Racismo e Xenofobia




Índice

-Introdução
-Racismo
-Xenofobia
-Discriminação Racial
-O racismo e a xenofobia na Europa
-É preciso
-Organizações de apoio
-Conclusão
-Bibliografia


Introdução

Este trabalho surge no âmbito da disciplina de filosofia com o tema: “O racismo e xenofobia”. Escolhi este tema, por ser intemporal e por, directa ou indirectamente afectar toda a gente, mas não só. Tive também o intuito de dar a conhecer as mais graves consequências destes preconceitos, onde e como se manifestam. Há muito para dizer sobre esta temática, no entanto, tentei seleccionar o que me parece ser mais importante!


Racismo

O racismo é a tendência do pensamento, ou do modo de pensar em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras. Onde existe a convicção de que alguns indivíduos e sua relação entre características físicas hereditárias, e determinados traços de carácter e inteligência ou manifestações culturais, são superiores a outros.
 O racismo não é uma teoria científica, mas um conjunto de opiniões pré concebidas onde a principal função é valorizar as diferenças biológicas entre os seres humanos, em que alguns acreditam ser superiores aos outros de acordo com sua matriz racial. A crença da existência de raças superiores e inferiores foi utilizada muitas vezes para justificar a escravidão, o domínio de determinados povos por outros, e os genocídios que ocorreram durante toda a história da humanidade.  
 Os racistas definem uma raça como sendo um grupo de pessoas que têm a mesma ascendência. Diferenciam as raças com base em características físicas como a cor de pele e o aspecto do cabelo. Investigações recentes provam que a “raça” é um conceito inventado. A noção de “raça” não possui qualquer fundamento biológico. A palavra “racismo” é igualmente usada para descrever um comportamento abusivo ou agressivo para com os membros de uma “raça inferior”.
O racismo reveste-se de várias formas nos diversos países, consoante a sua história, cultura e outros factores sociais. Uma forma relativamente recente de racismo, por vezes denominada “diferenciação étnica ou cultural”, defende que todas as raças e culturas são iguais, mas não se deviam misturar, de maneira a conservar a sua originalidade. Não há nenhuma prova científica da existência de raças diferentes. A biologia só identificou uma raça: a raça humana.
A importância que o homem dá à cor da pele do seu semelhante, é deveras preocupante. Na realidade, em muitos casos a diferença da cor da pele é uma barreira muito mais determinante para a comunicação entre as pessoas do que a própria diferença linguística, isto pode ser considerado um fenómeno  anti-natura, uma vez que não vemos na natureza os animais minimamente preocupados com as diferenças de pelagem ou penas.
A diferença de cor entre as pessoas tem uma explicação científica para a qual o homem não contribui minimamente: a maior ou menor concentração de melanina da pele, que torna a pele da pessoa mais o menos escura.
 "O racismo começa quando a diferença, real ou imaginária, é usada para justificar uma agressão. Uma agressão que assenta na incapacidade para compreender o outro, para aceitar as diferenças e para se empenhar no diálogo".
Mário Soares, antigo presidente de Portugal




Xenofobia

Xenofobia quer dizer aversão a outras raças e culturas. Muitas vezes é característica de um nacionalismo excessivo. A xenofobia é um medo intensivo, descontrolado e desmedido em relação a pessoas ou grupos diferentes, com as quais nós habitualmente não contactamos.



«A criatividade só pode ter origem na diferença.»
Yehudi Menuhin, violinista e defensor dos Direitos do Homem

Discriminação racial

 Entende-se por discriminação racial qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência em função da raça, origem, cor ou etnia, que tenha por objectivo ou produza como resultado a anulação ou restrição do reconhecimento, fruição ou exercício, em condições de igualdade, de direitos, liberdades e garantias ou de direitos económicos, sociais e culturais.
  Uma das formas de descriminação racial é:
>> A intolerância - é a falta de respeito pelas práticas e convicções do outro. Aparece quando alguém se recusa a deixar outras pessoas agirem de maneira diferente e terem opiniões diferentes. A intolerância pode conduzir ao tratamento injusto de certas pessoas em relação ás suas convicções religiosas, sexualidade ou mesmo à sua maneira de vestir. Está na base do racismo, do anti-semitismo, da xenofobia e da discriminação em geral. Frequentemente, pode conduzir à violência. A intolerância não aceita.

Contudo, existem formas de combate à discriminação racial.

MEIOS JURIDICOS DE COMBATE AO RACISMO E A XENOFOBIA
Legislação que proíbe as descriminações no exercício de direitos, por motivos baseados na raça, cor nacionalidade ou origem étnica: Lei nº 134/99, de 28 de Agosto; Decreto-Lei nº 111/2000, de 4 de Julho.
- A igualdade é a característica do que é igual. O que significa que nenhuma pessoa é mais importante que outra, quaisquer que sejam os seus pais e a sua condição social. Naturalmente, as pessoas não têm os mesmos interesses e as mesmas capacidades, nem estilos de vida idênticos. Consequentemente, a igualdade entre as pessoas significa que todos têm os mesmos direitos e as mesmas oportunidades. No domínio da educação e do trabalho, devem dispor de oportunidades iguais, apenas dependentes dos seus esforços. A igualdade só se tornará uma realidade quando todos tiverem, em termos idênticos, acesso ao alojamento, à segurança social, aos direitos cívicos e à cidadania.
- O interculturalismo consiste em pensar que nós enriquecemos através do conhecimento de outras culturas e dos contactos que temos com elas e que desenvolvemos a nossa personalidade ao encontrá-las. As pessoas diferentes deveriam poder viver juntas apesar da sua diferença cultural. O interculturalismo é a aceitação e o respeito pelas diferenças.

«Crer no interculturalismo é crer que se pode aprender e enriquecer através do encontro com outras culturas.» UNIDOS para uma ação intercultural


O racismo e a xenofobia na Europa

A Europa, tal como os restantes continentes, vive sob o impacte da globalização, de uma maior mobilidade internacional e do incremento dos fluxos migratórios. O aumento da intolerância política, religiosa e étnica bem como o desencadear de vários conflitos armados, dentro e fora do espaço europeu, provocaram a saída de inúmeros contingentes populacionais das suas terras, refugiados nem sempre bem acolhidos em ambientes que lhes são pouco familiares. Carências económicas, a par de problemas sociais vividos pelos cidadãos de determinado Estado, têm contribuído para o surgimento de tensões evidenciadas sob formas de racismo "flagrante" e "subtil" contra determinados grupos, entre os quais comunidades migrantes e minorias étnicas ou religiosas (por exemplo, os ciganos, os judeus, os muçulmanos). Tais ressentimentos têm sido agravados pelo fomento de doutrinas xenófobas por parte de partidos políticos, designadamente os de extrema-direita, que não só deles se aproveitam para justificar períodos de maior vulnerabilidade económico-social no seu próprio país, como ainda, através dos nacionalismos exacerbados patentes nos seus discursos, adicionam às ideologias já enraizadas novas ondas de intolerância. Embora tendo presentes os maus exemplos do passado (Holocausto, apartheid, etc.), a verdade é que sentimentos desta natureza persistem na Europa, em prejuízo de indivíduos ou colectivos segregados, independentemente do seu nível económico e da partilha ou não dos valores, princípios e matrizes fundamentais da sociedade de acolhimento. Em todo o caso, os níveis e expressões de racismo variam muito de país para país, espelhando não só diferentes posturas e modos de lidar com a presença de imigrantes, minorias étnica e estrangeiros, como também políticas mais ou menos consistentes de combate à discriminação (saliente-se a atenção depositada pela Holanda e Reino Unido a estas questões).

«A Europa é uma sociedade multicultural e multinacional que se enriquece com esta variedade. No entanto, a constante presença do racismo na nossa sociedade não pode ser ignorada. O racismo toca toda a gente. Degrada as nossas comunidades e gera insegurança e medo.»
Pádraig Flynn, Comissário Europeu

É preciso...

A atitude perante o "outro" depende em larga medida de uma sobreposição, por vezes contraditória, de identidades, influências e lealdades, cuja interacção resulta numa disposição particular para a cooperação transnacional. De forma a podermos combater os impulsos conflituosos que derivam de todo este contexto, é preciso encontrar o que Talcot Parsons chama de "core system of shared meaning".
 É preciso, nacional e internacionalmente, promover um relacionamento institucional, económico, político, social e inter-pessoal coerente.
  Esta coerência passa pelo reforço da interculturalidade. E esta assenta no conhecimento do "outro", daí a sua importância fundamental no combate ao racismo e à xenofobia, que assentam em preconceitos resultantes do desconhecimento ou conhecimento deturpado.
  A interculturalidade é uma batalha a ganhar gradualmente e vários são os campos onde podem ser levadas a cabo acções decisivas. A Educação é, sem dúvida, uma das áreas onde numerosas vitórias podem ser conseguidas. Não é, na verdade, uma tarefa fácil mas é certamente uma das vias a seguir dada a sua influência estrutural na preparação dos cidadãos de amanhã.

Organizações de apoio às vítimas de
racismo e xenofobia



O SOS RACISMO foi criado em 10 de Dezembro de 1990. A sua criação partiu da iniciativa de um grupo de pessoas que, assim, se propôs lutar contra o Racismo e a Xenofobia em Portugal, contribuindo para a formação de uma sociedade em que todos tenham os mesmos direitos.
O SOS RACISMO constitui uma associação sem fins lucrativos, tendo-lhe sido atribuído o estatuto de utilidade pública em 1996. Desde da data da sua criação, o SOS RACISMO tem vindo a desenvolver actividades diversificadas, que abrangem cada vez mais áreas de intervenção, de forma a tornar possível uma ação conjunta nos vários sectores da sociedade portuguesa.
Há igualmente um esforço no sentido de colaborar com outras associações anti racistas e de imigrantes a nível nacional. O SOS RACISMO desenvolve, igualmente, actividades e acções em conjunto com outras associações de países europeus, estando actualmente activamente envolvido na criação de uma rede anti racista europeia, em conjunto com vários países da Europa. A associação tem vindo a crescer e, apesar de a maioria do trabalho realizado seja efectuado por voluntários, dispõe já, de um número significativo de núcleos espalhados por diversos pontos do país.
Principais objectivos:
O SOS RACISMO propõe-se trabalhar no sentido de contribuir para a criação de uma sociedade justa, igualitária e multicultural, sem racismo e xenofobia. Para alcançar, ou pelo menos, aproximar-se desse ideal, existem variados objectivos específicos a concretizar
F       Criação de infra–estruturas de apoio às populações imigrantes e das minorias étnicas;
F     A criação de uma política concreta de inserção das minorias étnicas na sociedade portuguesa;
F     Concepção de um quadro jurídico – legal susceptível de punir eficazmente comportamentos racistas e xenófobos;
F     Consciencialização e responsabilização das autoridades e população portuguesa face à problemática da discriminação racial e xenófoba;
F     Estabelecimento de uma ação consertada, entre a diversas associações de direitos humanos, de imigrantes e  anti – racistas;
F     Motivação e mobilização dos imigrantes e minorias étnicas no sentido de fazer valer os seus direitos;



A AI foi criada pelo advogado britânico Peter Benenson em 1961. Ele ficou chocado ao ler a notícia de um jornal sobre o caso de dois estudantes portugueses que tinham sido condenados a sete anos de prisão por terem feito um brinde à "liberdade" num restaurante em Portugal. Benenson começou a pensar nas formas de convencer o governo português bem como outros governos autoritários a libertar vítimas de injustiça. Com o objectivo de conseguir a liberdade de prisioneiros políticos, Benenson e outros activistas lançaram uma campanha designada por "Apelo a favor de uma Amnistia em 1961" que se prolongou por um ano. A campanha foi divulgada internacionalmente a 28 de Maio de 1961 através de um artigo num jornal sob o título "Prisioneiros Esquecidos".
A AI é independente de qualquer governo, partido político ou credo religioso. Depende de contribuições individuais e de donativos dos seus membros e simpatizantes espalhados pelo mundo inteiro. Para proteger a independência da organização, todas as contribuições são estritamente controladas por directrizes emitidas pelo Conselho Internacional. A AI tem estatuto consultivo nas Nações Unidas (ECOSOC), na Unesco e no Conselho da Europa. Tem relações de cooperação com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, a Organização dos Estados Americanos (OAU) e a Organização de Estados Americanos (OEA).
É membro da Comissão para o Realojamento e Educação de Refugiados Africanos, da Organização da Unidade Africana.
Em 1977 recebeu o Prémio Nobel da Paz.



