50. A dúvida é: Lugares haviam ou havia, mas faltava ou faltavam torcedores?

A resposta é: Lugares havia, mas faltavam torcedores.

Pelo visto, “aulas de concordância havia, mas faltavam alunos”. As regras de concordância mandam o verbo concordar com o sujeito. No caso do verbo faltar, o sujeito é “torcedores”. Como o sujeito está no plural, o verbo deve concordar: “faltavam torcedores”. Quanto ao verbo haver, o problema é outro. O verbo haver, quando usado com o sentido de “existir”, torna-se impessoal, isto é, sem sujeito. Por isso, deve ser usado sempre no singular. Da mesma forma que dizemos “há lugares” (e não “hão” lugares), devemos dizer “havia lugares”, “houve acidentes”, “haverá problemas”…

“Faltavam torcedores, mas faltava convidar mais torcedores.” Em “faltavam torcedores”, o verbo deve concordar no plural porque o sujeito (=torcedores) está no plural. No caso de “faltava convidar mais torcedores”, o sujeito do verbo faltar é “convidar mais torcedores”. Trata-se de uma oração devido à presença do verbo convidar. Quando o sujeito de um verbo é uma oração, a concordância deve ser feita no singular: “faltava convidar mais torcedores”; “basta conseguir três mil pontos”; “é necessário convocar onze craques”; “está faltando resolver duas questões”…

51. A dúvida é: Nós não nos víamos haviam ou havia dois anos?

A resposta é: Nós não nos víamos havia dois anos.

O verbo haver, quando usado em referência a tempo decorrido, é impessoal, ou seja, não há sujeito. Deve, por isso, permanecer numa forma não flexionada. Isso significa que não concorda (=não deve ser usado no plural). É interessante observar que no tempo presente ninguém seria tentado a usar o verbo no plural. Ninguém diria: “Nós não nos vemos hão dois anos”. Todos falam corretamente: “Nós não nos vemos há dois anos”. A mesma regra se aplica ao verbo fazer: “Não nos vemos faz dois anos” e “Não nos víamos fazia dois anos”.

Agora que nós já sabemos que os verbos haver e fazer (= em relação a tempo passado) só devem ser usados no singular, vamos aprender a diferença entre há e havia, faz e fazia. Devemos usar há ou faz, quando a idéia de tempo passado é em relação ao presente: “Nós não nos vemos (=presente) há (ou faz) dois anos”; devemos usar havia ou fazia, quando a idéia de tempo passado é em relação ao passado: “Nós não nos víamos (=passado) havia (ou fazia) dois anos”. É interessante observar uma diferença significativa: no primeiro caso, nós continuamos sem nos ver e o nosso último encontro ocorreu dois anos atrás; no segundo caso, significa que entre o penúltimo e o nosso último encontro (= ocorrido em algum tempo no passado) passaram-se dois anos.

52. A dúvida é: É ou são 1h50min?

A resposta é: É 1h50min.

Plural só a partir das duas: são 2h, são 3h, são 20h… Abaixo de duas é singular: é 1h, é 1h30min, é 0h.

Devemos dizer que “é 1h da tarde” e que “são 13 h”. Não importa se no relógio é a mesma hora. “Uma” é singular, e “treze” é plural. O certo é dizer “é uma e cinquenta, mas são dez para as duas” (é 1h50min = são 10 minutos para as 2h).

Quanto às abreviaturas, é importante lembrar que para “horas” devemos usar simplesmente “h” (minúsculo, sem “s” no plural e sem ponto), e para “minutos”, a abreviatura oficial é “min”. No meio jornalístico, por questão de espaço, também são adotadas as seguintes formas não oficiais: 1h50, 1h50m e 1:50h.

Como se faz a concordância do verbo “ser” em 12h30min? Ou você diz que “são doze horas e trinta minutos” ou então que “é meio-dia e meia”. “Doze horas” é plural (=são doze), mas “meio-dia” é singular (=é meio-dia).

