram criar ribonucleotídeos em laboratório a partir de elementos mais básicos, sob condições provavelmente existentes na Terra jovem.10 11

A perspectiva das religiões

Todas as religiões têm os seus mitos, concepções, teorias ou histórias sobre a criação da vida e a origem do homem. Para obterem-se detalhes sobre as teorias de criação conforme pregadas pelas diversas religiões se deve geralmente procurar pelos tomos ou textos sagragos que as embasam. Para as religiões judáico-cristãs, esta fonte de informação é a bíblia, devendo-se consultar o mito de Adão e Eva. O mito da criação segundo o Islamismo pode ser encontrado no Corão. Há contudo religiões onde não há uma fonte central de informação. Para maiores detalhes sobre a concepção budista, consulte o artigo sobre budismo, e para a concepção dos antigos gregos, veja o artigo Caos.
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Psicologia evolucionista - 1 Psicólogos evolucionistas conhecidos - Biologia - Trabalho Escolar.


Psicologia evolucionista

A Psicologia evolucionista, Psicologia evolutiva, ou simplesmente PE propõe explicar características mentais e psicológicas - tais como memória, percepção, ou linguagem - como adaptações, e portanto, a mente pode ser melhor entendido à luz da evolução humana. Assim a mente é resultado da seleção natural e seleção sexual. A psicologia evolucionista tenta explicar os universais humanos e seu valor adaptativo.

Propõe que a psicologia pode ser melhor compreendida à luz da evolução. Embora aplicável a qualquer organismo com um sistema nervoso, a maior parte da pesquisa em psicologia evolutiva é focada em humanos.

Especificamente, a psicologia evolutiva propõe que o cérebro consiste de vários mecanismos funcionais, chamados adaptações psicológicas ou mecanismos psicológicos evoluídos (MPEs), que evoluíram por seleção natural. Exemplos não controvertidos de MPEs são a visão, a audição, a memória e o controle motor. Exemplos controvertidos são os mecanismos para evitar incesto, mecanismos para detectar mentira, preferências sexuais, estratégias para escolha de parceiros e cognição espacial. A maioria dos psicólogos evolutivos argumenta que MPEs são universais em uma espécie, exceto por aquelas especificamente relacionadas a sexo ou idade.

A psicologia evolutiva tem suas raízes na psicologia cognitiva e na biologia evolutiva. Ela também deve muito à ecologia comportamental, à inteligência artificial, à genética, à etologia, à antropologia, à arqueologia, à biologia e à zoologia. A psicologia evolutiva é fortemente ligada à sociobiologia mas há diferenças fundamentais entre elas incluindo a ênfase em mecanismos específicos de domínio em vez de gerais, a relevâcia de medidas de adaptabilidade (fitness) e a preferência pela psicologia sobre o comportamento. Muitos psicologistas evolutivos, contudo, argumentam que a mente consiste tanto de mecanismos específicos quanto gerais. Muito da pesquisa em sócio-biologia é agora conduzida no campo da ecologia comportamental.

O termo psicologia evolutiva foi provavelmente cunhado por Ghiselin em seu artigo na Science de 1973. Jerome Barkow, Leda Cosmides e John Tooby popularizaram o termo em seu influente livro de 1992, The Adapted Mind: Evolutionary Psychology and The Generation of Culture. A psicologia evolutiva tem sido aplicada a muitos campos de estudo, tais como e Economia, o Direito, a Psiquiatria, a Política, a Literatura e o Sexo.

Podemos dizer que a psicologia evolutiva surgiu como uma evolução da sociobiologia que foi, por sua vez, a síntese da etologia, da genética de populações e de outras áreas da biologia além da Sociologia por si só. A Sociobiologia foi criada por E.O. Wilson com a publicação de seu livro "Sociobiology: The New Synthesis" em 1975. Wilson foi um dos primeiros a defender que o comportamento social, humano ou não, estaria fortemente ligado aos genes e aos seus interesses perpetuativos. Posteriormente, em 1992, o antropólogo John Tooby e a psicóloga Leda Cosmides publicaram "The Adapted Mind - The Psychological Foundations of Culture" (sem tradução para o português) que é considerado o marco inicial da psicologia evolutiva.

A psicologia evolucionista propõe que o cérebro primata abrange muitos mecanismos funcionais chamados adaptações psicológicas ou mecanismos psicológicos evolutivos (MPEs), que evoluíram a partir da seleção natural com o intuito de beneficiar a sobrevivência e a reprodução do organismo. MPEs não controversas incluem a visão, audição, memória, e controle motor. Exemplos mais controversos incluem as diferenças entre preferências e estratégias de machos e fêmeas, habilidades cognitivas e temperamento, mecanismos de evitação de incesto, mecanismos de detecção de trapaceiro e captura-relacionamento.

A psicologia evolucionista tem influenciado a arqueologia pós-processual ou arqueologia cognitiva, principalmente na obra de Steven Mithen.


Psicólogos evolucionistas conhecidos

Além de Leda Cosmides e John Tooby, alguns dos autores mais conhecidos neste campo da ciência são:

Howard Bloom
David Buss
Martin Daly
Robin Dunbar
Steven W. Gangestad
David C. Geary
Sarah Blaffer Hrdy
Kevin B. MacDonald
Robert Kurzban
Geoffrey Miller
Steven Pinker
Matt Ridley
Donald Symons
Robert Trivers
Margo Wilson
Robert Wright


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