A Organização das Nações Unidas nasceu oficialmente a 24 de Outubro de 1945, data em que a sua Carta foi ratificada pela maioria dos 51 Estados Membros fundadores. O dia é agora anualmente celebrado em todo o mundo como Dia das Nações Unidas.
O objectivo da ONU é unir todas as nações do mundo em prol da paz e do desenvolvimento, com base nos princípios de justiça, dignidade humana e bem-estar de todos. Dá aos países a oportunidade de tomar em consideração a interdependência mundial e os interesses nacionais na busca de soluções para os problemas internacionais.
Actualmente a Organização das Nações Unidas é composta por 191 Estados Membros. Reúnem-se na Assembleia Geral, que é a coisa mais parecida com um parlamento mundial. Cada país, grande ou pequeno, rico ou pobre, tem um único voto; contudo, as decisões tomadas pela Assembleia não são vinculativas. No
entanto, as decisões da Assembleia tornam-se resoluções, que têm o peso da opinião da comunidade internacional.
A sede das Nações Unidas fica em Nova Iorque, nos Estados Unidos, mas o terreno e os edifícios são território internacional.  A ONU tem a sua própria bandeira, correios e selos postais. São utilizadas seis línguas oficiais: Árabe, Chinês, Espanhol, Russo, Francês e Inglês – as duas últimas são consideradas línguas de trabalho. A sede das Nações Unidas na Europa fica em Genebra, Suíça. Têm escritórios em Viena, Áustria, e Comissões Regionais na Etiópia, Líbano, Tailândia e Chile.
O Secretariado das Nações Unidas é chefiado pelo Secretário-Geral. O logótipo da ONU representa o mundo rodeado por ramos de oliveira, símbolo da paz.
Os objectivos das Nações Unidas:
- Manter a paz em todo o mundo.
- Fomentar relações amigáveis entre nações.
- Trabalhar em conjunto para ajudar as pessoas a viverem melhor, eliminar a pobreza, a doença e o analfabetismo no mundo, acabar com a destruição do ambiente e incentivar o respeito pelos direitos e liberdades dos outros.
- Ser um centro capaz de ajudar as nações a alcançarem estes objectivos.

Conclusão

Este trabalho serviu para uma análise mais aprofundada de dois temas intemporais que, directa ou indirectamente, nos afectam.
É de notar uma maior abundância de informação sobre o racismo, talvez por ser um tema muito mais badalado ao longo da história da humanidade.
Depois de ter terminado, fiquei ciente que o racismo e a xenofobia dependem única e exclusivamente da mente de cada um. Começou porque o permitimos, continua porque assim o queremos e acabará quando todos nos mentalizarmos que este tipo de preconceito só degrada a relação com “o outro”.
Por muitas organizações que haja, a luta contra o racismo e a xenofobia é uma luta interior.
 
Todos diferentes

Todos iguais


Bibliografia

http://pt.wikipedia.org/wiki/Racismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Xenofobia
http://www.vestibular1.com.br/revisao/racismo.doc
http://www.minerva.uevora.pt/
http://www.casadobrasildelisboa.rcts.pt/arq-artigos/racismo-xenofobia-europa.doc




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Violência Doméstica


Índice


-O que é a violência doméstica
-Tipos de violência
-O que fazer se for vítima de violência
-Bibliografia
 

O que é a violência doméstica

A violência doméstica é um problema universal que atinge milhares de pessoas, em grande número de vezes de forma silenciosa e dissimuladamente.

Trata-se de um problema que acomete ambos os sexos e não costuma obedecer nenhum nível social, económico, religioso ou cultural específico, como poderiam pensar alguns.

Sua importância é relevante sob dois aspectos; primeiro, devido ao sofrimento indescritível que imputa às suas vítimas, muitas vezes silenciosas e, em segundo, porque, comprovadamente, a violência doméstica, incluindo aí a Negligência Precoce e o Abuso Sexual, podem impedir um bom desenvolvimento físico e mental da vítima.

Segundo o Ministério da Saúde, as agressões constituem a principal causa de morte de jovens entre 5 e 19 anos. A maior parte dessas agressões provém do ambiente doméstico.

A Unicef estima que, diariamente, 18 mil crianças e adolescentes sejam espancados no Brasil. Os acidentes e as violências domésticas provocam 64,4% das mortes de crianças e adolescentes no País, segundo dados de 1997.

 

 

Tipos de Violência

Violência Doméstica, segundo alguns autores, é o resultado de agressão física ao companheiro ou companheira. Para outros o envolvimento de crianças também caracterizaria a Violência Doméstica.

A vítima de Violência Doméstica, geralmente, tem pouco auto estima e se encontra atada na relação com quem agride, seja por dependência emocional ou material. O agressor geralmente acusa a vítima de ser responsável pela agressão, a qual acaba sofrendo uma grande culpa e vergonha. A vítima também se sente violada e traída, já que o agressor promete, depois do ato agressor, que nunca mais vai repetir este tipo de comportamento, para depois repeti-lo.

Em algumas situações, felizmente não a maioria, de franca violência doméstica persistem cronicamente porque um dos cônjuges apresenta uma atitude de aceitação e incapacidade de se desligar daquele ambiente, sejam por razões materiais, sejam emocionais. Para entender esse tipo de personalidade persistentemente ligada ao ambiente de violência doméstica poderíamos compará-la com a atitude descrita como co-dependência, encontrada nos lares de alcoolistas e dependentes químicos.

Para entender a violência doméstica, deve-se ter em mente alguns conceitos sobre a dinâmica e diversas faces da violência doméstica, como por exemplo:

Violência Física

Violência física é o uso da força com o objectivo de ferir, deixando ou não marcas evidentes. São comuns murros e tapas, agressões com diversos objectos e queimaduras por objectos ou líquidos quentes. Quando a vítima é criança, além da agressão activa e física, também é considerado violência os factos de omissão praticados pelos pais ou responsáveis.

Quando as vítimas são homens, normalmente a violência física não é praticada directamente. Tendo em vista a habitual maior força física dos homens, havendo intenções agressivas, esses factos podem ser cometidos por terceiros, como por exemplo, parentes da mulher ou profissionais contratados para isso. Outra modalidade é as agressões que tomam o homem de surpresa, como por exemplo, durante o sono. Não são incomuns, actualmente, a violência física doméstica contra homens, praticados por namorados (as) ou companheiros (as) dos filhos (as) contra o pai.

Apesar de nossa sociedade parecer obcecada e entorpecida pelos cuidados com as crianças e adolescentes, é bom ressaltar que um bom número de agressões domésticas é cometido contra os pais por adolescentes, assim como contra avós pelos netos ou filhos. Dificilmente encontramos trabalhos nessa área.

Não havendo uma situação de co-dependência do(a) parceiro(a) à situação conflituante do lar, a violência física pode perpetuar-se mediante ameaças de "ser pior" se a vítima reclamar há autoridades ou parentes. Essa questão existe na medida em que as autoridades se omitem ou tornam complicadas as intervenções correctivas.

O abuso do álcool é um forte agravante da violência doméstica física. A Embriagues Patológica é um estado onde a pessoa que bebe torna-se extremamente agressiva, às vezes nem lembrando com detalhes o que tenha feito durante essas crises de furor e ira. Nesse caso, além das dificuldades práticas de coibir a violência, geralmente por omissão das autoridades, ou porque o agressor quando não bebe "é excelente pessoa", segundo as próprias esposas, ou porque é o esteio da família e se for detido todos passarão necessidade, a situação vai persistindo.

Também portadores de Transtorno Explosivo da Personalidade são agressores físicos contumazes.  Convém lembrar que, tanto a Embriagues Patológica quanto o Transtorno Explosivo têm tratamento. A Embriagues Patológica pode ser tratada, seja procurando tratar o alcoolismo, seja às custas de anticonvulsivantes (carbamazepina). Estes últimos também úteis no Transtorno Explosivo.

Mesmo reconhecendo as terríveis dificuldades práticas de algumas situações, as mulheres vítimas de violência física podem ter alguma parcela de culpa quando o fato se repete pela 3a. Vez. Na primeira ela não sabia que ele era agressivo. A segunda aconteceu porque ela deu uma chance ao companheiro de corrigir-se mas, na terceira, é indesculpável.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram agredidas fisicamente por seus parceiros entre 10% a 34% das mulheres do mundo. De acordo com a pesquisa “A mulher brasileira nos espaços públicos e privados” – realizada pela Fundação Perseu Abramo em 2001, registrou-se espancamento na ordem de 11% e calcula-se que perto de 6,8 milhões de mulheres já foram espancadas ao menos uma vez.

Violência Psicológica

A Violência Psicológica ou Agressão Emocional, às vezes tão ou mais prejudicial que a física, é caracterizada por rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito e punições exageradas. Trata-se de uma agressão que não deixa marcas corporais visíveis, mas emocionalmente causa cicatrizes indeléveis para toda a vida.

Um tipo comum de Agressão Emocional é a que se dá sob a autoria dos comportamentos histéricos, cujo objectivo é mobilizar emocionalmente o outro para satisfazer a necessidade de atenção, carinho e de importância. A intenção do(a) agressor(a) histérico(a) é mobilizar outros membros da família, tendo como chamariz alguma doença, alguma dor, algum problema de saúde, enfim, algum estado que exija atenção, cuidado, compreensão e tolerância.

É muito importante considerar a violência emocional produzida pelas pessoas de personalidade histérica, pelo fato dela ser predominantemente encontrada em mulheres, já que, a quase totalidade dos artigos sobre Violência Doméstica dizem respeito aos homens agredindo mulheres e crianças. Esse é um lado da violência onde o homem sofre mais.

No histérico, o traço prevalente é o “histrionismo”, palavra que significa teatralidade. O histrionismo é um comportamento caracterizado por colorido dramático e com notável tendência em buscar atenção contínua. Normalmente a pessoa histérica conquista seus objectivos através de um comportamento afectado, exagerado, exuberante e por uma representação que varia de acordo com as expectativas da plateia. Mas a natureza do histérico não é só movimento e ação; quando ele percebe que ficar calado, recluso, isolado no quarto ou com ares de “não querer incomodar ninguém” é a atitude de maior impacto para a situação, acaba conseguindo seu objectivo comportando-se dessa forma.

Através das atitudes histriônicas o histérico consegue impedir os demais membros da família a se distraírem, a saírem de casa, e coisas assim. Uma mãe histérica, por exemplo, pode apresentar um quadro de severo mal-estar para que a filha não saia, para que o marido não vá pescar,   não vá ao futebol com amigos... A histeria quando acomete homens é pior ainda. O homem histérico é a grande vítima e o maior mártir, cujo sacrifício faz com que todos se sintam culpados.

Outra forma de Violência Emocional é fazer o outro se sentir inferior, dependente, culpado ou omisso é um dos tipos de agressão emocional dissimulada mais terríveis. A mais virulenta atitude com esse objectivo é quando o agressor faz tudo correctamente, impecavelmente certinho, não com o propósito de ensinar, mas para mostrar ao outro o tamanho de sua incompetência. O agressor com esse perfil tem prazer quando o outro se sente inferiorizado, diminuído e incompetente. Normalmente é o tipo de agressão dissimulada pelo pai em relação aos filhos, quando esses não estão saindo exactamente do jeito idealizado ou do marido em relação às esposas.

O comportamento de oposição e aversão é mais um tipo de Agressão Emocional. As pessoas que pretendem agredir se comportam contrariamente àquilo que se espera delas. Demoram no banheiro, quando percebem alguém esperando que saiam logo, deixam as coisas fora do lugar quando isso é reprovado, etc. Até as pequenas coisinhas do dia-a-dia podem servir aos propósitos agressivos, como deixar uma torneira pingando, apertar o creme dental no meio do tubo e coisas assim. Mas isso não serviria de agressão se não fossem atitudes reprováveis por alguém da casa, se não fossem intencionais.

Essa atitude de oposição e aversão costuma ser encontrada em maridos que depreciam a comida da esposa e, por parte da esposa, que, normalmente se aborrecendo com algum sucesso ou admiração ao marido, ridiculariza e coloca qualquer defeito em tudo que ele faça.