53. A dúvida é: Ainda não se atingiu ou atingiram as metas estabelecidas pelo governo?

A resposta é: Ainda não se atingiram as metas estabelecidas pelo governo.

Certamente não é por culpa das nossas regras de concordância verbal que as metas não foram atingidas. A regra é clara: o verbo deve concordar em pessoa e número com o seu sujeito. No caso, devido à presença da partícula apassivadora “se”, a voz fica passiva e o sujeito é “quem sofre a ação verbal”, ou seja, “as metas estabelecidas pelo governo”. Assim sendo, o verbo deve concordar no plural: “ainda não se atingiram as metas”. É o mesmo que se dissesse que “as metas não foram atingidas”.

Na frase “O céu escurece e se ouve os primeiros relâmpagos”, temos dois problemas sérios: um é a falta de concordância e outro é essa estranha história de “ouvir” relâmpagos. Ou “se ouvem os primeiros trovões” ou “se vêem os primeiros relâmpagos”.

Quanto à concordância, é interessante observarmos que o plural é obrigatório, pois “os primeiros trovões são ouvidos” ou “os primeiros relâmpagos são vistos”. Trata-se de voz passiva sintética devido à presença da partícula apassivadora “se”.

54. A dúvida é: Tem ou têm acontecido coisas estranhíssimas?

A resposta é: Têm acontecido coisas estranhíssimas.

Temos aqui uma dúvida sutil de concordância verbal. A locução verbal “tem acontecido” deve concordar com o seu sujeito (=coisas estranhíssimas). Eu não posso dizer que “aconteceu coisas estranhíssimas”, e sim que “aconteceram coisas estranhíssimas”.

O problema é que o verbo ter merece uma atenção especial: tem (sem acento gráfico) é singular; têm (com acento circunflexo) é plural. Assim sendo, se o sujeito está no plural (=coisas estranhíssimas), o verbo deve concordar no plural: “Têm acontecido coisas estranhíssimas”.

Em “Tem havido coisas estranhíssimas”, o correto é sem acento. Em locuções verbais em que o verbo principal é o haver no sentido de “existir”, a concordância deve ser feita obrigatoriamente no singular. Da mesma forma que “houve coisas estranhíssimas”, “havia coisas estranhíssimas” e “haverá coisas estranhíssimas”, “tem havido, deve haver, poderá haver coisas estranhíssimas”.




55. A dúvida é: Começará a ser divulgado ou começarão a ser divulgados, a partir da próxima semana, os resultados do vestibular?

A resposta é: Começarão a ser divulgados, a partir da próxima semana, os resultados do vestibular.

O verbo deve ir para o plural para concordar com o seu sujeito (=os resultados do vestibular). É uma dúvida de concordância que ocorre muito frequentemente quando o sujeito aparece posposto, ou seja, depois do verbo. Dificilmente alguém erraria se o sujeito estivesse antes do verbo: “Os resultados do vestibular começarão a ser divulgados a partir da próxima semana”.

Há quem tenha outra dúvida: “Os resultados começarão a ser ou serem divulgados”? Numa locução verbal, quem se flexiona para concordar com o sujeito é o primeiro verbo: “Eles devem divulgar os resultados”; “Eles podem ser aprovados“; “Os resultados começarão a ser divulgados“.

Nas orações reduzidas de infinitivo, o verbo ser pode ir para o plural: “Estas são as medidas a ser ou serem tomadas“; “Aqui estão os exercícios para ser ou serem feitos“. Nas orações reduzidas, temos um caso de concordância facultativa.

56. A dúvida é: O motivo da revolta é ou são as multas?

A resposta é: O motivo da revolta são as multas.

Quando o sujeito está no singular (= o motivo da revolta) e o predicativo do sujeito (= as multas) está no plural, o verbo ser concorda no plural: “O resultado da pesquisa são números assustadores”; “Sua esperança são apenas hipóteses”.