Esses agressores estão sempre a justificar as atitudes de oposição como se fossem totalmente irrelevantes, como se estivessem correctas, fossem inevitáveis ou não fossem intencionais. "Mas, de fato a comida estava sem sal... Mas, realmente, fazendo assim fica melhor..." e coisas do género. Entretanto, sabendo que são perfeitamente conhecidos as preferências e estilos de vida dos demais, atitudes irrelevantes e aparentemente inofensivas podem estar sendo propositadamente agressivas.

As ameaças de agressão física (ou de morte), bem como as crises de quebra de utensílios, mobílias e documentos pessoais também são consideradas violência emocional, pois não houve agressão física directa. Quando o(a) cônjuge é impedida(a) de sair de casa, ficando trancado(a) em casa também se constitui em violência psicológica, assim como os casos de controlo excessivo (e ilógico) dos gastos da casa impedindo atitudes corriqueiras, como por exemplo, o uso do telefone.

Violência Verbal

A violência verbal normalmente se dá concomitante à violência psicológica. Alguns agressores verbais dirigem sua artilharia contra outros membros da família, incluindo momentos quando estes estão na presença de outras pessoas estranhas ao lar. Em decorrência de sua menor força física e da expectativa da sociedade em relação à violência masculina, a mulher tende a se especializar na violência verbal mas, de fato, esse tipo de violência não é monopólio das mulheres.

Por razões psicológicas íntimas, normalmente decorrentes de complexos e conflitos, algumas pessoas se utilizam da violência verbal infernizando a vida de outras, querendo ouvir, obsessivamente, confissões de coisas que não fizeram. Atravessam noites nessa tortura verbal sem fim. "Você tem outra+o).... Você olhou para fulana+o)... Confesse, você queria ter ficado com ela (e)" e todo tido de questionamento, normalmente argumentados sob o rótulo de um relacionamento que deveria se basear na verdade, ou coisa assim.

A violência verbal existe até na ausência da palavra, ou seja, até em pessoas que permanecem em silêncio. O agressor verbal, vendo que um comentário ou argumento é esperado para o momento, se cala, emudece e, evidentemente, esse silêncio machuca mais do que se tivesse falado alguma coisa.

Nesses casos a arte do agressor está, exactamente, em demonstrar que tem algo a dizer e não diz. Aparenta estar doente mas não se queixa, mostra estar contrariado, "fica bicudo" mas não fala, e assim por diante. Ainda agrava a agressão quando atribui a si a qualidade de "estar quietinho em seu canto", de não se queixar de nada, causando maior sentimento de culpa nos demais.

Ainda dentro desse tipo de violência estão os casos de depreciação da família e do trabalho do outro. Um outro tipo de violência verbal e psicológica diz respeito às ofensas morais. Maridos e esposas costumam ferir moralmente quando insinuam que o outro tem amantes. Muitas vezes a intenção dessas acusações é mobilizar emocionalmente o(a) outro(a), fazê-lo(a) sentir diminuído(a). O mesmo peso de agressividade pode ser dado aos comentários depreciativos sobre o corpo do(a) cônjuge.  

 

 

 O que fazer se for uma vítima de violência

 

Ainda que não haja sinais externos de agressão, deve recorrer ao hospital local (de preferência), centro de saúde ou médico particular para ser observada e tratada; é importante identificar o agressor. Se reside nas grandes áreas de Lisboa, Porto e Coimbra, deve dirigir-se para exame médico-legal, ao respectivo Instituto de medicina Legal, onde está, diariamente, escalado um perito médico-legal.

Fora destas áreas, deve dirigir-se aos Gabinetes Médico-legais, a funcionar continuamente, nos Hospitais de: Almada, Angra do Heroísmo, Aveiro, Beja, braga, Bragança, Cascais, Castelo Branco, Chaves, Évora, Faro, Figueira da Foz, Funchal, Guarda, Grândola, Guimarães, Leiria, Penafiel, Ponta Delgada, Portalegre, Portimão, Santa Maria da Feira, Santarém, Setúbal, Tomar, Torres Vedras, Viana do Castelo, Vila Franca de Xira, Vila Real, Viseu.

Os Institutos e os Gabinetes podem receber denúncias de crimes e praticar os actos cautelares necessários e urgentes para assegurar os meios de prova, procedendo, nomeadamente, ao exame de vestígios e transmitindo essas denúncias, no mais curto prazo, ao Ministério Público.

Deve apresentar queixa contra o agressor, podendo, para o efeito, dirigir-se à esquadra (ou elemento da PSP em serviço na urgência do hospital), posto da GNR do local onde ocorreu a agressão ou Polícia Judiciária ou directamente ao Tribunal. Poderá também dirigir-se ao Instituto de Medicina Legal (Lisboa, Coimbra e Porto), ou aos gabinetes médico-legais, que funcionam em muitos hospitais de todo o País. Para qualquer destas diligências faça-se acompanhar, se possível, de familiar ou pessoa amiga.

Ao apresentar queixa, deve exigir documento comprovativo de a ter feito.

Se ao apresentar queixa contra o marido, companheiro, ou progenitor de descendente comum em 1.º grau (pais), receia que a sua integridade física ou psíquica, ou a dos filhos, fique ameaçada, pode sair de casa.

Deixar a casa em consequência de maus tratos que possam ser provados não prejudica o direito de ficar com os filhos, quando menores, de residir na casa de morada de família, de pedir alimentos ao cônjuge bem como o direito ao recheio da casa e outros bens do casal, no caso de vir, posteriormente, a divorciar-se.

A ocorrência de maus-tratos deve, tanto quanto possível, ser conhecida pelos familiares, incluindo os filhos, vizinhos ou pessoas amigas não só para poderem prestar assistência e apoio, como para poderem ser testemunhas em processo-crime ou de divórcio litigioso.

Os maus-tratos constituem um crime punido com pena de prisão ou de multa, podendo ainda ser aplicada a pena acessória de proibição de contacto com a vítima, incluindo a de afastamento desta.

Podem ser fundamento de divórcio ou separação litigiosa.



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Almeida Garrett (Vida e Obra) - Biografia



Introdução

"Vivemos num século democrático. Tudo o que se fizer há-de ser com o povo e pelo povo ou não se faz"
A frase, da autoria do próprio Garrett, consta na peça Frei Luís de Sousa e descreve bem o pensamento político-ideológico do autor.
Os sentimentos nacionalistas e a celebração do Povo como entidade formadora da nacionalidade são "gostos da época, típicos do romantismo e surgem como reacção da intelectualidade europeia à política hegemónica e aglutinadora de Napoleão", segundo palavras da estudiosa Maria de Fátima Marinho.
Como liberal e romântico, Almeida Garrett também procurou no Povo as raízes da identidade nacional e a sua obra espelha o compromisso que assumiu com os valores, as tradições e a História do país.
O gosto do escritor pelo popular evidenciou-se sobretudo na recolha que fez dos contos e tradições populares, reunidos em poesia no Romanceiro. Um trabalho muito próximo da etnografia e de que Garrett foi pioneiro em Portugal.
No entanto, o Povo de Garrett, como faz questão de evidenciar, "é um povo idealizado, inspirado nos valores do romantismo, que não são genuinamente os valores do povo real, ignorante e faminto".
Todavia Garrett foi, sobretudo, um ideólogo da burguesia liberal e os livros que escreveu demonstram o seu empenho na reforma político-social e cultural da sociedade portuguesa.


Romantismo

O Romantismo é um movimento cultural que surgiu na Europa e nos Estados Unidos da América a partir da segunda metade do século XVIII.
Romantismo deriva de "romance" (história de aventuras medievais), o qual teve uma grande divulgação no final dos anos setecentos, respondendo ao crescente interesse pelo passado gótico e pela nostalgia da Idade Média. Muito variada nas suas manifestações, esta corrente sustentava-se filosoficamente em três pilares: o individualismo, o subjectivismo e a intensidade.
O Romantismo português tem de ser enquadrado no cenário das guerras liberais . Forma-se à luz dos princípios da liberdade, igualdade e fraternidade. É, pois, investido de uma dimensão idealista. Deve ainda referir-se que os nossos primeiros grandes românticos foram exilados políticos e contactaram, na Europa, com outros escritores já empenhados na difusão das normas da nova estética.
Costuma datar-se o início do Romantismo em 1825 com a publicação, em Paris, do poema Camões de Almeida Garrett. Todavia, esta obra não teve sequência imediata e é mais correcto datá-lo em 1836, ano de publicação de A Voz do Profeta de Herculano. Este é também o ano em que Passos Manuel, chefe do governo Setembrista, abre caminho à reforma do teatro português por Garrett.
O Romantismo é completamente o oposto da corrente anterior – o Classicismo. Representa, na literatura e na arte em geral, os anseios da classe burguesa que, na época, estava em ascensão. A literatura, portanto, abandona a aristocracia para caminhar ao lado do povo, da cultura leiga. Por esse motivo, acaba por ser uma oposição ao Classicismo. Ao Romantismo cabe a tarefa de criar uma linguagem nova, uma nova visão do mundo, identificada com os padrões simples de vida da classe média e da burguesia.
A arte romântica inicia uma nova e importante etapa na literatura, voltada para os assuntos do seu tempo – revoluções sociais e políticas, esperança e paixão, luta e rebeldia — e o quotidiano do homem burguês do século XIX; retrata uma nova atitude do homem perante si mesmo. O interesse dessa nova arte está voltado para a espontaneidade, os sentimentos e a simplicidade – sendo, assim, subjectiva e opondo- -se, desse modo, à arte clássica que cultivava a razão, isto é, a realidade objectiva.

Época Política em Portugal

Liberalismo em Portugal
O liberalismo começou a ganhar terreno em Portugal quando o regime absolutista do antigo regime entrou em crise. Esta crise prendia-se com a manutenção da preponderância social da nobreza; o exacerbado protagonismo da colónia brasileira relativamente à metrópole; e o carácter "sagrado" da realeza portuguesa.
A descrença neste regime político passava também pela propagação na Europa da ideologia revolucionária francesa, desde o final do século XVIII; as consequências das Invasões Francesas (1807-1810); a perda progressiva do Brasil (1808-1822); a débil estrutura económica; os resultados das guerras peninsulares que reafirmaram o poderio inglês; e o conservadorismo da decadente estrutura social portuguesa.
A primeira experiência liberal portuguesa, atribulada e pouco homogénea, encontrava- -se apartada do contexto europeu. Este distanciamento não só tinha a ver com a sua situação geográfica, mas sobretudo com o seu atraso ao nível mental, social e económico.
Estes factores atrasaram a adopção da nova ideologia, introduzida inicialmente nos meios burgueses as grandes cidades, onde este novo ideário político colhia mais adeptos.
Os principais promotores desta revolução liberal burguesa foram Manuel Fernandes de Tomás, José da Silva Carvalho e José de Ferreira Borges, os homens que tiveram um papel preponderante na evolução política de Portugal.
O primeiro fôlego liberal está intimamente ligado a um movimento intelectual associado ao pensamento iluminista da época das Luzes; com a maçonaria, uma sociedade secreta, que veiculava algumas correntes iluministas nas grandes cidades abertas ao exterior; e com uma nova mentalidade pré-romântica, que nascia nos meios burgueses.
Os militares portugueses encontravam-se numa situação difícil de gerir, pois estavam fortemente envolvidos em actividades revolucionárias ou contra-revolucionárias. A eles se deve a proclamação da extinção do regime absolutista, no Porto, a 24 de Agosto de 1820, pela guarnição militar da cidade. Como motivação próxima desta revolta temos a reacção ao domínio britânico, que se fez sentir depois da expulsão dos exércitos franceses (1810); como motivação de fundo, aponta-se a tentativa de reestruturação socioeconómica da nação num novo quadro político.
No "Relatório acerca do Estado Público de Portugal" da autoria de Fernandes Tomás, lido perante as Cortes Constituintes, reunidas pela primeira vez, em 1821, estão implicitamente enunciados os principais pontos do projecto liberal.
A situação da agricultura nacional era, segundo os liberais, calamitosa, sintetizada por um grande défice cerealífero; só o vinho, exportado largamente para a Europa e Brasil, se evidenciava como um produto rentável. Os forais eram considerados uma fonte de problemas e a supressão das ordens religiosas que se viria a registar em 1834 uma necessidade. O comércio vivera melhores dias com D. Maria, mas agora debatia-se com a falta de aproveitamento das vias fluviais, estava preso pelas taxas e municipais, que afectavam a livre circulação. A solução desta crise comercial já não passava pela aposta no Brasil; a nova esperança de renovação comercial repousava na aposta africana de Sá da Bandeira (1836) e na implementação de um programa de desenvolvimento dos transportes internos de Costa Cabral (1842-1846) e dos caminhos-de-ferro de Fontes Pereira de Melo, a partir de 1853.
As fábricas eram outro dos problemas a resolver. Este assunto foi debatido nas cortes; a questão do maquinismo e das manufacturas só viria, no entanto, a ser aprofundada durante o Setembrismo (1836). Quanto ao tesouro, este encontrava-se esgotado.
A Constituição de 1822 e as que se seguiram contêm os mais importantes princípios liberais: o direito à propriedade individual, onde assentam as liberdades individuais do cidadão; e o reconhecimento da nação portuguesa, considerada o conjunto dos portugueses "de ambos os hemisférios", isto é, numa alusão colonialista, primeiro o Brasil e depois o sonho africano, presente, como se disse, a partir de 1836.
A experiência liberal portuguesa, depois da legislação de Mouzinho da Silveira e da vitória liberal na guerra de 1832-1834, traduziu-se na transferência da propriedade, pertencente anteriormente às ordens religiosas, para uma nova burguesia ligada às actividades financeiras e sedenta de ascensão nobre. A pequena burguesia, interessada nas actividades industrial e artesanal, cedo se desiludiu com o advento do liberalismo; o povo não teve direito a muitas liberdades; ao longo do século XIX continuava a sua saga de emigração para o Brasil, procurando na ex-colónia a oportunidade de uma vida melhor.
No século XIX, no seio da burguesia intelectual, surgiu uma mentalidade romântica de valores liberais. Esta mentalidade está bem patente nas Cortes Gerais e nas obras literárias o Retrato de Vénus (1821) e Catão (1821) do multifacetado Almeida Garrett. Na pintura e na música esta mentalidade faz-se sentir na Alegoria do artista António Domingos Sequeira e nos hinos (Gratidão) e missas do músico João Domingos Bomtempo. Alexandre Herculano, o romancista e historiador, e Almeida Garrett, o jornalista, dramaturgo e político, são as figuras mais destacadas no panorama romântico nacional, exercendo uma forte influência na cultura oitocentista portuguesa, neste contexto liberal, oferecendo-nos duas perspectivas muito distintas, mas ambas decisivas, fundamentadas em diferentes experiências vivenciais.
Guerra Civil em Portugal (1832-1834)
Após a revolta de 1820, que implantou o liberalismo em Portugal, o país irá conhecer um longo período de instabilidade política, ditado pela oposição entre as facções liberais e as absolutistas e conservadoras. A monarquia constitucional teve dificuldades em se implantar, em parte devido às mentalidades enraizadas, que se opunham vivamente às mudanças jurídicas necessárias à instituição de uma nova ordem social, política e económica. Apesar de se verificarem mudanças nas posições sociais, a mentalidade continuava presa aos antigos moldes. Mesmo enfraquecida, a nobreza era regenerada a partir do exterior, através dos burgueses recém-titulados que perpetuavam a velha ordem. As camadas populares, em particular as rurais, em nome das quais havia sido feita a revolução, continuavam empobrecidas e fracas, conformadas com o seu destino. Este estado de coisas ajuda a esclarecer o tipo de reacções às medidas impostas pela legislação liberal, como a obrigatoriedade dos enterramentos em cemitérios ou a abolição dos dízimos, e também o eco que o ideário absolutista monárquico tinha numa grande parte da população portuguesa.
Assim se explica o golpe de D. Miguel, em 1823 (Vila-Francada), reprimido de forma pouco decidida por D. João VI (1767-1826). Tal facto levou a uma nova conspiração em Abril de 1824 (Abrilada), em que o príncipe D. Miguel, apoiado na rainha D. Carlota Joaquina, sua mãe, pretendeu restaurar a monarquia absolutista. O golpe terminou com o exílio do príncipe, mas as sementes da discórdia estavam lançadas. A atitude pouco enérgica do rei, por um lado, e as contradições políticas e sociais do liberalismo, por outro, deixam espaço para dúvidas que vão resultar numa guerra civil após a morte do monarca, em 1826. D. Miguel, regressado do exílio, decide assumir o poder em nome de D. Maria da Glória (futura D. Maria II), filha de D. Pedro IV, chegando ao país em 1828, sendo entusiasticamente recebido pela população. Poucos meses depois faz-se proclamar rei absoluto, desrespeitando o que havia prometido ao imperador brasileiro.
A guerra civil iniciou-se em Julho de 1832, com o desembarque das tropas liberais de D. Pedro IV no Mindelo, às quais se juntaram muitos liberais, que conspiravam no país e no estrangeiro. Após dois anos de lutas intensas, em que as tropas miguelistas revelam as suas fraquezas, a guerra civil termina no Alentejo com a assinatura da Convenção de Évora Monte (26/5/1834). D. Miguel foi afastado de cena mas o seu fantasma permanecerá através dos partidários do absolutismo e da velha ordem.
O liberalismo português não conseguia vencer as suas próprias contradições internas auto-gerando crises políticas, como a de Setembro de 1836 (pelos Setembristas, liberais radicais de esquerda), que voltou a adoptar a Constituição de 1822. O texto constitucional que a veio substituir, jurado em 1838, avançava na direcção de um maior liberalismo, pondo de lado o poder da realeza e alargando o direito de voto a um maior número de pessoas. Contudo, o Partido Setembrista acabou por se diluir nas forças moderadas, levando a que em 1848 Costa Cabral restaurasse a Carta Constitucional. Apenas os mais extremistas levantaram a voz contra este processo, como foi o caso do conde de Bonfim, líder da revolta militar de Torres Novas, em 1844, que falha por falta de apoio militar e popular, mas que é sintomática do estado da nação.
A tensão recrudesce com o autoritarismo da política cabralista, com a acção intervencionista do Estado, ainda que num sentido moderno. Leis como a da saúde pública, de 18 de Setembro de 1844, dão origem a uma série de revoltas populares que ficaram conhecidas por Revolta da Maria da Fonte (1846). Na sua origem está a obrigatoriedade de enterrar dentro dos cemitérios, bem como o pagamento de taxas pelos serviços prestados, que levaram ao levantamento da população de Fonte Arcada, na Póvoa de Lanhoso, que se sentia atingida nas suas mais profundas crenças religiosas. Perturbados por uma conjuntura de crise de subsistência, provocada por maus anos agrícolas, pelo aumento dos preços dos cereais e pela baixa dos salários, os populares da Região Norte do país, aos quais se juntaram membros do clero, revoltaram-se de forma tumultuosa, pilhando e queimando as repartições à sua passagem, atitude compreensiva tendo em conta que ainda vigoravam os direitos senhoriais e que as novas leis punham em causa os direitos comunitários. A intervenção das tropas levou à organização do movimento popular em juntas, politicamente aproveitadas pelas forças setembristas, cartistas e miguelistas. O governo de Costa Cabral acabou por se demitir e a lei da saúde pública revogada.
No entanto, a instabilidade dos novos governos não apaziguou os ânimos dos revoltosos, em particular os miguelistas. A Emboscada, nome dado ao golpe da rainha D. Maria II, que, orquestrada por Costa Cabral, no exílio, assume o poder nas suas mãos revogando a lei eleitoral, exaltando ainda mais os ânimos, levou a que a junta do Porto se revoltasse. Esta junta era liderada por Passos Manuel e apoiava-se na Guarda Nacional, na Infantaria 6 e na Artilharia 3. Outras juntas seguiram o seu caminho, eclodindo uma nova guerra civil conhecida por Patuleia. Durante seis meses foram travados duros combates por todo o país, terminados apenas com a intervenção de tropas inglesas, no âmbito da Quádrupla Aliança, que dão a vitória à rainha. A Convenção de Gramido (30 de Junho de 1847) marca o fim da guerra e, após algumas hesitações, marca o advento de uma nova era para o liberalismo português, com a subida ao poder do Duque de Saldanha, que propõe uma política de regeneração para o país.


Vida de Almeida Garrett

João Baptista da Silva Leitão, a que só depois acresceram os apelidos com que se notabilizou (Almeida Garrett), nasce a 4 de Fevereiro de 1799 numa casa da velha zona ribeirinha do Porto, não longe da alfândega onde o pai possuía o cargo de selador-mor.
 A 10 de Fevereiro é baptizado na igreja de Stº Ildefonso. Filho segundo, entre cinco irmãos, de António Bernardo da Silva e de Ana Augusta de Almeida Leitão, família burguesa ligada à actividade comercial e proprietária de terras na região portuense e nas ilhas açorianas.
Infância repartida pela Quinta do Castelo, para onde a família se transferiu, e a do Sardão, ambas ao sul do Douro, no concelho de Gaia. Ao legado de velhas histórias e lendas populares das criadas Brígida e Rosa de Lima junta-se o preceptorado do tio paterno, bispo de Malaca, Frei Alexandre da Sagrada Família, e do materno tio João Carlos Leitão, formado em cânones e depois juiz de fora no Faial.
Em 1809 parte com a família para os Açores, antes que as tropas de Soult entrassem no Porto. Passa a adolescência na ilha Terceira, destinado à carreira eclesiástica, entre a escola régia do padre João António e as aulas do erudito Joaquim Alves a que a aprendizagem no seio familiar dava sequência. Chegou a tomar ordens menores com que, por intercedência do tio Alexandre, então bispo de Angra, deveria ingressar na ordem de Cristo. No entanto, desde cedo recusou prosseguir.
Em 1821 vai para Coimbra e matricula-se no curso de Direito. Ao contacto com os escritores das Luzes acresceu a leitura dos primeiros românticos, enquanto transformava em ardor revolucionário a rápida adesão às ideias liberais. A vivência académica seria determinante na sua iniciação política e filosófica. Ainda estudante, participa no movimento conspirativo que conduziria à revolução de 1820. Paralelamente despontava, irreverente, a vocação literária: no ano seguinte surgia o seu primeiro livro, O Retrato de Vénus, um ousado poema que lhe mereceu um processo em tribunal.
Em 1823, após a subida ao poder dos absolutistas, é obrigado a exilar-se em Inglaterra onde inicia o estudo do romantismo, movimento artístico-literário então já dominante na Europa.
Regressa em 1826 e passa a participar na vida política aplicando-se em trabalhos políticos que fixaram as bases de doutrinação liberal por que irá pautar toda a sua posterior carreira de «homem público».
No período conturbado que se seguiu, o trajecto pessoal do escritor (já casado com uma menina elegante, Luísa Midosi) entrelaça-se com a história política do Liberalismo. A revolução foi um breve momento de entusiasmo liberal, logo desfeito pela chegada ao poder da facção conservadora, que apoiava o Infante D. Miguel.
No entanto em 1828 é obrigado a exilar-se novamente depois da contra-revolução de D. Miguel. No entanto, o escritor encontra na circunstância penosa do exílio uma oportunidade intelectualmente vantajosa. A permanência em França e Inglaterra permitiu-lhe conhecer o movimento cultural europeu, na sua dimensão artística e ideológica. A publicação (ainda em Paris) dos poemas Camões e Dona Branca – os primeiros textos românticos portugueses – constitui o resultado mais simbólico e expressivo dessa experiência. Seguiu-se a guerra civil, período em que ao novo rumo do gosto literário junta a pedagogia liberal de uma legalidade constitucional e de uma prática das liberdades, colaborando directamente nos primeiros monumentos legislativos do liberalismo e iniciando-se na carreira diplomática.
Em 1832, na Ilha Terceira, incorpora-se no exército liberal de D. Pedro IV e participa no cerco do Porto. Exerceu funções diplomáticas em Londres, em Paris e em Bruxelas. Após a Revolução de Setembro (1836) foi Inspector-geral dos Teatros e fundou o Conservatório de Arte Dramática e o Teatro Nacional.
Durante os anos 40, sob o regime autoritário de Costa Cabral, Garrett destaca-se na oposição; no entanto, o  entusiasmo e o fervor militante vão-se exaurindo, perante a instabilidade política, o materialismo triunfante e o próprio desvirtuamento do ideal liberal. Descontente com o devir da revolução, afasta-se da vida pública em 1847. Desse desencanto patriótico dão significativo testemunho algumas obras publicadas neste período, o mais fecundo da criação literária garrettiana (O Alfageme de Santarém, Frei Luís de Sousa, Viagens na Minha Terra e O Arco de Sant’Ana, por exemplo).
Em 1851 regressa ao Parlamento, já sob a acalmia política da Regeneração. Recebe nesta derradeira fase da vida alguns gestos oficiais de consagração: é feito visconde, em 1851 e nomeado Par do Reino, no ano seguinte; chega ainda a ocupar um cargo ministerial (Negócios Estrangeiros), de que seria demitido pouco tempo depois.
Irá falecer a 9 de Dezembro de 1854, vítima de cancro, em Lisboa, na sua casa situada na actual Rua Saraiva de Carvalho, em Campo de Ourique, depois de uma vida sentimental romanticamente atribulada: um casamento juvenil mal sucedido, com Luísa Midosi; a morte precoce da segunda companheira, Adelaide Pastor, que lhe deixa uma filha ilegítima; e por fim uma paixão adúltera, com a Viscondessa da Luz, celebrada em versos escandalosos.
Amante de prazeres mundanos, galante e apaixonado, foi sempre um conspícuo actor do palco social romântico, sabendo reverter em seu favor a imagem de dandy cosmopolita que sempre cultivou. No auge de uma carreira brilhante e de uma vida intensamente fruída, Almeida Garrett podia justamente orgulhar-se de ser (palavras suas)  «… um verdadeiro homem do mundo, que tem vivido nas cortes com os príncipes, no campo com os homens de guerra, no gabinete com os diplomáticos e homens de Estado, no parlamento, nos tribunais, nas academias, com todas as notabilidades de muitos países – e nos salões enfim com as mulheres e com os frívolos do mundo, com as elegâncias e com as fatuidades do século.»