Se invertermos a posição do sujeito com a do predicativo, o verbo ser deverá continuar no plural: “As multas são o motivo da revolta”; “Estes dados são o resultado da pesquisa”.

57. A dúvida é: A alta do dólar, somado ou somada aos prejuízos, causou sérios problemas na nossa economia?

A resposta é: A alta do dólar, somada aos prejuízos, causou sérios problemas na nossa economia.

O que está sendo somado aos prejuízos não é o dólar, e sim a alta do dólar, ou seja, a concordância deve ser feita no feminino.

Se os prejuízos fossem somados à alta do dólar, a concordância deveria ser feita no masculino plural, ou seja, o correto é “Somados os prejuízos à alta do dólar…”

58. A dúvida é: Um total de mais de 80 mil pessoas participaram ou participou do evento?

A resposta é: Um total de mais de 80 mil pessoas participou do evento.

Em concordância verbal, a regra é sempre a mesma: o verbo deve concordar em pessoa e número com o sujeito. Neste exemplo, o sujeito do verbo participar é “um total de mais de 80 mil pessoas”. É um caso de sujeito simples cujo núcleo é o substantivo “total”, que está no singular. Daí a concordância lógica do verbo no singular: “Um total…participou”.

Caso não houvesse a palavra “total”, ou seja, se o sujeito da oração fosse “mais de 80 mil pessoas”, o núcleo do sujeito passaria a ser “pessoas”, e a concordância deveria ser feita no plural: “Mais de 80 mil pessoas participaram do evento”.

59. A dúvida é: O presidente, assim como seus assessores, desistiram ou desistiu do projeto?

A resposta é: O presidente, assim como seus assessores, desistiu do projeto.

Quando o sujeito aparece ligado por assim como, o verbo concorda com o primeiro: “O filho, assim como o pai, é advogado”; “O cinema nacional, assim como o teatro, está em busca de novos patrocinadores.”

Para quem não gostou da concordância do verbo no singular, existe uma solução bem simples. É só substituir o “assim como” pela conjunção aditiva “e”. Assim o problema estaria resolvido, porque o verbo teria de concordar obrigatoriamente no plural: “O presidente e seus assessores desistiram do projeto”; “O filho e o pai são advogados“; “O cinema nacional e o teatro estão em busca de novos patrocinadores”.

60. A dúvida é: Solicitou ao gerente que não os ajudassem ou ajudasse?

A resposta é: Solicitou ao gerente que não os ajudasse.

O sujeito do verbo ajudar é o pronome relativo “que”, que está substituindo o seu antecedente (=o gerente). Quando o sujeito do verbo é o pronome relativo “que”, o verbo deve concordar com o antecedente: “…os gerentes que compareceram à reunião…”; “…o gerente que ajudasse os empregados…”

Mesmo quando o pronome pessoal oblíquo (=os, as, nos) exerce a função de sujeito do infinitivo, o verbo deve concordar no singular: “O diretor mandou-os sair de sala”; “Ele não as deixou falar“; “O presidente precisa nos ouvir cantar“.

61. A dúvida é: Aconteceram ou aconteceu, durante o último verão, um grande número de acidentes nesta estrada?

A resposta é: Aconteceu, durante o último verão, um grande número de acidentes nesta estrada.

O que verdadeiramente aconteceu foi um grande número de acidentes. Rigorosamente, o verbo deve concordar com o núcleo do sujeito (=número), que está no singular. É bom lembrar que alguns estudiosos já aceitam a concordância ideológica no plural, ou seja, o verbo estaria concordando com a ideia plural de “grande número” ou com “acidentes”. Entretanto, é importante salientar que a concordância no singular é aceita por todos e indiscutivelmente correta.

Quanto à frase “Houve um grande número de acidentes nas costas brasileiras“, não há discussão. Está errada. Quem tem “costas” sou eu, que vivo com dor nas costas. O Brasil, como qualquer país que tenha litoral, tem costa. Portanto, os acidentes aconteceram na costa brasileira.




62. A dúvida é: Ou eu ou você teremos ou terá de viajar na próxima semana?

A resposta é: Ou eu ou você terá de viajar na próxima semana.

Quando repetimos a conjunção “ou” (=ou…ou), é para ficar clara a ideia de exclusão, ou seja, somente um vai viajar: se eu for, você não vai; se você for, eu não vou. Nesse tipo de construção, não existe a possibilidade de “nós” viajarmos. Quando o sujeito composto apresenta essa ideia de exclusão, o verbo deve concordar com o núcleo mais próximo. Veja as duas possibilidades: “Ou eu ou você terá de viajar” e “Ou você ou eu terei de viajar”.

Não havendo a ideia de exclusão, ou seja, havendo três possibilidades (= ou eu, ou você, ou nós), o verbo pode concordar no plural: “Eu ou você talvez tenhamos de viajar na próxima semana”. Nesse caso, não podemos repetir a conjunção alternativa “ou”.

Existe ainda outra interpretação: “O pintor ou o escultor merecem igualmente o prêmio”. Nesse caso, o uso do verbo no plural é obrigatório porque a conjunção “ou” apresenta uma ideia aditiva (=e): “O pintor e o escultor merecem igualmente o prêmio”. Se é “igualmente”, é porque os dois merecem o prêmio.

63. A dúvida é: Nas ou nos milhares de linhas que escrevi?
A resposta é: Nos milhares de linhas que escrevi.

Milhar é um substantivo masculino. Isso significa que artigos, numerais, pronomes ou adjetivos que se refiram a ele deverão concordar no masculino: aos milhares, dois milhares, aqueles milhares…

O substantivo coma também é masculino, portanto o correto é “saiu do coma”, “entrou em coma alcoólico”.

64. A dúvida é: Após a feijoada comeu um ou uma musse?

A resposta é: Após a feijoada comeu uma musse.

A musse, palavra de origem francesa já aportuguesada, é do gênero feminino. O mesmo ocorria com omelete. O certo era a omelete, mas as novas edições de nossos principais dicionários registram também a forma masculina: a omelete ou o omelete.

O certo é a moral ou o moral? Nesse caso, temos outro tipo de problema. A palavra moral pode ser masculina ou feminina. Depende do significado. A moral (gênero feminino) é o conjunto de normas de conduta, os princípios que regem os bons costumes: “Isso faz parte da moral cristã”. Também pode ser a conclusão que se tira como norma: “Qual é a moral da história?”. O moral (gênero masculino) é o ânimo, o entusiasmo: “É preciso levantar o moral dos jogadores”. Se “o moral está baixo”, é porque há muito desânimo; se “a moral está baixa”, é porque a degradação moral é grande.

65. A dúvida é: Todos os nossos cidadãos ou cidadões merecem respeito?
A resposta é: Todos os nossos cidadãos merecem respeito.

As palavras terminadas em “ão”, de acordo com a sua origem, podem fazer plural em “ãos”, “ões” ou “ães”. Vejamos alguns exemplos: irmão/irmãos, cristão/cristãos, bênção/bênçãos; peão/peões, limão/limões, mamão/mamões; pão/pães, capitão/capitães, escrivão/escrivães…

Existem palavras que admitem duas formas no plural. A palavra corrimão é derivada de mão, cujo plural é mãos. Assim sendo, o plural original de corrimão é corrimãos. Hoje em dia, entretanto, o uso consagrou a forma corrimões, que já é perfeitamente aceitável. Inaceitável seria a forma “corrimães”. Nem ficaria bem ficar “correndo mães” por aí…

66. A dúvida é: Este jardim está cheio de florzinhas ou florezinhas?
A resposta é: Este jardim está cheio de florezinhas ou florzinhas.

A regra de formação do plural de palavras no diminutivo manda pluralizar a palavra primitiva antes de colocar o sufixo diminutivo com a desinência -S do plural: PAPEL > PAPÉIS > PAPEIZINHOS; ANIMAL > ANIMAIS > ANIMAIZINHOS; PÃO > PÃES > PÃEZINHOS; BALÃO > BALÕES > BALÕEZINHOS.