A Obra

Tem o grande mérito de ser o introdutor do Romantismo em Portugal ao nível da criação textual - processo que iniciou com os poemas Camões (1825) e D. Branca (1826).
Ainda no domínio da poesia são de destacar o Romanceiro (recolha de poesias de tradição popular cujo 1.º volume sai em 1843), Flores sem Fruto (1845) e a obra-prima da poesia romântica portuguesa Folhas Caídas (1853) que nos dá um novo lirismo amoroso.
Na prosa, saliente-se O Arco de Sant'Ana (1.º vol. em 1845 e 2.º em 1851), romance histórico, e principalmente as suas célebres Viagens na Minha Terra (1846). Com este livro, a crítica considera iniciada a prosa moderna em Portugal.
E quanto ao teatro, deve mencionar-se Um Auto de Gil Vicente (1838), O Alfageme de Santarém (1841) e sobretudo o famoso drama Frei Luís de Sousa (1844).


Cronologia das Principais Obras

1820
Hymno Patriótico, Porto
1821
O Retrato de Vénus, Coimbra
1822
Catão, Lisboa
1825
Camões, Paris
1826
Bosquejo da História da Poesia e Língua Portuguesa (in Parnasso Lusitano), Paris; Dona Branca, Paris
1828
Adozinda, Londres
1829
Da Educação, Londres; Lírica de João Mínimo, Londres
1830
Portugal na Balança da Europa, Londres
1838
Um Auto de Gil Vicente
1841
Mérope – Gil Vicente, Lisboa
1842
O Alfageme de Santarém, Lisboa
1843
Romanceiro e Cancioneiro Geral, Lisboa
1844
Frei Luís de Sousa, Lisboa
1845-1850
O Arco de Sant’Anna, 2 vols, Lisboa
1846
Viagens na Minha Terra, Lisboa
1853
Folhas Caídas, Lisboa

Retrato

João Baptista da Silva Leitão, mais conhecido por Almeida Garrett, era um homem de estatura média, com boca e nariz grandes, mas que não desarmonizavam as feições do rosto que era comprido. Os olhos eram de cor verde-mar, grandes e cristalinos, límpidos e de um brilho ao mesmo tempo esplêndido e sereno.
Tinha a pele pálida e morena, realçando-lhe a cor preta da barba e a meia palidez do rosto num ar melancólico simpático. Usava cabeleira postiça desde muito jovem, em consequência de ter ficado com a cabeça defeituosa pela queda que dera de um cavalo, mas não era calvo, como muita gente pensava.
Os lábios eram delgados e quando conversava parecia pairar o sorriso de fina e delicada ironia, que lhe davam a pronunciada expressão de sabedoria, que a inveja e a ignorância traduziam por orgulho. Falava com extrema facilidade e singeleza, também lia admiravelmente e conversava com tanta amenidade e riqueza de engenho que a todos persuadia e cativava.
Tudo isto, fazia de Almeida Garrett um nobre dotado de um ar muito distinto e bastante agradável.


Conclusão

Ao elaborar este trabalho verifiquei que Almeida Garrett foi o impulsionador do Romantismo em Portugal e um dos escritores mais completos de toda a história de Portugal.
Apaixonado pelo belo e amante da liberdade, Almeida Garrett foi o escritor que melhor soube entender o mundo do seu tempo e deu-o a compreender aos vindouros.
A arte romântica inicia uma nova e importante etapa na literatura, voltada aos assuntos do seu tempo – efervescência social e política, esperança e paixão, luta e revolução — e ao quotidiano do homem burguês do século XIX; retrata uma nova atitude do homem perante si mesmo. O interesse dessa nova arte está voltado para a espontaneidade, os sentimentos e a simplicidade – sendo, assim, subjectiva -, opondo-se, desse modo, à arte clássica que cultivava a razão – realidade objectiva.
A arte, para o romântico, não se pode limitar à imitação, mas ser a expressão directa da emoção, da intuição, da inspiração e da espontaneidade vividas por ele na hora da criação, anulando, por assim dizer, o perfeccionismo tão exaltado pelos clássicos. Não há retoques após a concepção para não comprometer a autenticidade e a qualidade do trabalho.
Comprometido com o seu tempo e ávido de intervir nos destinos do país, Almeida Garrett não foi apenas escritor, mas também cronista, historiador, etnógrafo e crítico consciente. E os seus livros testemunham como poucos a época e o país em que viveu.


Bibliografia

Internet:
. http://pt.wikipedia.org/wiki/Almeida_Garrett
. http://purl.pt/96/1/bio/biografia.html
. http://www.edusurfa.pt/area.asp?tipo=1&seccao=4&area=2&artigoid=153
. http://pt.wikipedia.org/wiki/Romantismo
. http://martarib.tripod.com/rom_em_portugal.htm
. http://faroldasletras.no.sapo.pt/romantismo.htm
. http://www.arqnet.pt/portal/discursos/agosto01.html
. http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_Portuguesa_%281828-1834%29
. http://www.infopedia.pt/$liberalismo-em-portugal
. http://www.suapesquisa.com/biografias/almeida_garrett.htm
. http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/almeida-garret/index.php
Livros:
OLIVEIRA, Luís Amaro de – Frei Luís de Sousa. s.I Porto: Porto Editora, 2005



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Tipos de Rochas



Introdução

As rochas são, basicamente, associações naturais de dois ou mais minerais agregados ou não e, normalmente, cobrindo vastas áreas da crosta terrestre e, por vezes, embora raras, constituídas por um só mineral.
São, normalmente, agrupadas, de acordo com a sua origem, em três grandes classes: magmáticas ou ígneas, metamórficas e sedimentares.
Este trabalho é constituído por esses 3 tipos de rochas.
Vamos falar de um modo geral sobre estas rochas, sobre os seus tipos de rochas e sobre os seus minerais constituintes.
Tentamos simplificar ao máximo este trabalho, para que seja de fácil leitura.
Achamos que este trabalho de pesquisa está de acordo com o que foi pedido.
Rochas magmáticas

As rochas magmáticas resultam da consolidação e cristalização do magma. O magma é uma substância fluida, total ou parcialmente fundida, constituída, essencialmente, por uma fusão complexa de silicatos, silício e elementos voláteis, tais como vapor de água, cloretos, hidrogénio, flúor, e outros.
1) Das rochas magmáticas:
2) Das rochas metamórficas:
 3) Das rochas sedimentares:
Os magmas encontram-se na crosta terrestre a diferentes profundidades, em câmaras ou bolsadas magmáticas, a diferentes temperaturas de fusão as quais dependem da composição química do magma, da pressão a que está sujeito e da temperatura da rocha confinante.

Arrefecimento do magma
Estas rochas resultam do arrefecimento do magma.
Podem ser:
. Intrusivas ou plutónicas – como se formam no interior da crosta, são rochas que arrefecem lentamente. O granito é um exemplo, possuindo cristais bem visíveis. Esta rocha é constituída por três minerais: feldspato, mica e quartzo.
. Extrusivas ou vulcânicas – formam-se na superfície do planeta e o seu arrefecimento é rápido. Uma destas rochas é o basalto, este apresenta uma cor escura, é compacto e muito duro.
O que são?
Rochas Magmáticas ou ígneas: Estas são originadas através materiais em estado de fusão que se solidificam por resfriamento, entre eles os minerais feldspatos, a os óxidos metálicos, os minerais silicatos ferro-magnesianos, etc.


Rocha Magmática

Rochas Sedimentares

O que são?
Rochas Sedimentares são compostas por sedimentos carregados pela água e pelo vento, acumulados em áreas deprimidas; correspondem a 60% da superfície do território brasileiro; contém material fóssil; formam as bacias.
As rochas sedimentares são um dos três principais grupos de rochas (os outros dois sendo as rochas ígneas e as metamórficas) e formam-se por três processos principais:
· Pela deposição (sedimentação) das partículas originadas pela erosão de outras rochas (conhecidas como rochas sedimentares elásticas);
· Pela deposição dos materiais de origem biogénica;
· Pela precipitação de substâncias em solução.
As rochas sedimentares podem ser divididos em:
· Detríticas
· Orgânicas
· Químicas
O termo arenito corresponde á área litificada. É composto por quartzo, feldspato (ou outros minerais de origem ígnea).

Calcários são formados a partir do mineral calcita.

Conglomerado é formado por clastos rolados de tamanho superior a 2cm.

Argilitos são rochas lutáceas, contem quartzo, feldspato, calcários e micas.



Rochas Metamórficas

O que são?
A origem de seu nome vem do grego (meta = forma, mórficas = mudança).
As rochas Metamórficas têm origem no interior da terra, formam-se a partir de rochas que foram modificadas na sua estrutura, textura ou composição pela acção de altas temperaturas e pressões.
Nestes ambientes, os minerais podem se tornar instáveis e reagir formando outros minerais, estáveis nas condições vigentes.
O estudo das rochas metamórficas permite a identificação de grandes eventos geotectónicos ocorridos no passado, fundamentais para o entendimento da actual configuração dos continentes.
Tipos de metamorfismo
(processo em que as rochas sofrem várias transformações):
Tipos de metamorfismo
Descrição
Características
Tipos de rochas
Contacto
Quando as rochas ficam sujeitas a altas temperaturas, as rochas sofrem alterações dando origem a novas rochas.
Formação de minerais metamórficos sem orientação
Mármore, hornfels
Regional
Quando as rochas sofrem um grande peso das camadas superiores ocorre o aumento de pressão e temperatura
Abrange grandes extensões e ocorre nos níveis profundos da crosta sob pressão e temperatura elevadas
Filitos, xistos,
ardósias

Factores do Metamorfismo:
Para que se processem os reajustamentos de uma rocha metamórfica, é necessária a intervenção de condições físicas propícias à formação de novos minerais e estruturas e impróprias para a persistência dos elementos da rocha primitiva.
Os factores básicos que regem os processos metamórficos são:
1. Temperatura
As rochas ficam submetidas a temperaturas que provocarão diversas alterações, embora essas temperaturas não sejam suficientes para fundir as rochas. Portanto, a temperatura favorecerá reacções químicas entre minerais aumentando assim a vulnerabilidade das rochas que serão sujeitas a pressões.
2. Pressão
As rochas encontram-se a diferentes profundidades, e, desta forma, sujeitas a pressões variadas.
Os reajustamentos do metamorfismo processam-se sob a influência da pressão da carga das rochas subjacentes.
3. Fluidos metamórficos
Nos intervalos das rochas predominam diversos fluidos que são importantes e frequentes nas rochas de baixo metamorfismo. Esses fluidos têm a capacidade de dissolver os componentes químicos dos minerais necessárias às reacções químicas e na sua ausência a velocidade das reacções é muito reduzida.
4. Tempo
O tempo é importante na influência que tem sobre a obtenção de equilíbrio nas reacções químicas.
Somente a longa duração do processo de reorganização mineralógica torna possível que as reacções químicas se verifiquem de modo a obter associações de fases em equilíbrio.
Tipos de rochas metamórficas
Estas são alguns exemplos de rochas metamórficas:
Mármore

Ardósia

Quartzito Gnaisse

Pedra – Sabão Mica Xisto

Minerais formadores das rochas Metamórficas
Os Minerais metamórficos originam-se principalmente pela acção da temperatura e pressão que geram uma grande quantidade de minerais, dentro dos quais muitos dificilmente seriam formados por outros processos.
As transformações minerais dependem, em primeiro lugar, da composição da rocha original, e depois, da natureza ou do tipo de metamorfismo a que foi submetida.
Sob o ponto de vista da composição inicial, as rochas podem ser associadas em quatro séries diferente enumeradas a seguir:
a) Rochas argilosas.
b) Rochas arenosas, ígneas ácidas e tufos; xistos ácidos e gnaisses.
c) Calcários e outras rochas carbonatadas.
d) Rochas ígneas intermediárias, básicas em seus tufos.
A) Nas rochas argilosas, os constituintes minerais são os produtos mais finos do intemperado. Essas rochas sofrem reacções e mudanças bem caracterizadas, são as rochas que mais se prestam para o estabelecimento dos sucessivos graus de metamorfismo.
B) As rochas são constituídas principalmente de quartzo e feldspatos, que são minerais estáveis em condições mais acentuadas de temperatura e pressão.
Essas rochas sofrem mudanças que são difíceis de serem acompanhadas.
C) Calcários e dolomites impuros, em condições de equilíbrio instável, ao variar a temperatura e pressão, convertem-se em grupos de novos mineraisO dióxido de carbono libertado dessas rochas, durante o processo metamórfico, facilita as mudanças mineralógicas.
D) As rochas da quarta série são do tipo magmático básico. Tomemos como exemplo o basalto.
Os principais minerais das rochas magmáticas basálticas que são os feldspatos do tipo plagioclásios sódico – cálcicos; os piroxênios e olivinas (que são minerais de ferro) etc. são facilmente susceptíveis à mudança metamórfica.

Ciclo das Rochas


Conclusão

Gostamos bastante de fazer este trabalho, pois achamos que foi bastante educativo e ao mesmo tempo divertido.
Com toda esta pesquisa aprendemos várias informações sobre estes 3 tipos de rochas, sobre os seus minerais e sobre os seus tipos de rochas.
Achamos que foi óptimo e interessante poder fazer este trabalho, visto que aprendemos tantas coisas novas.


Bibliografia

Magmáticas

.http://www.eb23-paranhos.rcts.pt/Pagina%20Internet/magmaticas.html
.http://www.malhatlantica.pt/cnaturais/rochas.htm
.http://domingos.home.sapo.pt/rochas_1.html

Sedimentares

.http://pt.wikipedia.org/wiki/Rocha_sedimentar
.http://domingos.home.sapo.pt/rochas_4.html
.http://www.eb23-paranhos.rcts.pt/Pagina%20Internet/sedimentares.html

Metamórficas

.http://pt.wikipedia.org/wiki/Rocha_metam%C3%B3rfica
.http://orbita.starmedia.com/geoplanetbr/rochas.htm
.http://www.igc.usp.br/geologia/o_ciclo_das_rochas.php



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Tribos Urbanas



INTRODUÇÃO

Neste trabalho irá ficar a conhecer alguns movimentos chamados tribos urbanas.
Os jovens necessitam de procurar amigos com os mesmos gostos e pensamentos, formando um grupo. É bastante difícil caracterizar aprofundadamente um grupo pois estes estão sempre em mudança gerando novos grupos. Há vários tipos de movimentos, este trabalho contém informações sobre: basofes, betos, desportistas radicais, dorks, drag queens, emos, from uk, geeks, góticos, grunges, headbangers, hippies, mods, nerds, playboys, plocs, preppys, punks, rastas, skinheads, taceurs, vegans, white powers e yuppies.
Antes de começar a ler este trabalho, acho importante que se lembre de que é importante respeitar as diferenças mesmo que não concordemos com elas.


BASOFES

Origem:
EUA.

Estilo Musical:
Hip-hop e rap.

Aparência:
São reconhecidos pela sua extravagância em brincos, o chapéu e a bolsa que transportam.
Vestem roupas largas e adoram acessórios em ouro ou apenas dourados.

Características:
"Julgam-se” indivíduos criminosos que trocam bairros sociais por guettos Norte-Americanos.
São chamados de chunga, nome criado para caracterizá-los e estes não admitem que o são.
Têm falta de hábitos de higiene e são pobres.
Gostam de conduzir carros alterados com cores chamativas e com o volume da música extremamente alto.


BETOS

Grupo com mais adeptos em Portugal.

Origem:
EUA.

Estilo Musical:
Música electrónica, pop, músicas actuais.

Aparência:
Usam sempre as últimas tendências da moda.

Características:
São, normalmente, ricos e os que não o são fingem sê-lo.
A sua prioridade é a aparência.
Costumam ser “bonitos” e invejados.
Têm boas notas na escola.
Gostam de relacionamentos curtos e trocam de namorado(a) muitas vezes.
Não confraternizam com outras pessoas diferentes (que não usem roupas de marca, etc) apesar de serem muito sociáveis.
São chamados, também, de populares nas escolas.
Deixam-se influenciar por qualquer opinião.


DESPORTISTAS RADICAIS

Origem:
Surgiu em 1980 com a popularização das danças modernas depois se adaptaram para máquinas de ginásticas

Aparência:
Roupas próprias das modalidades desportivas praticadas

Manifestação:
Cultura ao corpo perfeito.
A sua prioridade é a saúde.


DORK

Origem:
EUA.

Aparência:
Extremamente magro  ou extremamente gordo, com falta de higiene pessoal.
Utiliza, geralmente, óculos pretos que, quando partidos, são arranjados com fita-cola.
Calças demasiado curtas. Vestem-se, normalmente, com roupas demasiado formais para a ocasião.

Características:
Anti-sociais, são incapazes de ter uma conversa excepto sobre temas técnicos, e tendem a  falar muito formalmente, especialmente com mulheres atraentes.
São péssimos desportistas devido a uma falta da força, de estamina, de adrenalina, de coordenação muscular e da inclinação em praticá-los.


DRAG QUEENS

Chama-se drag queen o homem que se veste com roupas exageradas femininas estilizadas]], e drag king a mulher que se veste como homem.

Origem:
EUA.

Hino:
"I will survive" de Gloria Gaynor.

Aparência:
São conhecidos pelos seus exageros no vestir, nos modos, na maquilhagem e pelo estilo cómico de se apresentar.

Características:
Existem também muitas drags que fazem eventos de heterossexuais, como animação de casamentos, festas de 15 anos, festas de finalistas, etc.
Embora na maioria das vezes os drag queens e kings sejam homossexuais (gays ou lésbicas), esta orientação sexual nem sempre é norma. Podem ser também bissexuais, assexuais e até mesmo heterossexuais.


EMOS

Emo (abreviação do inglês emotional).
O termo foi originalmente dado às bandas do cenário punk de Washington, DC que compunham num lirismo mais emotivo que o habitual.

Origem:
EUA.

Estilo musical:
Punk.
Algumas bandas: My Chemical Romance, Panic At The Disco, Mayday Parade.

Aparência:
Cabelos lisos e “colados” ao rosto.
Roupas pretas com caveiras, desenhos em xadrez, maquilhagem preta nos olhos (tanto rapazes como raparigas), pulseiras, colares e anéis pretos e com picos.

Características:
Gostam de estar nos cantos das casas ou qualquer lugar onde estão.
São muito emotivos, choram muito.
Fazem cortes na pela, principalmente nos pulsos, para se abstraírem das dos problemas emocionais.


FROM UK

Alvos preferidos das gozações, adolescentes adeptos do estilo Emo encontraram uma forma criativa – ainda que importada – de escapar do preconceito.

Origem:
Reino Unido

Estilo musical:
Equivalente ao dos Emo’s
 Algumas bandas: Bullet For My Valentine, Bring me the Horizon

Aparência:
Ao contrário dos Emo’s, os rapazes adeptos de From UK não utilizam o lápis preto nos olhos e as raparigas destacam os olhos com delineadores, rímel e sombras escuras.
Gostam de piercings nos lábios e nas sobrancelhas e alargadores de orelha


GEEKS

Aparência:
Excessivamente magros ou gordos, com roupas fora de moda, camisas (às vezes xadrez) muito fechadas e calças mais curtas do que deveriam.
As raparigas, geralmente, usam saia abaixo do joelho, meias à mostra e sapatos bem tradicionais.
É habitual vê-los de óculos, transportando calculadoras e portáteis.

Características:
Adora corrigir seus professores e colegas
Gosta de tudo relacionado à alta tecnologia
Gosta de filmes, livros e jogos de ficção científica/fantasia
Passa maior parte do tempo em frente ao computador
Tem sede de conhecimento, e quanto mais conhecimento adquire, mais deseja conhecer.
Gosta de ler, na maioria das vezes interessa-se por assuntos que a maioria não gosta ou desconhece o assunto
Encontra soluções fáceis para as coisas pois tem um rápido raciocínio.


GÓTICOS

Origem:
Reino Unido durante o final da década de 1970

Estilo musical:
Darkwave/gothic rock, death rock, trip hop, ebm, synthpop
Algumas bandas: Bauhaus, Joy Division, Specimen, The Cure, Siouxsie and the Banshees, Clan of Xymox, The Frozen Autumn

Aparência:
Roupas pretas, maquilhagens escuras (luto pela sociedade).

Manifestação:
Estudo sobre o que á de mais escuro nos seres humanos e que pode ser a fonte de libertação da sociedade.
Libertar as pessoas da manipulação daquilo que aparentemente é considerado satisfatório e desejável para o mundo.
Morte intelectual, ideológica dos seres e a favor de novas formas de ver o que aparentemente é novo e assustador para a sociedade


GRUNGES

Origem:
Seatle, EUA.

Estilo musical:
Rock alternativo, Punk rock, Noise rock, Heavy metal
Algumas Bandas: Nirvana, Pearl Jam, Alice in Chains, Soundgarden, Silverchair

Aparência:
Totalmente descompostos, usam calções abaixo dos joelhos, camisas de flanela quadriculadas, ténis sujos, calças rasgadas.

Manifestação:
Apoiam "o feio, o pobre, o sujo", em oposição ao glamour.


HEADBANGER

Headbanger ou metalhead é o um termo utilizado para designar um fã do estilo musical heavy metal ou qualquer uma das suas variantes. Também são designados metaleiros, termo que se refere especificamente à mesma tribo urbana.

Origem:
Final da década de 60.

Estilo musical:
Heavy metal, Extreme Gothic Metal, Symphonic Metal, Symphonic Black Metal, Vampyric Metal, Death Metal Melódico, Horror Metal.
Algumas bandas: Faith No More, HIM, KISS, Cradle Of Filth

Aparência:
O estilo chamado de old school é composto de casaco de ganga, camisola preta de banda ou não, calças de ganga, acessórios "opcionais" como cinto, braceletes e pulseiras e ténis alto, geralmente branco. Em épocas frias, casacos de couro também fazem parte do vestuário.


HIPPIES

Origem:
Califórnia, EUA em 1966.

Estilo musical:
Rock psicadélico, rock soft
Algumas bandas: The Beatles, Led Zeppelin, Pink Floyd

Aparência:
Cabelos muito compridos.
Roupas velhas e naturalmente rasgadas, para ir em oposição ao consumismo, ou então roupas com cores chamativas, além de diversos outros estilos incomuns (tais como calças boca-de-sino, camisas tingidas, roupas de inspiração indiana).