Com as palavras terminadas em “r”, aceitam-se as duas formas: FLOR > FLORES > FLOREZINHAS ou FLORZINHAS (que é a mais usada); BAREZINHOS ou BARZINHOS.

67. A dúvida é: Descobriu tudo em nossos bates-papos ou bate-papos?
A resposta é: Descobriu tudo em nossos bate-papos.

Quando o primeiro elemento das palavras compostas for verbo, somente o segundo deve ir para o plural: arranha-céus, bate-papos, guarda-chuvas, lança-perfumes, mata-borrões, para-brisas, porta-bandeiras, quebra-cabeças, salva-vidas, vira-latas…

Não devemos confundir o plural de guarda-chuva com o de guarda-civil. (1) Em guarda-chuva, guarda é verbo e chuva é substantivo. Nesse caso, somente o substantivo vai para o plural: guarda-chuvas. Estão na mesma situação: guarda-louças, guarda-roupas, guarda-pós, guarda-sóis…(2) Em guarda-civil, guarda é substantivo e civil é adjetivo. Nesse caso, os dois vão para o plural: guardas-civis. Seguem a mesma regra: guardas-noturnos, guardas-florestais…




68. A dúvida é: Fui eu que fez ou fiz o trabalho?

A resposta é: Fui eu que fiz o trabalho.

Quando o sujeito for o pronome relativo “que”, o verbo deve concordar com o antecedente: “Fui eu que fiz”; “Foste tu que fizeste”; “Foi ele que fez”; “Fomos nós que fizemos”; “Fostes vós que fizestes”; “Foram eles que fizeram”; “Este é o empregado que fez o trabalho” e “Estes são os empregados que fizeram o trabalho”.

Com o pronome “quem”, a concordância deve ser feita na 3ª. pessoa do singular: “Fui eu quem fez o trabalho”, ou seja, “Quem fez o trabalho fui eu”.

Alguns autores aceitam duas opções: “Fui eu quem fiz o trabalho” ou “Fui eu quem fez o trabalho”. O verbo pode concordar com o antecedente (eu quem fiz) ou na 3ª pessoa do singular concordando com o pronome “quem” (eu quem fez). No Brasil, a preferência é a concordância com o antecedente quando está no plural (=”Fomos nós quem fizemos o trabalho”) e na 3ª pessoa do singular quando o antecedente está no singular (=”Fui eu quem fez o trabalho”).

Estaria correto dizer “hoje quem paga é eu”? Essa não. “Hoje quem paga sou eu” e “Hoje sou eu que pago” são duas maneiras corretas de se dizer a mesma mentira…

69. A dúvida é: O diretor hesitou ou exitou, mas assinou o contrato?

A resposta é: O diretor hesitou, mas assinou o contrato.

Diante de tanta hesitação, é possível que o diretor não alcance o êxito desejado. O verbo hesitar (= ficar indeciso, vacilar, titubear) deve ser escrito com “h” e “s”. O substantivo êxito (= resultado, efeito) não tem “h”, mas deve ser escrito com “x” e com acento circunflexo.

Pior mesmo é se, em vez de hesitado, o diretor tivesse ficado “excitado” na hora de assinar o contrato. Para evitar futuras confusões, anote aí: êxito (=sucesso, efeito); hesitar (=vacilar, titubear); excitar (=exaltar, estimular).

70. A dúvida é: As lentes dos seus óculos eram verde-escuras ou verdes-escuras?

A resposta é: As lentes dos seus óculos eram verde-escuras.

Quando o adjetivo é composto, somente o último elemento se flexiona (=vai para o feminino e para o plural): “São questões técnico-científicas”; “Literatura luso-brasileira”; “Problemas sociopolítico-econômicos”;  “Candidatos social-democratas”; “Cultura greco-latina”; “Blusas azul-claras”…

As cores compostas só fazem plural quando o segundo elemento é adjetivo (“claro” ou “escuro”, por exemplo): “lentes verde-escuras” e “blusas azul-claras”, “camisas verde-amarelas”.

Quando o segundo elemento for um substantivo exercendo a função de um adjetivo, a palavra torna-se invariável, ou seja, não apresenta flexão nem de gênero nem de número: “calças verde-garrafa, verde-oliva, verde-musgo”; “camisas azul-piscina, azul-céu, azul-mar”; “blusas amarelo-ouro, vermelho-sangue, marrom-bombom”…


71. A dúvida é: Seria necessário que o Brasil mantesse ou mantivesse o empate?

A resposta é: Seria necessário que o Brasil mantivesse o empate.

O verbo MANTER é derivado do verbo TER. O pretérito imperfeito do subjuntivo do verbo TER é: se eu TIVESSE, se tu TIVESSES, se ele TIVESSE, se nós TIVÉSSEMOS, se vós TIVÉSSEIS, se eles TIVESSEM. Todos os verbos derivados – MANTER, DETER, RETER, ENTRETER, CONTER … – devem seguir a conjugação do verbo primitivo: se eu MANTIVESSE, se tu DETIVESSES, se ele CONTIVESSE, se eles RETIVESSEM …

Portanto, as formas ”mantesse, detesse, retesse, contesse…” simplesmente não existem.

Certa vez li num bom jornal: “Policiais não deteram os criminosos.” Deve ser por isso que eles fogem. Não existe a forma “DETERAM”.

Na verdade “Policiais não DETIVERAM os criminosos.” A explicação é a mesma que foi dada acima: DETER é derivado do verbo TER. A 3ª pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo é “eles TIVERAM”. Os verbos derivados devem seguir o verbo TER: “eles DETIVERAM, MANTIVERAM, RETIVERAM…”


72. A dúvida é: Se não chovesse, eu ia ou iria ao jogo?

A resposta é: Se não chovesse, eu iria ao jogo.

Temos aqui a troca do futuro do pretérito pelo pretérito imperfeito do indicativo. É frequente ouvirmos: “Se não chovesse, eu ia ao jogo” e “Se fosse permitido, eu fazia o trabalho.” É importante lembrar que há uma correspondência entre o pretérito imperfeito do subjuntivo (=chovesse, fosse) com o futuro do pretérito do indicativo (=iria, faria). Deveríamos, portanto, dizer: “Se não chovesse, eu iria ao jogo” e “Se fosse permitido, eu faria o trabalho.”

Na minha opinião, não devemos reduzir o problema a uma simples discussão de certo ou errado. Na verdade, o uso do pretérito imperfeito do indicativo (=ia, fazia, devia), em substituição ao futuro do pretérito do indicativo (=iria, faria, deveria), é comum em Portugal e também é uma característica da linguagem coloquial brasileira (=linguagem informal), mas é bom evitar em textos formais.


73. A dúvida é: Os produtos provém ou provêm da Argentina?

A resposta é: Os produtos provêm da Argentina.

Na 3a pessoa do singular do presente do indicativo de todos os verbos derivados do verbo vir (= provir, intervir, advir, convir…), devemos usar o acento agudo: ele provém, intervém, advém, convém; na 3a pessoa do plural, devemos usar o acento circunflexo: eles provêm, intervêm, advêm, convêm.

A forma provem (=sem acento gráfico) é 3a pessoa do plural do presente do subjuntivo do verbo provar: “Eu quero que vocês me provem o que estão dizendo”. Existe ainda a forma proveem (=3a pessoa do plural do presente do indicativo do verbo prover): “Eles se proveem do necessário”. Prover significa “abastecer, fornecer”. Então, não esqueça: (1) ele provém (verbo provir); (2) eles provêm (verbo provir); (3) que eles provem (verbo provar); (4) eles proveem (verbo prover).



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