Características:
Uso de drogas como marijuana, haxixe, LSD, visando a "libertação da mente"
Culto pelo prazer livre, seja ele físico, sexual ou intelectual.
Repúdio à ganância e à falsidade.

Manifestação:
Defendem o amor livre e a não-violência


MODS

O símbolo usado pelo movimento Mod é originário da pop art, e foi baseado no símbolo usado nos aviões da RAF durante a Segunda Guerra Mundial; supõe-se que tenha sido uma evolução da t-shirt com um alvo estampado usada por Keith Moon, pois esta foi sua primeira conexão conhecida com os Mods.

Origem:
Londres no final da década de 50.

Estilo musical:
No início – Jazz moderno e rhythm and blues.
Mais tarde – Soul, ska jamaicano e o bluebeat
Algumas bandas: Small Faces, The Who e The Yardbirds

Características:
Utilizavam tipicamente scooters como meio de transporte, normalmente das marcas Lambretta ou Vespa
Depois que uma lei exigindo a instalação de pelo menos um espelho em motocicletas ser aprovada, os Mods adicionaram 4, 10, 32 espelhos às suas scooters como forma de gozar com a nova lei.
A sua vida social urbana era impulsionada, em parte, por anfetaminas


NERDS

Nerd é um termo que descreve uma pessoa que exerce intensas actividades intelectuais, que são consideradas inadequadas para a sua idade.
Também há uma versão na qual a palavra derivaria de Northern Electric Research and Development (Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da companhia Northern Electric do Canadá, hoje Nortel)

Origem:
Massachusetts Institute of Technology, Massachusetts, EUA na década de 50.

Aparência:
Semelhante à dos Geeks.

Sub-grupos:
Há muitos 'sub-grupos' de nerds. Dentre eles, pode-se destacar:
Geeks que são aqueles cujo interesse volta-se especialmente para a tecnologia, ciência e informática
Gamers, são os jogadores compulsivos de jogos de video
Cards Gamers, são os jogadores compulsivos de jogos de cartas (Yu-Gi-Oh, Magic, Pokemon)
RPGistas, são os participantes de Role playing games (RPG),   normalmente   medievais
Fanbase, ou também Fandom, é um grupo caracterizado por ser fã de uma obra, ou conjunto de obras específicas
Trekkers, ou Trekkie, é como são denominados os fãs de Star Trek
Otakus, são os viciados por animes, mangás e cultura japonesa
Doctor Who fandom
Fanposter
Harry Potter fandom
Science fiction fandom
Shipping
Songvid
Star Wars fandom
Tolkien fandom
Trekdom
Battlestar Galactica
Babylon V'ers


PLAYBOY

Playboy é um estilo de vida ou estereótipo onde o indivíduo não possui classe social determinante, sendo a maioria de classe média, que mantém uma intensa vida social com muitas mulheres, sem possuir um relacionamento fixo.

Origem:
EUA no início da década de 50.

Aparência:
Bem parecidos e costumam andar na moda. Utilizavam roupas finas apenas para a conquista de mulheres e não para a vivência do círculo social de elite.

Estilo musical:
POP, música electrónica
Algumas bandas: The All-American Rejects, Spice Girls, Black Eyed Peas.


PLOCS

Estilo musical:
POP e músicas infantis

Aparência:
Como ainda não foi inventado um meio de voltar à infância, eles usam acessórios, roupas e obviamente brinquedos infantis

Características:
Os ídolos líderes entre eles são Hello Kitty, Power Puff Girls, Tweety.

Manifestação:
“Queria tanto que minha infância voltasse!” esse é o lema dos Plocs.


PREPPY

Origem:
EUA

Aparência:
Sem muita maquilhagem. Componha um visual mais dia-a-dia, no máximo
um brilho labial incolor para realçar.
Roupas e acessórios clássicos e conservadores. As marcas que vestem essa cultura são tais como o estilo destas: Brooks Brothers, J. Press, J.Crew, J. Mclaughlin, Polo Ralph Lauren, Lacoste

Características:
Ter etiqueta é um dever para o visual Preppy.
É de extrema importância ser agradável com os seus colegas e mostrar respeito para com os outros. Um Preppy sempre tem um sorriso no rosto!

Manifestação:
Modo de vida não necessariamente requintado, e a não obrigatória aquisição do poder económico para a obtenção desse título social.


PUNKS

O estilo musical punk rock surgiu nos Estados Unidos com a banda The Ramones, que se baseou no rock and roll, com músicas simples e curtas, no máximo com três ou quatro acordes.

Origem:
EUA, em 1975.

Estilo musical:
Punk
Algumas bandas: Blink-182, Green Day, Fall Out Boy, The Offspring

Aparência:
alfinetes, símbolos, lenços no pescoço ou à mostra no bolso traseiro da calça, calças gangas rasgadas, calças pretas justas, bondage pants (calças xadrez com vários fechos nas pernas), pins de bandas punk e de protesto, casacos de couro com rebites e mensagens inscritas nas costas, coturnos, ténis converse, correntes, corte de cabelo moicano, colorido ou espetado, etc)

Características:
Como a maior parte dos movimentos populares, o movimento punk tem quase tantas nuances quanto o número de adeptos, mas em geral sustentam valores como anti-machismo, anti-homofobia, anti-fascismo, amor livre, anti-lideranças, liberdade individual, iconoclastia.

Manifestação:
Objectivo do movimento era a afirmação de um estilo, sem se envolver com questões éticas, políticas ou sociais.

Géneros punk:
Anarco/Peace-punk
Cowpunk
Crossover
Crust / Crustcore
D-beat
Deathrock
Fastcore
Garage punk
Goth-punk
Grindcore
Horror punk
New wave
No wave
Pop punk
Pós-punk
Pós-hardcore
Positive punk
Power-violence
Proto punk
Psychobilly
Punk rock
Queercore
Ska punk
Skate punk
Street-punk
Synth-punk
Thrash
Youth crew
Foder
Pinar


RASTA

O movimento Rasta (abreviatura rastafári) é um movimento religioso que proclama Hailê Selassiê I, imperador da Etiópia, como a representação terrena de Jah (Deus). O termo rastafári tem sua origem em Ras ("príncipe" ou "cabeça") Tafari ("da paz") Makonnen, o nome de Hailê Selassiê antes de sua coroação.

Origem:
Jamaica, nos anos 30.

Estilo musical:
Reggae
Algumas bandas: Alpha Blondy, Bob Marley, Burning Spear

Bandas portuguesas:
Kussondulola, Mercado Negro e Terrakota

Aparência:
Cabelos com rastas, roupas coloridas e leves

Características:
A cor vermelha simboliza a triunfante igreja dos Rastafari,
representando também o sangue dos mártires que existem na história dos rastas.
O preto representa a cor dos africanos, dos quais descendem 98% dos jamaicanos.
O verde caracteriza a beleza da vegetação da Etiópia e da terra prometida.
O amarelo é usado para simbolizar a abundância na sua terra natal.

Princípios:
Temos fortes objecções em relação a alterações agudas da figura do ser humano, corte e penteado [do cabelo], tatuagem da pele, cortes da carne.
Somos basicamente vegetarianos, dando uso escasso a certas peles animais, ainda assim proibindo o uso de carnes suínas de qualquer forma, peixes de concha, peixes sem escamas, caracóis, etc.
Adoramos e aceitamos mais nenhum Deus além de Rastafári, proibindo todas as outras formas de adoração pagã, apesar de as respeitarmos.
Amamos e respeitamos a irmandade da humanidade.
Desaprovamos e abolimos completamente o ódio, ciúmes, inveja, engano, fraude e traição, etc...
Não aprovamos os prazeres da sociedade moderna e os seus males correntes.
Temos a obrigação de criar uma nova ordem mundial de uma irmandade.
O nosso dever é expandir a mão da caridade a qualquer irmão/irmã que esteja em dificuldade, primeiramente aos que sejam Rastafaris e só depois a qualquer humano, animal, planta, etc...
Somos aderentes das antigas leis da Etiópia.


SKINHEADS

Carácter patriota, ultra-nacionalista, conservador, fascista e/ou integralista que promove acções violentas contra homossexuais, esquerdistas, diferentes tribos urbanas (em especial àquelas ligadas ao pensamento de esquerda), drogados, os neonazis também agridem em alguns casos judeus, prostitutas, e outras minorias.

Origem:
Reino Unido na década de 1960

Estilo musical:
ska, skinhead reggae e Oi!, punk rock e hardcore
Algumas bandas: Desmond Dekker, Derrick Morgan, Slade, Madness

Aparência:
Carecas.
Usam botas e suspensórios.

Características:
Existem vários tipos de Skinheads:
  - Os tradicionais, ou trads, que estão mais intimamente ligado aos costumes da década de 1960
  - Os boot-boys (mais tarde chamados de skinhead Oi! ou simplesmente skinhead)
  - Os casuais são uma continuação da evolução skinhead, que evoluiram dos hooligans
Outros grupos de curta existência como smoothies, suedeheads, crombie boy e outros.

Manifestação:
Em Portugal o termo também é utilizado por skinheads patriotas, nacionalistas e conservadores de extrema direita, no entanto o nacionalismo defendido pelos carecas portugueses está profundamente ligado à ideologia da supremacia branca e ao neonazi, uma vez que estes indivíduos afirmam ser a raça branca a origem e verdadeira identidade portuguesa.


TRACEUR

Traceurs ou Traceuses (para mulheres) são praticantes de Parkour e costumam reunir-se em locais com grande número de obstáculos, estudam cada um deles e fazem experiências antes de executar movimentos e exercícios desta disciplina.

Origem:
França

Aparência:
Calças e camisolas leves e ténis desportivo.

Características:
Sem limitações de espaços para ser praticado, o Parkour é acessível a
todos, possibilitando o auto-conhecimento do corpo humano e mente como o
desenvolvimento da força, resistência, coordenação motora, ao mesmo tempo que desenvolve a concentração, força de vontade, determinação e coragem.
Um traceur ou traceuse é sempre óptimo em outras actividades físicas que necessitam de auto-controlo, agilidade, destreza, força, raciocino rápido e observação.

Alguns movimentos de Parkour:
Kash Vault
Handed Vault
One Handed Vault
Two Handed Vault
Cat-To-Cat
Wallrun (corrida na Parede)
Monkey (passar o corpo entre os braços, apoiando no obstáculo)
Monkey stall
Jump (saltar de um lugar para outro)
Big Jump (salto alto)
Lazy vault
Lazy turn
Gate
Speed vault (um valt rápido e agìl)
Frog (salta-se e o obstáculo passa entre as pernas)
vault down(baseado no lazy vault)


VEGAN

Trata-se de uma abreviatura que parte da palavra "vegetarian", em que se consideram as 3 primeiras letras e as 2 últimas para formar a palavra vegan. O mesmo em português, na formação do termo vegano (s.m. adepto do veganismo - fem. vegana). Tem sido empregue também o termo vegan para se referir aos adeptos do veganismo.

Origem:
Inglaterra, em 1944

Aparência:
Vestem roupas de tecidos de origem vegetal (algodão, linho, etc) ou sintéticos (poliéster, etc).

Características:
Consomem-se basicamente cereais, frutas, legumes, vegetais, hortaliças, algas, cogumelos e qualquer produto, industrializado ou não, desde que não contenha nenhum ingrediente de origem animal.
Evitam o uso de alguns remédios alopáticos, por serem testados em animais. Podem optar pela fitoterapia, homeopatia ou qualquer tratamento alternativo.

Manifestação:
Para o vegan, animais não existem para os humanos, assim como o negro não existe para o branco nem a mulher para o homem. Cada animal é dono de sua própria vida, tendo assim o direito de não ser tratado como propriedade (enfeite, entretenimento, comida, cobaia, mercadoria, etc). Preferem usar os termos "animais não-humanos" ou "seres sencientes", em vez de "irracionais".

Dia Mundial do Vegan:
O dia 1 de Novembro, comemorado desde 1994, quando a Vegan Society da Inglaterra comemorou 50 anos de criação.


WHITE POWERS

É uma ideologia racista baseada na afirmação de que as pessoas brancas são superiores aos outros grupos raciais. O termo é por vezes utilizado especificamente para descrever uma ideologia política que defende social e político dominante para brancos.

Origem:
EUA, em meados dos anos 60.

Aparência:
Usam tatuagens da cruz suástica no peito e/ou a cruz de malta

Características:
Apesar de ter uma ideologia semelhante à dos Skinheads, não confraternizam com os mesmos.
Têm um treino pesado com armamento de fogo, tais como AK-47, AR-15,  FN FAL e pistolas de diversos calibres. Aprendem tácticas de guerra urbana-civil. Agridem as suas vítimas não por classe económica ou pelo o que fazem, mas sim pela cor, raça, ou opção sexual.

Manifestação:
Defendem que só as pessoas brancas, heterossexuais e outros, têm direito à vida.
Antes de haver o White Powers, foi criado o Black Powers, a única diferença entre os dois é os White Powers defendem a supremacia branca e os Black Powers defendem a supremacia negra.


YUPPIES

"Yuppie" é uma derivação da sigla "YUP", expressão inglesa que significa "Young Urban Professional", ou seja, Jovem Profissional Urbano.

Origem:
EUA

Aparência:
Vestem-se com roupas da última tendência da moda.

Características:
Praticam squash, golfe e ténis e almoçam em casas de sushi ou em bares da moda que servem cocktails
Têm entre os 20 e os 40 anos de idade, pertencem a classe média ou classe alta.
Normalmente, os yuppies são mais conservadores que a geração anterior, hippie.
Tendem a valorizar bens materiais (especialmente objectos da última moda). Investem na bolsa de valores, automóveis importados, inovações para residências e aparatos tecnológicos, como telemóveis mais sofisticados, portáteis, etc.
Depois dos 40 anos, muitos destes profissionais estabelecem-se em suas carreiras, e não necessitam mais ser tão ambiciosos quanto antes. Outros aposentam-se mais cedo. Outros reconsideram seu estilo de vida. Alguns passam por uma crise de meia-idade. Vários yuppies podem achar que seu estilo de vida falhou em lhes fornecer um significado para sua própria vida, depois de terem gasto o seu tempo apenas preocupados com a vida profissional.



CONCLUSÃO

Com este trabalho aprendi que existem inúmeras tribos urbanas e que, com o passar do tempo, vão surgindo mais.
Não tive grandes dificuldades na realização deste trabalho. Talvez a maior dificuldade tenha sido na escolha dos grupos a tratar pois são muitos.
Gostei de fazer este trabalho. Como não pertenço a nenhuma tribo, achei interessante ficar a conhecer um pouco de algumas delas. Pode ser que venha a pertencer a algum desses movimentos no futuro, apesar de não me sentir inclinada para tal neste momento.


BIBLIOGRAFIA

http://ajudaemocional.tripod.com/id361.html
http://pj_sc.br.tripod.com/textos/tribos_urbanas.htm
http://saber.sapo.cv/wiki/Categoria:Tribos_urbanas
http://tribos.blog.terra.com.br/2007/12/
http://tribusurbanas.no.comunidades.net/index.php
http://wapedia.mobi/pt/Drag_Queen
http://web.ist.utl.pt/mario.ferreira/ppii/TribosUrbanas.pps#280,25,Resultados do Inquérito
http://www.fashionbubbles2.com/2008/tribos-urbanas-movimento-hippie/
http://www.fromukoficial.com/2008/10/tribos-urbanas.html
http://www.mail-archive.com/ufoburn@yahoogrupos.com.br/msg04490.html
http://www.mundojovem.com.br/subsidios-grupo_jovens-03.php
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Pré-Operatório - Fases de Desenvolvimento da Criança



Introdução

Jean Piaget nasceu em Neuchâtel, Suiça em 1896 e faleceu em 1980. Estudou a evolução do pensamento desde o nascimento até a adolescência, procurando entender os mecanismos mentais que o indivíduo utiliza para captar o mundo. Como epistemológico, investigou o processo de construção do conhecimento, sendo que nos últimos anos de sua vida centrou seus estudos no pensamento lógico e matemático.
Até o início do século XX assumia-se que as crianças pensavam e raciocinavam da mesma maneira que os adultos. A crença da maior parte das sociedades era a de que qualquer diferença entre os processos cognitivos entre crianças e adultos era sobretudo de grau: os adultos eram superiores mentalmente, do mesmo modo que eram fisicamente maiores, mas os processos cognitivos básicos eram os mesmos ao longo da vida.
Piaget, a partir da observação cuidadosa de seus próprios filhos e de muitas outras crianças, concluiu que em muitas questões cruciais as crianças não pensam como os adultos. Por ainda lhes faltarem certas habilidades, a maneira de pensar é diferente, não somente em grau, como em classe.
Piaget, quando descreve a aprendizagem, tem um enfoque diferente do que normalmente se atribui à esta palavra. Piaget separa o processo cognitivo inteligente em duas palavras: aprendizagem e desenvolvimento. Para Piaget, a aprendizagem refere-se à aquisição de uma resposta particular, aprendida em função da experiência, obtida de forma sistemática ou não. Enquanto que o desenvolvimento seria uma aprendizagem de fato, sendo este o responsável pela formação dos conhecimentos.
Piaget, quando postula sua teoria sobre o desenvolvimento da criança, descreve-a, basicamente, em 4 estados, que ele próprio chama de fases de transição essas 4 fases são o Sensório-motor (0 – 2 anos), o Pré-operatória (2 – 7 anos), o Operações concretas (7 – 12 anos) e o estádio das operações concretas.
A adaptação, quando definida por Piaget, como o próprio desenvolvimento da inteligência, ocorre através da assimilação e acomodação. Os esquemas de assimilação vão se modificando, configurando os estádios de desenvolvimento.
Considera ainda que o processo de desenvolvimento é influenciado por factores como: maturação (crescimento biológico dos órgãos), exercitação (funcionamento dos esquemas e órgãos que implica na formação de hábitos), aprendizagem social (aquisição  de valores, linguagem, costumes e padrões culturais e sociais) e equilibrarão (processo de auto regulação interna do organismo, que se constitui na busca sucessiva de reequilíbrio após cada desequilíbrio sofrido).


Pré-operatório

 É nesta fase que surge, na criança, a capacidade de substituir um objecto ou acontecimento por uma representação, esta substituição é possível, conforme Piaget, graças à função simbólica. Neste estagio a criança já não depende unicamente de suas sensações, de seus movimentos, mas já distingue um significador (imagem, palavra ou símbolo) daquilo que ele significa (o objecto ausente), o significado, é importante ressaltar o carácter lúdico do pensamento simbólico. Assim este estágio é também muito conhecido como o estágio da Inteligência Simbólica.
Contudo, lembra que a actividade Sensório-motor não está esquecida ou abandonada, mas refinada e mais sofisticada, pois verifica-se que ocorre uma crescente melhoria na sua aprendizagem, permitindo que a mesma explore melhor o ambiente, fazendo uso de mais e mais sofisticados movimentos e percepções intuitivas.
A criança deste estágio: é egocêntrica, centrada em si mesma, e não consegue se colocar, abstractamente, no lugar do outro, não aceita a ideia do acaso e tudo deve ter uma explicação, já pode agir por simulação, "como se", possui percepção global sem discriminar detalhes e deixa-se levar pela aparência sem relacionar fatos. Podemos dizer que a criança e egocentrista da suya maneira ou seja, implica a ausência da necessidade, por parte da criança, de explicar aquilo que diz, por ter certeza de estar sendo compreendida. Da mesma forma, o egocentrismo é responsável por um pensamento pré-lógico, pré-causal, mágico, animista e artificialista. O raciocínio infantil não é nem dedutivo nem indutivo, mas transdutivo, indo do particular ao particular; o juízo não é lógico por ser centrado no sujeito, em suas experiências passadas e nas relações subjetivas que ele estabelece em função das mesmas. Os desejos, as motivações e todas as características conscientes, morais e afetivas são atribuídas às coisas (animismo). A criança pensa, por exemplo, que o cão ladre porque está com saudades da mãe. Por outro lado, para as crianças até os sete ou cinco anos de idade, os processos psicológicos internos têm realidade física: ela acha que os pensamentos estão na boca ou os sonhos estão no quarto. Dessa confusão entre o real e o irreal surge a explicação artificialista, segundo a qual, se as coisas existem é porque alguém as criou.
Do ponto de vista do juízo moral observa-se que, a princípio, a moral é totalmente heterônoma, passando a autônoma na medida em que a criança começa a sair do seu egocentrismo e compreender a necessidade da justiça equânime e da responsabilidade individual e coletiva, independentes da autoridade ou da sanção imposta.


Outros Estágios

Para Piaget os estágios e períodos do desenvolvimento caracterizam as diferentes maneiras do indivíduo interagir com a realidade, ou seja, de organizar seus conhecimentos visando sua adaptação, constituindo-se na modificação progressiva dos esquemas de assimilação. Os estágios evoluem como uma espiral, de modo que cada estágio engloba o anterior e o amplia. Piaget não define idades rígidas para os estágios, mas sim que estes se apresentam em uma sequência constante. Ele divide toda a evolução da criança em 4 estágios, nesta parte só se fará referencia a três visto que o estágio pré-operatório, já foi posteriormente desenvolvido
Estágio Sensório-motor, mais ou menos de 0 a 2 anos: a actividade intelectual da criança é de natureza sensorial e motora. A principal característica desse período é a ausência da função semiótica, isto é, a criança não representa mentalmente os objectos. Sua ação é directa sobre eles. Essas actividades serão o fundamento da actividade intelectual futura. A estimulação ambiental interferirá na passagem de um estágio para o outro.
Estágio das operações concretas, mais ou menos dos 7 aos 11 anos: a criança já possui uma organização mental integrada, os sistemas de ação reúnem-se em todos integrados. Piaget fala em operações de pensamento ao invés de acções.  É capaz de ver a totalidade de diferentes ângulos. Conclui e consolida as conservações do número, da substância e do peso. Apesar de ainda trabalhar com objectos, agora representados, sua flexibilidade de pensamento permite um sem número de aprendizagens.
Estágio das operações formais, mais ou menos dos 12 anos em diante: ocorre o desenvolvimento das operações de raciocínio abstrato. A criança se liberta inteiramente do objecto, inclusive o representado, operando agora com a forma (em contraposição a conteúdo), situando o real em um conjunto de transformações. A grande novidade do nível das operações formais é que o sujeito torna-se capaz de raciocinar correctamente sobre proposições em que não acredita, ou que ainda não acredita, que ainda considera puras hipóteses. É capaz de inferir as consequências. Tem início os processos de pensamento hipotético-dedutivos.


Conclusão

Os estágios de desenvolvimento cognitivo forneceram indicadores para a definição da complexidade da situação, ou seja, deve-se propor situações de aprendizagem compatíveis com o estágio actual de desenvolvimento cognitivo do aluno;
Para Piaget aprender é actuar sobre o objecto da aprendizagem para compreende-lo e modifica-lo. Daí surge o outro conceito chave - a aprendizagem activa, como aprender é uma continua adaptação ao meio externo, aprende-se quando se entra em conflito cognitivo - ou seja - quando somos defrontados com uma situação que não sabemos resolver. O organismo se desequilibra frente ao novo, mas como todo organismo vivo procuramos o equilíbrio. Para encontrar o equilíbrio, lançamos mão de um complexo processo de adaptação. Adaptação é o processo pelo qual o sujeito adquire um equilíbrio entre assimilação e acomodação. A assimilação refere-se à introdução de conhecimentos sobre o meio e a incorporação ao conjunto de conhecimentos já existentes. Através da incorporação, a estrutura de conhecimento existente se modifica de modo a acomodar-se a novos elementos - tal modificação é denominada acomodação. Equilíbrio é o processo de organização das estruturas cognitivas num sistema coerente, interdependente, que possibilita ao indivíduo a adaptação à realidade. É a partir deste entendimento que as situações de aprendizagem baseiam-se em jogos e desafios, nos quais o sujeito é defrontado com um problema novo para resolver.


Bibliografia

Livros:
ABC Do Corpo Humano; Selecções do Reader´s Digest; 1987
ABC Da Mente Humana; Selecções do Reader´s Digest; 1990
Introdução À Filosofia; Rodrigues, Luís; Plátano Editora; 2003

Sites:
http://www.geocities.com/lourdes_mimura/sercrianca/sercrianca1.html
http://penta.ufrgs.br/~marcia/estagio.htm



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